DIA MUNDIAL DA OBESIDADE
A doença já afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e está diretamente ligada à fatores como genética, estilo de vida, estresse e hábitos alimentares
Da Redação BS9 - Isabella Monteiro
03/03/2023 — sexta-feira às 06h10
Obesidade é uma das doenças mais crescentes nos últimos anos - Foto: Frepeak
A principal causa da obesidade é um desequilíbrio entre a quantidade de energia consumida na alimentação e a quantidade de energia gasta pelo organismo para manutenção das funções vitais e atividades diárias. Isso significa que, quando a ingestão alimentar é maior que o gasto energético correspondente, o excesso de energia é armazenado na forma de gordura, levando ao ganho de peso e à obesidade
Pessoas obesas têm maior probabilidade de desenvolver doenças como pressão alta, diabetes, problemas nas articulações, dificuldades respiratórias, gota, pedras na vesícula e até algumas formas de câncer.
A obesidade é determinada pelo Índice de Massa Corporal (IMC) que é calculado dividindo-se o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros). O resultado revela se o peso está dentro da faixa ideal, abaixo ou acima do desejado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma: a obesidade é um dos mais graves problemas de saúde que o mundo deve enfrentar. Atualmente, segundo o órgão, já são mais de 1 bilhão de pessoas obesas.
Uma dieta rica em calorias, desbalanceada com excesso de carboidratos refinados como açucares presentes em doces e bolachas e farinha de trigo refinada e pobre em proteínas, e em micronutrientes é associada à obesidade. Alimentos altamente processados, ricos em açúcares e gorduras saturadas, como: fast food, refrigerantes, doces e salgadinhos, são comuns na dieta atual e podem ser prejudiciais à saúde se consumidos em excesso.
Esses alimentos geralmente têm baixo teor de fibras, vitaminas e minerais, são extremamente apetitosos e geram uma sensação de prazer fugaz no organismo, fazendo com que a pessoa coma mais e mais mesmo já estando saciada. Além disso, a falta de atividade física é um fator importante na obesidade. O sedentarismo é um problema crescente em todo o mundo, principalmente em países com estilo de vida mais urbanos e industrializados.
O novo estilo de vida que estamos acostumados a conviver é ficarmos sentados na frente do computador ou televisão, o que faz com que não tenhamos um gasto energético.
Obesidade Infantil
A obesidade infantil ganhou status de epidemia, em decorrência do aumento do número de crianças obesas em todo o mundo. Hoje ela é considerada um grave problema de saúde pública.
Segundo o IBGE, uma em cada três crianças entre cinco e nove anos sofre com obesidade. Como a criança está em fase de crescimento, a obesidade infantil pode ser um impacto negativo no desenvolvimento dos ossos, músculos e articulações, prejudicando a formação do esqueleto.
A nutricionista OconlOgica e Materno Infantil, Mariana Puga, comentou sobre a obesidade infantil e como os pais podem ajudar os seus filhos: "Não só a obesidade está em crescente, como as doenças provenientes dela, como diabetes, pressão alta e colesterol elevado. Em crianças cada vez mais jovens.
O que os pais podem fazer é simples, mudança de estilo de vida, procurar ofertar o saúdavel e o natural, e criar hábitos saudáveis desde a primeira infância. Assim a criança desenvolve autonomia alimentar pelo que é bom e paladar para o saudável. Não é um sacrifício uma criança comer verdura, se desde pequena aprendeu a comer. "
"O exemplo é muito importante também, a criança vai sempre repetir o que os pais fazem. Não adianta obrigar seu filho a comer legumes, se vc está consumindo pizza na frente dele. Mas o principal é manter o equilíbrio. A criança vai comer o que os pais escolherem e ofertarem, então depende deles escolher a qualidade" afirmou.
20% de todos os cânceres possuem relação direta com a obesidade
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados se os fatores de risco não fossem aplicados pelos pacientes no dia a dia.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), os números da doença tendem a crescer nos próximos anos. E esse fator vem ainda acompanhado de uma perspectiva ligada ao ganho de peso da população. Ao todo, cerca de 13 tipos de câncer já possuem alguma relação com a obesidade, sendo os mais comuns, os de fígado, mama, tireóide, ovário, rim, pâncreas e estômago.
E essa é uma realidade que tende a evoluir de forma negativa: até 2025 serão 29 mil novos casos de câncer causados pelo excesso de peso (4,6% do total) segundo o estudo epidemiológico, feito em colaboração com a Harvard University (Estados Unidos) e publicado em 2018.
"A obesidade é a segunda maior causa evitável da doença, perdendo apenas para o tabagismo. No entanto, devido a diminuição do número de fumantes, é esperado que nos próximos anos ela seja a condição prevenível mais comum. E além do câncer, vale lembrar que problemas como diabetes, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e doenças cardiovasculares podem ser evitadas a partir de medidas simples para controle do excesso de peso", comenta Daniel Gimenes, oncologista do Grupo Oncoclínicas.
Tratamento
O tratamento da obesidade é individualizado e só pode ser estabelecido por um médico. Ele pode envolver medicamentos, cirurgia e hábitos saudáveis, com uma melhoria na dieta e a prática de atividades físicas. Apesar dos benefícios da atividade física serem bastante conhecidos, antes de iniciar qualquer prática, o indivíduo deve consultar um médico para que este avalie qual a melhor atividade a ser praticada.
O mesmo vale para a alimentação. Dietas restritivas podem ser prejudiciais, portanto, é importante que um nutricionista seja consultado antes de iniciá-las. Além de o nutricionista indicar uma dieta que garantirá que o indivíduo receba todos os nutrientes necessários para o funcionamento do corpo, esse profissional é capaz de criar uma rotina de alimentação mais fácil de ser aderida pelo paciente.
Segundo a nutricionista, procurar uma profissionais especializados em emagrecimento e saúde é o fundamental, como a Nutricionista em primeiro lugar, e o médico Endócrinologista para auxiliar em doenças provenientes da obesidade.
"Vale lembrar que não é preciso estar com corpo estéticamente "perfeito" para os padrões do que é magro, para ser saudável. Mas existe uma linha bem tênue entre corpos reais e obesidade, e quando começamos a falar sobre saúde e qualidade de vida, é necessária a mudança" completou Mariana.
Deixe a sua opinião
ver todos