Até sexta-feira (14), o público pode visitar, no saguão da Secretaria da Educação de São Vicente (Seduc), uma exposição que convida a conhecer, refletir e valorizar os povos originários e a relação do ser humano com a natureza. Ao todo, são 30 obras da artista e professora Corina Mulero, com temática indígena. A mostra tem entrada gratuita e pode ser visitada das 8h às 17h, na Avenida Capitão-mor Aguiar, 798, no Centro.
Mais do que apresentar pinturas, a artista busca, por meio das obras, despertar sentimentos e estimular novos olhares para a cultura indígena, a preservação ambiental e o cuidado com o planeta. Segundo Corina, a inspiração para o trabalho vem de uma memória afetiva de sua infância. "Meu avô era descendente de indígenas e caçava muito, mas era para sobrevivência, porque onde morava era um local muito pobre. Quando ia para a casa da minha mãe, aqui em São Vicente, ele desenhava onças, capivaras e tucanos. Comprava lápis de cor e me ensinava a desenhar. Então, eu já trago isso dentro de mim desde pequena", contou.
A relação com a natureza também aparece na escolha dos materiais utilizados pela artista. Atualmente, Corina trabalha com tinta a óleo, tinta acrílica e diferentes elementos para produzir texturas, incluindo materiais naturais. "Como também sou professora de Educação Infantil, gosto de trabalhar com as crianças as materialidades que estão em torno da creche, como folhinhas, cascas de árvores e pequenos galhos. Tenho uma obra que é toda feita com cascas de árvores", explicou.
Para Corina, levar a exposição para o espaço da Seduc tem um significado especial, justamente por aproximar a arte do cotidiano dos profissionais da educação. A proposta é que a mostra seja também uma oportunidade de formação e sensibilização. "Praticamente, a gente, mostrando o trabalho, termina formando as pessoas, porque elas vão pesquisar, vão apreciar. A arte provoca sentimentos. Então, estou estimulando as professoras e os gestores a trabalhar com a natureza, a ter cuidado com os indígenas e um olhar diferenciado para os povos indígenas também", detalhou.
A artista reforça ainda a importância de ampliar a consciência sobre a preservação ambiental. "A gente tem que cuidar das matas, dos pássaros, dos animais, da água, porque, senão, o planeta vai se acabar".
A mostra também foi o ponto de encerramento das atividades de uma formação em Arte realizada durante a tarde na UniBR. Cerca de 40 professores que participaram da atividade finalizaram o encontro com uma visita à exposição de Corina.
A formação foi conduzida pelo arte-educador Ronnie Corazza e teve como eixo principal o teatro, os jogos teatrais e a expressão corporal em sala de aula. Entre as referências apresentadas aos professores esteve o trabalho do dramaturgo brasileiro Augusto Boal, conhecido, entre outras contribuições, pelo desenvolvimento do Teatro do Oprimido e do teatro-fórum.
Para Ronnie, a Arte tem potencial para estabelecer conexões entre diferentes áreas do conhecimento e envolver toda a comunidade escolar. "Esse tipo de formação é fundamental para os professores de Arte, mas não só para eles. O professor de Arte acaba envolvendo a escola como um todo na sua disciplina. A gente pode fazer muitas conexões de aprendizagem a partir das artes com Língua Portuguesa, Matemática e História. A Arte conecta todas as linguagens e todas as aprendizagens", explicou.
O formador também avaliou que a visita à exposição indígena foi uma maneira de concluir o encontro de forma significativa. "A gente estava numa formação de Arte, veio para uma exposição e fecha com chave de ouro. Sai imbuído de muitas ideias e muita criatividade daqui", afirmou.
Professora de Arte mais experiente da rede municipal e atualmente lotada na UE Pastor Joaquim Rodrigues da Silva (Náutica 3), Afra Régia também participou da formação. Para ela, a atividade foi uma oportunidade importante de reencontro entre profissionais e de experimentação de novas possibilidades pedagógicas. "A formação foi maravilhosa. É a minha praia: corpo, expressão, dança. O Ronnie foi maravilhoso, super didático e muito prático. Ele não fica só na teoria", avaliou.
Afra também ressaltou a importância da retomada dos encontros presenciais entre os professores, especialmente depois do período de distanciamento provocado pela pandemia. "Essa troca de experiências entre os colegas estava se perdendo após a pandemia. Essa retomada dá aquele respiro que a gente precisa. O presencial é necessário para a gente trocar o fazer manual, criar, trabalhar o coletivo e a criatividade, e levar tudo isso para a sala de aula", afirmou.
Segundo Maria Amélia Silva, professora de Arte e assessora pedagógica do Núcleo de Formação da Seduc, a atividade integra uma retomada das formações presenciais da rede municipal. Ela explicou que a formação inicialmente estava prevista para o dia 29, mas precisou ser adiada devido ao temporal que atingiu a região. "É como se fosse uma reciclagem, uma inovação, porque estávamos há um tempo sem ter formação presencial. Tivemos formações on-line, como a da Bienal e outras, mas essa foi presencial, dentro da proposta da parada pedagógica. Os professores ficaram muito felizes", explicou.
Maria Amélia também destacou a oportunidade de aproximar professores ingressantes e profissionais mais antigos da rede, além de ampliar o contato com linguagens artísticas que nem sempre recebem o mesmo espaço no cotidiano escolar. "Trabalhamos uma linguagem que dificilmente a gente desenvolve com tanta ênfase em sala de aula: movimento, dança, expressão corporal, teatro e música. E esse encontro também é importante porque muitos professores ingressantes não conheciam os professores mais antigos. Foi muito bonito ver todo mundo saindo com sorriso, agradecendo e pedindo mais", contou.
Serviço
Exposição "Povos Originários" – Corina Mulero
Local: Saguão da Secretaria da Educação de São Vicente – Avenida Capitão-mor Aguiar, 798, Centro
Visitação: até sexta-feira (14), das 8h às 17h
Entrada: gratuita