MULHERES QUE FAZEM A DIFERENÇA
Primeira mulher a ter um ensino superior na família, que buscava cursar medicina e caiu na educação. Hoje tem o seu próprio espaço e procura ajudar aqueles que mais necessitam
Da Redação BS9 - Isabella Monteiro
07/03/2023 — terça-feira às 09h39
Educadora, neuropsicopedagoga e escritora Andreia Marques - Foto: Arquivo Pessoal
Andreia Marques Melo da Silva, professora de lingua portuguesa, literatura e filsofia, hoje atua como neuropsicopedagoga, escritora e vice diretora. Paulista raiz, nascida na capital mas se mudou ainda menina para Barra do Turvo , um município que faz divisa entre São Paulo e Paraná, filha do meio entre três irmãos e vinda de uma família muito simples.
Desde muito cedo ela já era engajada e ligada com projetos sociais, teatro e música, sempre voltados para a educação. Sua grande inspiração da vida é a sua mãe, uma mulher preta, que por muitos anos trabalhou como empregada doméstica, que tinha um grande gosto pelos estudos mas nunca teve a oportunidade de estudar, porém sempre incentivou a Andreia e os seus irmãos a estudarem "A minha mãe eu devo tudo, a minha história, a minha trajetória, que é um grande orgulho de ter sido gerada no ventre dela".
A educação sempre esteve presente em sua vida, quando criança queria ser médica, mas para ensinar, queria poder se formar em medicina e lecionar nas Universidades, por falta de condições financeiras a medicina precisou ser deixada de lado. Entre os 18 e 19 anos se mudou para a cidade de Peruíbe, procurando condições melhores de vida, cursou o tecnólogo de biodiagnóstico mas ainda não tinha dinheiro para poder fazer medicina e nem biomedicina. Mesmo assim ela não desistiu, prestou vestibular com bolsa e nas suas três opções colocou: biologia, história e letras. E passou para letras.
"Durante 6 meses eu chorei, porém embora eu gostasse de gramática, literatura, eu queria estar no laboatório, na minha cabeça isso me distanciava daquilo que eu mais queria que era a medicina e do meu sonho de ser psiquiatra". Na faculdade de letras Andreia conheceu a psicopedagogia, e se apaixonou no decorrer do curso. Com o fim da faculade e sua mudança para São Vicente, ela mergulhou fundo nessa área com uma pós em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, depois Psicanalize, Saúde Mental, Neuropsicologia e Análise Comportamental sempre atrelando o seu trabalho com educação com a área psicologica. "E cada vez mais tenho vivido isso, e fico muito feliz podendo de alguma forma auxiliar alguém, esclarecer e trazer conhecimento que possa ajudar as pessoas nessa área que precisa muito ser assistida de uma forma correta e empatica".
A cultura sempre esteve no caminho de Andreia escrevendo poemas, estando em peças de teatro, regendo corais. Em 2017, Andreia já acessaorava algumas escolas com relação a intervenção com estudantes com deficiência, "Eu cheguei numa escola que no 1º ano tinha uma aluna com síndrome de Streeter (A displasia de Streeter, também conhecida como síndrome das bandas de constrição congênita ou síndrome da banda amnió- tica, é uma anomalia rara que se manifesta como bandas anulares concêntricas nas extremidades superiores ou inferiores e, às vezes, no tronco), ela tinha muita dificuldade de coordenação motora, mas era uma criança extremamente feliz, ela parecia não ter noção das dificuldades que carregava".
Com essa visita Andreia percebeu que a literatura infantil tinha uma grande deficiência em não ter personagens assim, e dessa falta surgiu o seu primeiro livro infantojuvenil 'Contos e Recontos' que conta a história de cinco personagens com deficiências, este livro já foi lançado em outros países e esteve na Bienal do Livro. Após ele veio o seu 2º livro 'Bianca e as letrinhas' onde aborda a relação da criança com a dislexia e é um livro totalmemte voltado para o público infantil. E na época da pandemia foi lançado o seu 3º livro 'Marias e suas histórias' contos socias sobre mulheres.
"Eu tive um retorno muito emocionante deste livro, muitas mulheres se sentiram representadas, que se identificaram com as histórias. Todos os meus livros seguem essa premissa que pode sim se reescrever uma narrativa, e vencer. Ser forte é admitir as suas fraquesas".
O espaço Estímulo Educacional idealizado pela Andreia está completando nove anos e trata de saúde, educação procurando trazer comunicação entre as duas áreas.
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