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De volta à escola, jovens encontram no Cejain perspectivas para o futuro

Israel, Nickolas e Pietro descobriram na modalidade flexível oferecida pela Prefeitura de São Vicente a possibilidade de retomar a trajetória escolar e pensar em novos projetos

Da Redação

Da Redação

19/08/2026 — quarta-feira às 13h00

De volta à escola, jovens encontram no Cejain perspectivas para o futuro

Divulgação

Às vezes, a vida faz a gente parar no meio do caminho. Mas parar não significa desistir. No Centro de Educação de Jovens e Adultos de São Vicente (Cejain), três jovens encontraram a possibilidade de continuar a trajetória escolar e, a partir daí, projetar novos caminhos para o futuro.

Israel Correa de Lima, de 23 anos; Nickolas Samuel Soares Nascimento, de 18; e Pietro Kormann Lima Santos, de 15, têm histórias diferentes, mas um objetivo em comum: seguir em frente por meio da educação. Os três encontraram na modalidade um espaço para desenvolver autonomia, responsabilidade e determinação, ressignificando a própria trajetória escolar.

Ligado à Prefeitura de São Vicente por meio da  Secretaria da Educação (Seduc), o Cejain atende estudantes a partir dos 15 anos que desejam retomar ou continuar os estudos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A modalidade possui presença flexível e permite que cada estudante organize sua rotina de acordo com suas necessidades.

Para a coordenadora pedagógica Cristiane Miguel, no Cejain o aluno vai além do conteúdo. "Aqui é mais do que uma unidade educacional. Nós trabalhamos de forma individualizada", explica. Segundo ela, essa proximidade permite que professores e equipe escolar conheçam melhor cada estudante e compreendam as dificuldades que podem interferir no processo de aprendizagem. "A educação é coração, a educação é olho no olho", define.

Cristiane explica que Israel, Nickolas e Pietro fazem parte do grupo de jovens e adultos que chegam à unidade trazendo questões relacionadas à própria experiência escolar, dificuldades pessoais e, em alguns casos, falta de autoestima. Por isso, o acompanhamento individualizado permite que a equipe vá além do conteúdo pedagógico.

Esse processo pode contribuir para que o estudante desenvolva maior autoconhecimento e confiança para dar continuidade aos estudos. É nesse ambiente que, segundo a coordenadora, novos projetos começam a surgir.

A decisão de voltar a estudar

Aos 23 anos, Israel havia interrompido os estudos quando estava no 9º ano. Ele conta que já deveria ter concluído essa etapa anteriormente, mas uma situação vivenciada em outra escola acabou dificultando a continuidade de sua trajetória escolar. Foi pela internet que conheceu o Cejain. "Vi em uma rede social e decidi procurar a unidade", lembra, revelando que encontrou a possibilidade de concluir o Ensino Fundamental.

Durante os estudos, Israel também contou com o apoio dos professores para lidar com uma limitação de visão. Segundo ele, a equipe se disponibilizou a ajudá-lo com o material didático, inclusive utilizando recursos para ampliar os textos das apostilas.

A experiência permitiu que Israel concluísse o Ensino Fundamental e seguisse para uma nova etapa. Para quem pensa em parar os estudos ou está em dúvida sobre voltar à escola, ele deixa uma mensagem direta: "É melhor voltar a estudar, completar a escola toda, para mais para frente ter um futuro melhor".

A fala de Israel resume uma percepção que passou a fazer parte de sua própria trajetória: interromper os estudos pode significar ficar parado diante de oportunidades que poderiam surgir no futuro.

Retomada passa pela socialização - Nickolas, de 18 anos, largou os estudos no 8º ano, depois de perceber que estava enfrentando dificuldades para interagir no ambiente escolar. "Eu me sentia sufocado dentro da sala de aula, me sentia preso", relata.

Foi durante o acompanhamento com uma psicóloga que ele identificou o início de um quadro de fobia social. A dificuldade de socialização interferiu diretamente em sua rotina escolar e fez com que deixasse de frequentar as aulas.

Com acompanhamento profissional, Nickolas começou a trabalhar essa dificuldade e encontrou no Cejain uma possibilidade de retomar os estudos de maneira mais adequada à sua realidade. "Devo muito à minha madrasta, que acreditou não ser uma questão de 'preguiça' e me acompanhou à psicóloga. Eu queria estudar, mas me sentia sufocado".

O atendimento individualizado da unidade teve papel importante nesse processo. O próprio Nickolas reconhece os avanços conquistados. "Já melhorei muito. Inclusive estou aqui falando com todo mundo", afirma. A participação em uma conversa diante de outras pessoas, portanto, representa para ele um passo importante nesse processo.

Agora, o jovem já pensa nos próximos objetivos. Primeiro, quer concluir o Ensino Médio. Depois, pretende ingressar em uma faculdade. "Eu quero fazer Tecnologia da Informação. Gosto muito de computação", conta.

A descoberta de novos caminhos

Com 15 anos, Pietro chegou ao Cejain vindo de uma escola regular. A experiência na unidade permitiu que concluísse o Ensino Fundamental em uma modalidade diferente daquela que havia vivenciado anteriormente.

Sobre o futuro, Pietro conta que nunca fez planos muito distantes. Sua preocupação sempre esteve concentrada nas tarefas mais imediatas: a próxima prova, o dia seguinte e a conclusão de cada etapa.

Somente próximo ao final do curso que começou a pensar sobre o que viria depois. A perspectiva para o futuro ainda está em construção, e essa característica também faz parte da maneira como ele enxerga a própria vida. "Creio que cada etapa pode ser vivida antes que a próxima seja definida".

As histórias de Israel, Nickolas e Pietro mostram, na prática, como uma modalidade flexível pode contribuir para que estudantes com diferentes trajetórias encontrem condições para continuar estudando.

Mais do que oferecer conteúdos e avaliações, o Cejain trabalha para que cada estudante possa compreender onde está, reconhecer suas potencialidades e decidir quais serão os próximos passos de sua trajetória escolar.

Flexibilidade

O Centro de Jovens e Adultos da Área Insular atende estudantes a partir dos 15 anos, do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, e também recebe adultos e idosos. Muitos chegam à unidade depois de períodos de interrupção dos estudos ou por apresentarem distorção entre idade e ano escolar.

Um dos principais diferenciais é a flexibilidade da presença. O estudante não precisa necessariamente cumprir uma rotina rígida de entrada e saída, o que permite conciliar os estudos com trabalho e outras atividades. "Alguns precisam desse horário flexível por trabalharem em turno", exemplifica Cristiane.

Assim, a unidade oferece atendimento também no período da tarde, ampliando as possibilidades para os estudantes. Para Cristiane, essa característica é fundamental justamente porque considera a realidade de quem frequenta a unidade. "A presença flexível abre e abrange as dificuldades e o dia a dia de um adulto", afirma.

A matrícula pode ser realizada a qualquer momento, de acordo com os procedimentos da unidade.

Outra situação que pode dificultar o retorno aos estudos é a ausência do histórico escolar. Porém, isso não impede necessariamente que o estudante procure o Cejain. A coordenadora conta que, em situações como essa, a equipe auxilia na busca do histórico escolar na Secretaria Digital, identificando a última escola frequentada e orientando o estudante na tentativa de localizar a documentação.

Caso não exista nenhum registro que comprove a escolaridade anterior, há ainda a possibilidade de realização de uma prova de classificação. Nesse processo, o estudante é avaliado em conhecimentos gerais, incluindo Língua Portuguesa, Matemática, Arte e Inglês. Depois da avaliação, uma banca formada por professores analisa o desempenho e define em qual etapa o estudante poderá dar continuidade aos estudos.

"Ele faz essa prova como se fosse uma prova de vestibular", explica Cristiane, ressaltando que a avaliação permite identificar os conhecimentos que o estudante já possui e indicar o ponto adequado para sua retomada escolar.

Dessa forma, mesmo quem não possui a documentação escolar disponível pode procurar a unidade para receber orientação sobre as possibilidades de retorno.

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