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SAÚDE

Representante de Praia Grande participa de conferência internacional  sobre Aids

Diretor-técnico da Empes, Fábio Mesquita é referência no assunto e  esteve no evento no Rio de Janeiro

Da Redação

Da Redação

11/08/2026 — terça-feira às 06h19

Representante de Praia Grande participa de conferência internacional  sobre Aids

Divulgação

Realizada pela primeira vez na América do Sul, a maior conferência  sobre Aids do mundo ocorreu no Rio de Janeiro na última semana,  reunindo os principais especialistas da área, pesquisadores,  cientistas e integrantes da sociedade civil, além de lideranças da  Organização Mundial da Saúde (OMS). E Praia Grande marcou presença por  meio do médico Fábio Mesquita, diretor-técnico da Empresa Municipal  Praia-Grandense de Ensino e Saúde (EMPES), responsável pela gestão do  Complexo Hospitalar Irmã Dulce (CHID).

Formado em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina e com  doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP),  Mesquita é reconhecido como uma das principais referências  internacionais na resposta ao HIV/Aids e nas políticas de redução de  danos, tendo sido coordenador de Aids na Prefeitura de Santos entre  1989 e 1996, além de ter atuado no Ministério da Saúde e, por 12 anos,  na OMS, desenvolvendo, entre outras atividades, o Programa de Aids da  OMS no Vietnã. Com esse currículo, o profissional se dirigiu à capital  fluminense, representando a Empes e também a Unifesp – Campus Baixada  Santista, entre os mais de 7.500 participantes de mais de 120 países  que participaram do evento organizado pela Sociedade Internacional de  Aids (IAS).

“Foi um privilégio participar da conferência, onde pude fazer  networking e rever três dos meus ex-chefes como o Dr. Tedros Adanom  (diretor-geral da OMS), o Dr. Alexandre Padilha (ministro da Saúde do  Brasil) e Jarbas Barbosa (diretor da Organização Pan-Americana de  Saúde – OPAS). Colegas de trabalho e amigos da Indonésia, do Vietnã,  de Angola, de Moçambique, do Escritório Regional da OMS no Pacífico  Ocidental (WPRO, com sede nas Filipinas), da Suíça (do escritório  central da OMS), mas também ativistas de todo o Brasil e do mundo,  colegas profissionais de saúde de todo o Brasil, jornalistas queridos,  e estudantes de Medicina da Faculdade São Judas de Cubatão. Foram  muitas histórias e muitas emoções”, contou.

Segundo Mesquita, o evento contou com atualizações importantes acerca  da Aids. “Uma delas foi um artigo do Lancet HIV, divulgado no primeiro  dia da conferência, sobre um estudo que mostra que em 2040, 50% das  pessoas vivendo com HIV no mundo terão mais do que 50 anos. Esta  informação é chave para o que hoje é considerada uma doença crônica  manejável, mostrando que cada vez mais os serviços de HIV devem  interagir mais institucionalmente com serviços de outras doenças  comuns em maiores de 50: como diabetes, hipertensão, colesterol  aumentado ou câncer, dentre outras. Serviços isolados de IST  (infecções de Transmissão Sexual) e HIV cada vez fazem menos sentido”.

Outra discussão fundamental ao longo da conferência no Rio de Janeiro  foi sobre a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), um método de  prevenção ao HIV. “A discussão envolveu a PrEP injetável, comprimidos  de longa duração e a PrEP oral (sob demanda ou de uso contínuo). Na  PrEP de longa duração injetável os dois medicamentos discutidos foram  o Cabotegravir (injetável, uma vez a cada dois meses) e o Lenacapavir  (injetável, uma vez a cada 6 meses). Também apareceu a novidade de um  comprimido de longa duração, o Alimatravir (aqui se toma uma pílula  por mês e a proteção estará lá). Ficou nítido de que a pessoa que usa  o medicamento para prevenção tem de ter a opção e fazer sua escolha.  No Brasil temos disponível no SUS apenas a PrEP oral sob demanda (2  comprimidos duas horas antes da relação sexual e 24 e 48 horas após,  totalizando 4 comprimidos), e a PrEP oral de uso contínuo (tomando  medicamento neste caso todos os dias). As inovações, algumas delas já  aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),  ainda não foram incorporadas ao SUS. A boa notícia é que o ministro da  Saúde, Alexandre Padilha, deu uma entrevista na conferência dizendo  que o Cabotegravir será incorporado ao SUS ainda em 2026. Assim vamos  aumentando as opções dos usuários”, comentou Mesquita.

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