ADEMÁRIO NÃO RESOLVE GREVE DOS PROFESSORES
A categoria está há três anos sem aumento salarial e os professores querem um reajuste de 22,03%
Redação BS9
22/04/2022 — sexta-feira às 05h15
Paula Albuquerque, presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão (SindPMC), aguarda melhoria da proposta feita pelo prefeito de Cubatão - (fotos: reprodução)
Professores de Cubatão em greve, desde a última terça-feira, dia 19, não se acertam com Ademário e reivindicam reajuste salarial com melhores condições de trabalho.
Profissionais da categoria, com o apoio de alguns pais de alunos, realizaram, inclusive, uma manifestação em frente ao Paço Municipal com faixas e cartazes criticando o prefeito Ademário Oliveira (PSDB).
"Continuamos aguardando uma manifestação do governo e uma possível melhoria da proposta. Ainda teremos assembleia para definir quais são os próximos passos. Por hora, o que temos é novamente o silêncio por parte do governo", disse a presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão (SindPMC), Paula Albuquerque.
A categoria está há três anos sem aumento salarial e os professores querem um reajuste de 22,03%, referentes às perdas que acumularam durante o período. É mais que o dobro dos 10,06% oferecidos pelo prefeito.
Além disso, o sucateamento da unidades de ensino de Cubatão também incomodam os professores que dizem não ter uma estrutura mínima para trabalhar, já que foram quase dois anos de trabalho remoto por conta da pandemia e nenhuma reforma foi feita.
Professores e pais de alunos se reuniram com faixas e cartazes criticando Ademário Oliveira (foto: reprodução)Paula afirma ainda que o Sindicato está divulgando um texto desmentindo todas as afirmações feitas pela secretária de Gestão do município, Célia Rodrigues Ribeiro, tentou justificar os 10,06% oferecidos pelo Governo. "Com dados, números e fatos rebatemos um a um os argumentos na resposta da secretária ao nosso movimento", disse Paula. Confira na íntegra o comunicado enviado pelo Sindicato à nossa redação:
"Célia diz que houve QUEDA DA ARRECADAÇÃO. FALSO: De 2017 a 2021, a Receita Corrente Líquida cresceu 26,79%, os tributos estaduais 47,77% e os repasses federais 52,14%. Os dados são do próprio Governo. E a peça orçamentária para esse ano já prevê que a receita será 10,09% maior do que o ano passado.
A secretária alega que o REAJUSTE DE 10,06% ESTÁ ALINHADO AOS REAJUSTES APLICADOS NA BAIXADA SANTISTA.
FALSO: Servidores de Praia Grande, Guarujá e Bertioga receberam mais do que 10,06%. Em Praia Grande o percentual foi 9,32% referente a inflação de 2020/2021 + o percentual da inflação de 2021 a 2022, o que dá cerca de 20,28%. Em Guarujá, o reajuste foi 15,05% e em Bertioga, de 15,82%. Lembrando: os 22,33% que a categoria reivindica nada mais é do que a reposição da inflação que corroeu nosso poder de compra nesses 3 anos sem aumento.
Célia também disse que os professores da Educação Infantil I NÃO ESTÃO MUITO DISTANTES DO PISO. FALSO: Ao dizer que a distância entre o que ganham (já com os 10,06% aplicados) e o Piso Nacional é de "apenas" R$ 600,00, a secretária ofende a categoria. Para ela pode ser pouco, mas é um valor considerável para quem não tem cargo de confiança, função gratificada e nem fica atrás de uma mesa no ar condicionado. Vale dizer que o Piso é Lei Federal. Lei que em Cubatão não é cumprida desde 2019. Ou seja, ESTÃO DESDE 2019 SOFRENDO AS PERDAS INFLACIONÁRIAS DE 22% E HOJE RECEBEM QUASE R$ 900,00 ABAIXO DO VALOR ATUAL DO PISO, que já deveria estar sendo pago desde fevereiro 2022. Esse não alinhamento ao piso também ocorreu durante alguns meses entre 2017 e 2018.
Célia aponta que os GASTOS COM APOSENTADOS impactam muito a despesa com pessoal e inviabilizam um reajuste maior. FALSO: É muita covardia colocar nas costas das pessoas que dedicam uma vida inteira à Educação a decisão de empurrar para a categoria um índice que significa REBAIXAMENTO SALARIAL. Em 2017 a folha de pagamento fechou o ano em R$ 434 milhões. Até abril de 2021, com o último relatório quadrimestral apresentado pelo governo em abril (eles não apresentaram mais até hoje), os gastos com a folha estavam em R$ 314 milhões.
Foram 3 anos sem aumento e com ataques a direitos que reduziram ainda mais o poder de compra dos trabalhadores e aposentados da Prefeitura. Amargamos uma perda salarial de quase 23% e ainda perdemos o cartão Servidor, sofremos a diminuição do abono de férias de 100% para 50%, além do aumento do desconto do vale transporte de 1% para 6% e elevação de dois pontos percentuais na contribuição previdenciária. A economia durante o governo fez baixar a folha em 25,34%, em números brutos, sem contar a corrosão da inflação. E com essa proposta do Governo que não dá um centavo a mais no vale alimentação, os aposentados vão ser duplamente punidos, já que quem é da ativa recebe o VR.
CONCLUSÃO: Mais uma vez o Governo falta com a verdade. Não é à toa que a população chama o prefeito de "Adenóquio" e que as pesquisas colocam seu mandato como o PIOR da Baixada e Vale do Ribeira. Seguiremos denunciando as mazelas desta gestão e o desmonte na Educação. Parabéns aos professores e professoras que bravamente se colocaram em movimento. Fiquem atentos e atentas às novas convocações para assembleias e atos! Só a luta coletiva muda a vida!".
Com a palavra
Em nota, a Prefeitura de Cubatão informou que fez uma proposta aos professores possível de ser honrada, uma vez que todo reajuste tem impacto sobre a previdência.
De acordo com a Secretaria de Gestão, as categorias que estão na faixa salarial mais baixa contarão com reajuste de 12% a 15% e foi concedido reajuste das funções gratificadas e na VPNI (Vantagem Pessoal Nominal Identificada). A administração também avançou para reduzir em 10% a contrapartida do vale refeição.
A Secretaria de Educação do município, por sua vez, garante que não há superlotação de salas de aula e diz que há 214 profissionais de apoio na rede de ensino. Considerando que há normativa indicando que cada profissional de apoio pode atender até três alunos, a rede estaria defasada em "apenas" 14 profissionais que, segundo a pasta, já estão em fase de contratação.
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