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Bailarinos levam música, dança e conscientização ao Paço Municipal de Santos

A programação de celebração do Dia da Consciência Negra foi preparada pela Secretaria da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos (Semulher), por meio da Coordenadoria de Promoção de Igualdade Racial (Copire)

Da Prefeitura de Santos

Da Prefeitura de Santos

23/11/2023 — quinta-feira às 03h51

Bailarinos levam música, dança e conscientização ao Paço Municipal de Santos

francisco arrais 8850 - Foto: PMS

As escadarias do Paço Municipal, no Palácio José Bonifácio, Centro Histórico, foram tomadas pela música e pela dança, com a apresentação da coreografia 'Raízes Negras' do Balé da Cultura de Santos. O evento, que aconteceu nesta quarta-feira (22), integra a programação municipal em alusão ao Dia da Consciência Negra, celebrado no último dia 20.

O Balé da Cultura é formado por professores da Secretaria de Cultura de Santos (Secult) e convidados. A apresentação começou com o Professor Paulo Henrique recitando o poema 'Zumbi', de autoria desconhecida. Na sequência, os bailarinos se apresentaram com vestimentas caracterizadas, ao som da cantora Deborah Tarquínio e do baixista Odilon de Carvalho, que tocaram a canção 'Raça', de Milton Nascimento.

O baixista destacou a importância de apresentações como essa para a conscientização da sociedade sobre a causa. "Devem ser feitas todo mês, toda semana, todo dia. A consciência tem que ser um exercício diário, sobre a questão da valorização do povo preto, contra o racismo e uma série de mazelas que o povo preto vem sofrendo desde que foi tirado da África, na escravidão", disse Odilon.

A cantora Deborah Tarquínio acrescentou: "Quanto mais a gente puder destacar, independentemente de estar ou não no dia de Consciência Negra, melhor vai ser para todo mundo. Nós temos que começar a olhar mais para a diversidade, para poder ter a coletividade, seja você japonês, amarelo, vermelho ou negro".

O professor Paulo Henrique falou sobre os preconceitos que o povo negro sofre diariamente. "O racismo existe. Infelizmente ele é velado, acontece e só quem é preto sabe o que é isso".

"Eu sou preto, mestre, professor universitário e convivo em alguns grupos sociais elevados", conforme Paulo Henrique, que diz que muitas vezes quando cita que é mestre, perguntam se é de capoeira. Ele conta que responde que infelizmente não é mestre de capoeira, mas adoraria. 

"As pessoas precisam entender que não é a cor da pele que importa, é a pessoa, é o ser humano. Infelizmente as coisas não acontecem dessa forma, porque o racismo e o preconceito são constantes", completa. 

O bailarino Lailton Reis falou sobre a produção do figurino e a criação da coreografia. "É um estilo de dança de aceitação, para as pessoas enxergarem a gente como a gente é. Todo mundo trabalhou para que isso acontecesse, um pensando na roupa, outro tingindo o tecido ou cortando a corda, enfim, contamos com todos os bailarinos para que o trabalho desse certo e no final, realmente deu".

O evento contou ainda com a presença dos bailarinos Aluisio Nogueira, Alexandre Snoop, Leandro de Jesus, Léo Zima e Tonia Pereira.

A programação de celebração do Dia da Consciência Negra foi preparada pela Secretaria da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos (Semulher), por meio da Coordenadoria de Promoção de Igualdade Racial (Copire). 

"Eventos como este mostram, através da dança, a nossa ancestralidade e oralidade, fortificando as nossas raízes com a ascendência africana. Essa apresentação é mais um momento para divulgarmos a nossa cultura e fortificarmos as nossas convicções", disse Ivo Miguel Evangelista, coordenador da Copire. 

 

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