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Eleitos à Câmara Federal pela Baixada devem largar mandato para disputar prefeitura de suas cidades

Alberto Mourão, em Praia Grande, e Rosana Valle e Paulo Alexandre, em Santos. Em se confirmando as candidaturas para 2024, como fica o respeito aos mais de meio milhão de votos obtidos por eles?

Da Redação BS9

Da Redação BS9

10/10/2022 — segunda-feira às 08h31

Eleitos à Câmara Federal pela Baixada devem largar mandato para disputar prefeitura de suas cidades

Juntos, Rosana, Paulo e Mourão ultrapassaram a marca de meio milhão de votos, o que equivale a um terço do eleitorado total da Região - Arte: BS9 News

Nenhum dos três candidatos a deputado federal, com base eleitoral na Baixada Santista, eleitos no último dia 2, obtiveram votos suficientes para garantir suas eleições por desempenho próprio, ou seja, sem contar com o reforço da votação da chapa de candidatos de seus partidos. 

O quociente eleitoral (QE) para deputadas e deputados federais por São Paulo foi de 332.671 votos. O cálculo é feito pela divisão dos votos válidos no estado pelo número de cadeiras em disputa na Câmara dos Deputados, 70 no total, no caso de São Paulo. É o número mínimo de votos que os partidos ou federações precisaram alcançar para eleger, no mínimo, um candidato. 

Reeleita, a deputada federal Rosana Valle, do PL, registrou a expressiva marca de 216.437 votos, sendo a sexta mais votada de seu partido. O ex-prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, recebeu 170.378 votos e se tornou o mais votado do PSDB. Já Alberto Mourão, do MDB, ex-prefeito de Praia Grande, conquistou 114.234 votos e foi o quarto mais bem votado do seu partido.

Juntos, Rosana, Paulo e Mourão ultrapassaram a marca de meio milhão de votos, o que equivale a um terço do eleitorado total da Região. A pergunta que não quer calar, agora, é se esses serão ou não votos “jogados fora”, já que são grandes as chances de os três abandonarem seus mandatos para disputarem a prefeitura de suas cidades. E, caso consigam sucesso em suas pretensões, os suplentes que assumem não possuem qualquer vínculo com a Baixada Santista.

Segundo o jornalista Maurício Juvenal, analista de dados da Badra Comunicação, essa é mais uma das aberrações do sistema eleitoral brasileiro. “Nas eleições proporcionais, nem sempre o mais votado é eleito. Para piorar, os eleitos, bem votados ou não, muitas vezes abandonam o mandato no meio para disputar uma eleição ao Executivo. Em tendo sucesso, não sentem o menor remorso em jogar fora os votos confiados a eles”, argumenta.

Outra questão que necessita ser repensada, segundo Maurício, é o fato de políticos, no exercício de seus mandatos, disputarem uma outra eleição levando explícita vantagem sobre os outros concorrentes, o que desequilibra a disputa. “Em geral têm, no mínimo, maior visibilidade, além de contarem com mais apoio de seus partidos, inclusive em termos de recursos dos fundos partidário e eleitoral”, destaca.

Os campeões de voto – Dos 70 deputados e deputadas federais eleitos por São Paulo, apenas seis podem comemorar o fato de terem alcançado votação, individual, suficiente para assegurarem uma cadeira, sem dependerem do desempenho de seus partidos.

São eles: Guilherme Boulos, do PSOL, com 1.001.472 votos; Carla Zambelli, do PL, 946.224; Eduardo Bolsonaro, também do PL, com 741.791; Ricardo Salles, PL, 640.918; Delegado Bruno Lima, PP, 461.217; e Tábata Amaral, do PSB, com 387.873 votos. Aliás, a votação obtida pelo líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto garantiu não só a sua própria cadeira, mas, também, outras duas. Na prática, pelo menos dois outros deputados se elegeram no Federação PSOL/Rede graças a ele.

Análise e opinião – Mal termina uma, começa outra. Assim é o Brasil de eleições a cada dois anos. Pode parecer absurdo, mas já faltam menos de dois para as eleições de 2024, a da sucessão municipal. 

E, aí, o que se comenta hoje nos bastidores políticos da Região é que Alberto Mourão (MDB) só não será candidato à prefeitura de Praia Grande se a atual prefeita, Raquel Chini (PSDB), sua afilhada política, estiver bem avaliada (o que não acontece hoje) junto ao eleitorado local. Qualquer menor risco de derrota para Danilo Morgado, do Solidariedade – que quase levou a eleição em 2020 – forçará o ex-prefeito, de cinco mandatos, a buscar o seu sexto mandato como prefeito, e o décimo consecutivo na “estrutura” da Prefeitura de Praia Grande, desde que assumiu como vice-prefeito, em 1989. Gostem ou não dele, Alberto Mourão é um fenômeno político e eleitoral a ser estudado, quando o assunto é o município de Praia Grande. Conquistou a confiança da população local de tal modo, que a sensação que se tem é de que é imbatível no território. E está justamente aí a questão que lhe pode gerar frustração: não consegue ir além dele.

Mas a disputa que mais tem movimentado as bolsas de apostas para 2024 envolve a Prefeitura de Santos. Há quem jure de pés juntos que o atual prefeito, Rogério Santos, do PSDB, será candidato à reeleição, ainda que a deputada federal reeleita, Rosana Valle, do PL, se lance na disputa. Rogério até vem comandando bem a cidade, mas não há termos de comparação entre ele e seu criador, o ex-prefeito Paulo Alexandre Barbosa, campeão de aprovação popular e por muitos reconhecido como o melhor prefeito que Santos já teve. Uma disputa, hoje, entre Rosana e Rogério dá sinais de conta liquidada em favor da parlamentar. O mesmo não se pode afirmar em relação a Paulo Alexandre, que inclusive teve em Santos mais votos à Câmara Federal do que Rosana Valle.
O problema é que, em suma, nenhum deles vai admitir candidatura agora, ainda que candidatíssimos sejam.

 

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