EDUCAÇÃO
Programa da rede municipal transforma conceitos sobre dinheiro em atividades práticas e ajuda estudantes dos anos iniciais a desenvolverem consciência financeira
Da Redação
29/08/2026 — sábado às 05h00
Divulgação
A educação financeira já faz parte da rotina dos alunos da AMEI Vera Lúcia (Parque São Vicente), em São Vicente. Por meio do programa "Pequenos Economistas", estudantes do 3º ao 5º ano aprendem, de maneira prática e próxima da realidade, conceitos de planejamento, economia, consumo consciente e a diferença entre necessidade e desejo.
A iniciativa, lançada recentemente pela Secretaria de Educação de São Vicente (Seduc-SV), leva a temática para os anos iniciais do Ensino Fundamental e propõe que os conteúdos sejam trabalhados de forma integrada às disciplinas já existentes. A proposta também está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e busca aproximar a matemática de situações presentes no cotidiano das crianças.
Na AMEI Vera Lúcia, duas turmas do 4º ano participam das atividades. Para a professora Ana Paula, trabalhar o conteúdo de forma próxima ao cotidiano dos alunos facilita a compreensão e permite que eles desenvolvam autonomia para lidar com o dinheiro. Segundo a pedagoga, a mudança já pode ser até mesmo percebida no comportamento dos alunos. Ao longo do ano, eles passaram a compreender que, para alcançar determinados objetivos, é necessário planejamento e economia.
"Nós priorizamos trabalhar da melhor forma com o desenvolvimento do projeto de educação financeira, aproximando o mais possível da realidade das crianças para que eles possam aprender a trabalhar com o dinheiro e consigam ter essa autonomia. [...] Eles já falam: 'Professora, mas para eu comprar tal coisa, eu já estou guardando tantos reais por dia para eu conseguir comprar".
Para tornar os conceitos mais acessíveis, o projeto utiliza diferentes recursos pedagógicos. Entre eles estão jogos como "Pique-Nique", que utiliza um tabuleiro, dados, peças, dinheiro de brinquedo e cartas para simular situações de compra e circulação pela cidade. O objetivo é fazer com que os estudantes compreendam conceitos financeiros enquanto participam de atividades lúdicas.
Uma das atividades levou os estudantes para além da sala de aula. Antes de preparar biscoitos de Natal, os alunos precisaram se organizar para juntar dinheiro e, posteriormente, foram até o mercado para comprar os ingredientes da receita. Durante a compra, parte dos estudantes ficou responsável por registrar os valores e fazer as contas para verificar quanto seria gasto.
De volta à escola, os estudantes foram para a cozinha experimental, onde colocaram o planejamento em prática e participaram da preparação dos biscoitos. A atividade permitiu que conceitos como organização, cálculo e planejamento fossem trabalhados em uma situação próxima da realidade das crianças.
O conteúdo trabalhado em sala também já aparece em iniciativas dos próprios alunos. A estudante Megan começou a produzir e vender chaveiros na escola. Com o dinheiro das vendas, ela decidiu guardar seus ganhos, pensando em objetivos futuros.
"Para que eu vou gastar meu dinheiro? Se quanto mais eu vender, mais eu vou guardar. No meu futuro eu posso ter alguma coisa grande, alguma coisa que eu quero", ressalta.
Márcia Alvarenga, professora do 4º ano, explica como o aprendizado iniciado na infância pode acompanhar os estudantes ao longo da vida e até chegar às famílias. A pedagoga ainda reforça a diferença entre necessidade e desejo para os mais novos.
"Se a gente tem uma meta, a gente precisa poupar. Desejos de várias coisas a gente sempre vai ter. Mas a gente tem um foco: guardar o dinheiro por algo maior. [...] As crianças já começam a lidar com dinheiro nessa idade, entre os 8 e os 9 anos. Vão à padaria, no mercado, comprar alguma coisa para a mãe. Começando desde cedo, eles já conseguem ter essa consciência e levar para a vida adulta".
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