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Professores municipais de Cubatão fazem greve de 24 horas e manifestação em frente à Prefeitura

Categoria reivindica reajuste salarial de 22% e melhores condições de trabalho

Redação BS9

Redação BS9

19/04/2022 — terça-feira às 12h24

Professores municipais de Cubatão fazem greve de 24 horas e manifestação em frente à Prefeitura

Os profissionais da categoria protestaram com faixas e cartazes criticando o prefeito Ademário Oliveira - Reprodução

Professores da rede municipal de ensino de Cubatão fizeram nesta terça-feira, dia 19, uma paralisação de 24 horas para reivindicar reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Com faixas e cartazes criticando o prefeito Ademário Oliveira (PSDB), profissionais da categoria realizaram uma manifestação em frente ao Paço Municipal, com o apoio de alguns pais de alunos.

Há três anos sem aumento salarial, os professores querem um reajuste salarial de 22,03%, referentes às perdas que acumularam durante o período. É mais que o dobro dos 10,06% oferecidos pelo prefeito. "Nossa data-base é 1º de maio e estamos tentando nessa reta final conseguir uma melhoria dessa proposta", disse a presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão (SindPMC), Paula Albuquerque.

Ainda sobre esse assunto, a dirigente diz que os vencimentos dos professores de Educação Infantil I está abaixo do Piso Nacional do Magistério. "O Piso Nacional é previsto em lei federal. Desde fevereiro deveria estar sendo feito um enquadramento e até agora nada".

Outra pauta levantada pela categoria diz respeito ao sucateamento da unidades de ensino de Cubatão. "A estrutura para trabalhar está impossível. Foram quase dois anos de trabalho remoto por conta da pandemia e nenhuma reforma foi feita. Continua chovendo dentro das escolas, tem escola que pegou fogo, escola fechada, superlotação de alunos, a mudança de bairros que as crianças têm de fazer..." disse a sindicalista.

Alunos com deficiência
Também participaram da manifestação mães de alunos com deficiência. A falta de estrutura da rede municipal de ensino para atender essas crianças foi outro tema abordado pelos professores. Segundo a sindicalista, cada aluno tem direito a um profissional de apoio, mas o município não consegue oferecer esse serviço de forma efetiva.

"Em vez de o profissional de apoio acompanhar um aluno com deficiência, está acompanhando cerca de cinco. E isso torna o trabalho inviável porque esses alunos estão sem o atendimento adequado. Às vezes é um professor de apoio para a escola inteira. Então, fica na segunda-feira com um, na terça com outro...".

Em busca de apoio da Câmara
Paula Albuquerque diz que o SindPMC tem estado em contato com os vereadores, que nesta terça participaram de sessão na Câmara Municipal. A categoria tenta convencê-los a comprar essa briga para que a Prefeitura melhore a proposta. "Partindo disso, vamos levar (a proposta) para a assembleia. E se não vier nenhuma proposta, vamos continuar com a mobilização e as manifestações".

Por fim, a sindicalista mandou uma mensagem à população. "Nenhum professor quer ficar sem dar aula, o que a gente quer é conseguir dar aula com dignidade e com qualidade. Quando a gente vai pra uma escola sucateada, quando a gente não recebe em dia, quando a gente não tem o mínimo de condições pra se estruturar, a gente não consegue dar uma aula de qualidade também. Então defender a valorização do professor, defender a qualidade das escolas públicas é defender o ensino que os filhos e as filhas da população de Cubatão tem nas escolas municipais".

Com a palavra
Em nota, a Prefeitura de Cubatão informou que fez uma proposta aos professores possível de ser honrada, uma vez que todo reajuste tem impacto sobre a previdência.

De acordo com a Secretaria de Gestão, as categorias que estão na faixa salarial mais baixa contarão com reajuste de 12% a 15% e foi concedido reajuste das funções gratificadas e na VPNI (Vantagem Pessoal Nominal Identificada). A administração também avançou para reduzir em 10% a contrapartida do vale refeição.

A Secretaria de Educação do município, por sua vez, garante que não há superlotação de salas de aula e diz que há 214 profissionais de apoio na rede de ensino. Considerando que há normativa indicando que cada profissional de apoio pode atender até três alunos, a rede estaria defasada em "apenas" 14 profissionais que, segundo a pasta, já estão em fase de contratação.

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