DIA DO GOLEIRO
Lucas Rinaldi decidiu que queria isso para sua vida na Copa do Mundo de 2006
Por Lucas Campos - Redação BS9
26/04/2022 — terça-feira às 05h25
Ele sempre treinou incansavelmente em busca de seu objetivo - (fotos: arquivo pessoal)
Há quem diga que goleiro é a posição mais ingrata do futebol. Afinal, é o último homem do time e uma simples falha é fatal. Mas quando opera verdadeiros milagres com defesas quase impossíveis faz a alegria da torcida e é considerado um herói. Nesta terça-feira, dia 26, é comemorado o Dia do Goleiro em homenagem ao ex-jogador Hailton Corrêa de Arruda, o lendário Manga, que fez sua história no futebol com passagens pelo Sport, Botafogo, Internacional, Grêmio e pela Seleção Brasileira.
O santista Lucas Rinaldi Dolbano, de 25 anos, enxerga a profissão como algo que ou você ama ou odeia. Ele descobriu o esporte por meio de sua família, influenciado pelo avô, palmeirense roxo, e teve a ajuda de pessoas importantes na sua rotina de treinos, como Artur Martins, Acyr Neto e Priscilla Mayla. Mas foi treinando com Ângelo Berger, ex-treinador de goleiros do Santos e da Portuguesa Santista, hoje atuando nos Emirados Árabes, que foi chamado em 2018 para fazer uma seletiva e jogar nos Estados Unidos.
A rotina de treinos e jogos de Lucas é tão puxada quanto a de um atleta profissional"Na hora foi um choque. O Ângelo disse que estudar e jogar nos Estados Unidos era uma oportunidade de ouro. Fiquei inseguro por ter que ir para outro país. Queria jogar aqui. Mas a seletiva era de graça e resolvi fazer. Gostei da proposta, conversei com minha família e, mesmo com todas as dificuldades de idioma e estudos que eu teria pela frente, resolvi me jogar e aceitar o desafio. Eu treinava muito bem, estava preparado fisicamente, mas não estava preparado para a vida acadêmica nos Estados Unidos".
Hoje ele está no Salem Community College, em Nova Jersey. "Posso dizer que minha vida mudou. Quando cheguei eu não queria estar aqui, mas hoje não quero ir embora. Estou muito feliz. Vou me formar agora e tenho que me transferir para uma faculdade de quatro anos. Uma University aqui e continuar nessa caminhada. A gente sabe que aqui nos Estados Unidos tem muita oportunidade. Joguei em alguns times semi profissionais, não descarto jogar no futuro profissionalmente".
Início da carreira
Lucas começou a jogar como goleiro porque não dava certo em outra posição. E, desde então, não saiu mais debaixo das traves. A decisão de que queria aquilo para sua vida aconteceu na Copa do Mundo de 2006, disputada na Alemanha.
"Tenho família na Itália e fui pra lá naquele ano visitar meu parentes pela primeira vez. Coincidiu com a Copa que a Itália foi campeã. Eu vi toda aquela festa e o que me fez querer ser goleiro foi uma defesa que Buffon fez já na prorrogação da final. Eu falei 'quero ser que nem esse cara e fazer esse tipo de defesa'”.
Treinar incansavelmente foi fundamental para que Lucas começasse a evoluir sua habilidade com os pésA partir disso começou a treinar incansavelmente society, com o já falecido Rogério Di Gregorio, a quem "deve tudo", e depois disso não parou mais: jogou futsal e society em lugares como Meninos da Vila, pela escola Jean Piaget, no Tênis Clube, treinava com o pai todo sábado no Clube Internacional. E foi nas areias de Santos onde ele mais aprendeu e ganhou experiência jogando na barraca de praia Produção, no Canal 4. Lucas sempre jogou e treinou muito. Ele respira futebol.
Seus três ídolos na posição são Gianluigi Buffon, ex-goleiro da Seleção Italiana que é sua maior inspiração e em 2006 despertou sua vontade de ser goleiro, Fábio Costa, ex-goleiro santista que o motivava toda vez que ia na Vila Belmiro com seu pai por toda vontade e vibração e, claro, o Marcos, goleiro do Palmeiras, seu time do coração.
"O goleiro é o primeiro a chegar no campo e o último a sair. Treina, às vezes, mais que os outros. Ainda mais hoje, que o goleiro é como um outro defensor e precisa jogar com os pés. É um trabalho árduo, mas gratificante. Tenho o prazer de estar ali treinando e jogando. Enquanto eu puder defender a meta e tiver forças, vou estar ali. Não importa se profissionalmente ou como estudante atleta, ou até em uma brincadeira. Vou dar sempre o meu melhor, protegendo meu querido gol. Ser goleiro é uma paixão".
Deixe a sua opinião
ver todos