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Famílias acolhedoras de Santos mostram o amor vão muito além dos laços sanguíneos

Da Redação

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18/05/2026 — segunda-feira às 04h00

Famílias acolhedoras de Santos mostram o amor vão muito além dos laços sanguíneos

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No dia 15 de maio, comemorou o Dia Internacional da Família, instituição que vai muito além de laços sanguíneos, podendo ser definida como grupo unido em proporcionar amor e apoio incondicional.

 

Em Santos, o Programa Família Acolhedora demonstra todo dia o quanto estes laços vão muito além da genética.

 

O serviço da Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) existe desde 2003 e prevê o acolhimento temporário de crianças e adolescentes afastadas de seus pais por determinação judicial. As famílias são cadastradas e não devem ter interesse em adoção .

 

A educadora e cozinheira Emylin dos Santos Prata, 42 anos, mãe solo do Ben, de 8, decidiu acolher temporariamente um bebê recém-nascido, fruto de entrega voluntária por parte da mãe biológica. 

 

 

 

Emylin descobriu o programa durante um culto na igreja, quando o pastor fez referência a uma mãe, integrante do Família Acolhedora. De imediato, sentiu um chamado e foi buscar informações do serviço. Teve que passar por critérios técnicos de avaliação até ser selecionada e participar de reuniões e oficinas de capacitação com a presença de vários profissionais, dentre eles uma com o tema "desapego".

 

O filho Ben está curtindo muito o momento ao lado da mãe. Desde que o bebê chegou, compartilha da mesma alegria, com afagos e colo. Para Emylin, é uma experiência nova na vida, apesar de já ser mãe.

 

"Acolher um recém nascido exige muito amor, proteção, atividades extras, acordar de madrugada, por exemplo. Quando o meu filho era pequeno, fiz tudo isso e muito mais. Hoje passo para o bebê tudo o que fiz para o Ben. Tenho certeza que o bebê vai carregar todo esse amor para o resto da vida".

 

PREENCHENDO UM VAZIO

A perda da filha Lucélia aos 33 anos, em 2021, gerou um enorme vazio no coração da aposentada Regina Célia de Souza Vendetti, 67. Em 2022, ela conheceu o Família Acolhedora por meio de uma reportagem e se inscreveu. Desde então, já passaram pelas suas mãos nove crianças. Atualmente, cuida de um bebê de três meses, também fruto de entrega voluntária.

 

A família é formada pela filha Letícia, 31, e a irmã da aposentada, Stella, 72, que moram juntas. 

 

"O Família Acolhedora tem transformado a minha vida desde que perdi minha filha", lembra Regina, segurando o choro. "É uma troca: as crianças nos ajudam e nós ajudamos elas para que fiquem saudáveis até retornarem para a família de origem ou para uma família adotiva", acrescentou.

 

 

 

A rotina da casa sempre é alterada quando há o acolhimento. Letícia é o braço direito da aposentada. "Troco fralda, dou banho, mamadeira e muito carinho", disse, emocionada.

 

"Nós disputamos até de quem é a vez de dar colo", diz Regina. Para ela, o Família Acolhedora enriquece os dias em meio às mudanças da rotina diária. "Já deixei de passar a virada do ano novo em 2022 para ficar com um bebê em um hospital, porque missão dada é missão cumprida", completou.

 

DESPEDIDA

O programa não prevê adoção e, quando as crianças deixam esses lares temporários, os vínculos afetivos já foram estreitados com muito afeto. Emylin e Regina sabem que a ligação amorosa permanece, no entanto, a despedida é inevitável e acompanhada sempre com lágrimas. 

 

Cientes de que a adoção está descartada, ambas torcem para que os bebês que cuidam encontrem um ambiente familiar seguro, de afeto, cuidado e bem-estar. Apesar da convivência ser temporária, os aprendizados ficam, como pequenos gestos do dia a dia e as relações construídas podem ajudar a desenvolver confiança e autoestima.

 

Conforme a titular da Seds, Renata Bravo, o programa oferece um ambiente familiar, acolhedor e afetuoso para crianças e adolescentes que, por determinação judicial, precisam ser temporariamente afastados das suas famílias de origem. "É uma forma de garantir cuidado individualizado, segurança e a oportunidade de um desenvolvimento saudável e digno".

 

 

 

COMO ADERIR AO SERVIÇO

Ligado à Coordenadoria de Proteção Social de Alta Complexidade, o Família Acolhedora é uma medida temporária prevista em lei, tanto na Constituição Federal, quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não se configurando como adoção.

 

A chefe do serviço, Susana Souza do Rosário Nascimento, explica que durante o período de acolhimento, as famílias biológicas são trabalhadas por toda o sistema de garantia de direitos, com a perspectiva de retorno da criança/adolescente ao convívio familiar.

 

As candidatas passam por avaliação com assistentes sociais e psicólogos. Precisam ter disponibilidade de tempo. A partir da habilitação junto ao Judiciário, recebem mensalmente, durante o acolhimento, ajuda de custo de R$ 1.390,44, cujo recurso sai do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

 

O acompanhamento e reuniões com as famílias é realizado na Av. Senador Pinheiro Machado, 73 (Vila Mathias), telefone (13) 3251-9333 / (13) 98212-1656 (WhatsApp). Para obter mais informações e aderir ao programa Família Acolhedora acesse santos.sp.gov.br/?q=hotsite/familia-acolhedora

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