ELEIÇÕES 2024
Para o instituto Badra, o candidato à Prefeitura de Bertioga pode estar sofrendo de Tensão Pré-Eleitoral
Áurea Batista
11/09/2024 — quarta-feira às 14h44
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Por conta de uma ação proposta na Justiça Eleitoral pelo vereador-candidato Matheus Rodrigues (Republicanos), os eleitores de Bertioga foram os únicos a não terem acesso ao resultado da pesquisa Badra realizada entre os dias 2 e 6 de setembro, nos nove municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista.
Na véspera da divulgação dos resultados, os advogados contratados e pagos pela campanha de Rodrigues pediram a impugnação da pesquisa, sob o argumento de que haveria erro metodológico (ausência do espelhamento por bairro) no levantamento.
Corretamente e por cautela, a juíza responsável pela Zona Eleitoral 272 suspendeu, por meio de decisão liminar, a divulgação dos resultados e abriu espaço para que a Badra se pronunciasse.
Apresentadas as razões pelo Instituto Badra, o Ministério Público Eleitoral opinou de modo enfático e direto: “É caso de improcedência da pretensão deduzida na presente ação”. E foi além destacando que “a pesquisa ora impugnada poderia ter sido complementada até o dia seguinte da divulgação, com as informações referentes à abrangência territorial. Logo, a irregularidade apontada pelo representante não restou caracterizada nos autos. Isso posto, opina-se improcedência da pretensão deduzida na presente representação”.
O representante do Ministério Público Eleitoral ainda fez questão de destacar que as pesquisas constituem importante instrumento de avaliação dos partidos em relação à atuação e ao desempenho de seus candidatos. São úteis sobretudo para a definição de estratégias e tomada de decisões no desenvolvimento da campanha.
Liminar cassada
No início da noite de ontem. em decisão final, a juíza responsável pela 272ª Zona Eleitoral julgou improcedente a representação movida por Matheus Rodrigues, determinando a cassação da liminar e, por consequência, liberando a divulgação do resultado da pesquisa.
Para o jornalista Maurício Juvenal, que atua como analista de dados da Badra Comunicação, a decisão favorável ao instituto já era esperada. “A Justiça Eleitoral agiu de forma equilibrada. Se havia perigo de prejuízo a quem quer que fosse, tal o açodamento da representação proposta, entendeu por bem suspender a divulgação e ouvir a Badra. Tudo explicado, claro, e não havendo irregularidade alguma, em conjunto com o Ministério Público Eleitoral liberou a divulgação”.
Para Juvenal, no entanto, isso não afasta o comportamento pra lá de questionável de Matheus Rodrigues. “Primeiro porque ele teve cinco dias para impugnar a pesquisa e deixou para as últimas horas. Segundo, porque apresentou um argumento que não se sustenta técnica e juridicamente em pé. Terceiro porque agiu como sensor, tentando esconder da população o resultado da pesquisa. Quarto, e mais grave, gravou um vídeo afirmando que havia irregularidades”.
Rodrigues contra a decisão?
O especialista condena a atitude de Matheus Rodrigues, dizendo que ele já deveria ter vindo à público pedir desculpas. “Tem irregularidade e a Justiça Eleitoral e o Ministério Público liberam a divulgação? Para o vereador-candidato a decisão está errada, então? Matheus Rodrigues está contra a decisão da Justiça, é isso? Não se pode, por puro interesse político-eleitoral tentar manchar o nome, reputação de uma empresa. Entrar na Justiça, sobrecarregar o judiciário é coisa séria”, argumenta.
Questionado sobre o que teria levado o vereador a agir assim, Juvenal afirma que só pode ser a TPE. “É a bendita tensão pré-eleitoral, que faz com que os candidatos tenham o poder de discernimento afetado. Na pesquisa em que ele aparece à frente o instituto presta, mas na que não aparece à frente não presta? Não quero acreditar, de verdade, ainda que isso não saia da minha cabeça, que o objetivo foi esconder a realidade da população”, finaliza.
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