Terça, 14 de julho de 2026

DólarR$ 5,13

EuroR$ 5,85

Santos

16ºC

TRAGÉDIA

Morre diarista de São Vicente que teve 85% do corpo queimado enquanto cozinhava com etanol

Angélica Rodrigues passou dias aguardando vaga em hospital de referência; corpo foi sepultado neste domingo, em Praia Grande

Redação BS9

Redação BS9

10/04/2022 — domingo às 09h43

Morre diarista de São Vicente que teve 85% do corpo queimado enquanto cozinhava com etanol

Angélica, de 26 anos, postou a foto da perna enfaixada com um celular que havia pegado emprestado no hospital - Reprodução

Foi sepultada neste domingo, dia 10, em Praia Grande, a diarista Angélica Rodrigues, que teve 85% do corpo queimado enquanto tentava cozinhar com álcool de posto (etanol). Ela morreu após passar mais de uma semana internada no Hospital Municipal de São Vicente aguardando por uma transferência para um hospital de referência em tratamento de queimados na Capital.

A mulher de 26 anos morava sozinha em um barraco numa comunidade próxima ao Parque Bitaru. Em entrevista ao portal Uol, a mãe dela, Silvia Regina dos Santos, de 43 anos, disse que a filha havia perdido o emprego após a pandemia e vinha enfrentando problemas financeiros em virtude do aumento nos preços dos alimentos e do gás de cozinha. O jeito, então, foi passar a cozinhar com etanol. O galão foi comprado em um posto de gasolina.

Silvia ainda declarou que só soube do acidente de Angélica uma semana depois de ela ter sido internada no Hospital Municipal, o antigo Crei. Segundo ela, as duas ficaram por algum tempo sem se falar porque a filha precisou vender o celular para vender comida.

Além disso, a mãe disse que os funcionários da unidade de saúde não entraram em contato com a família. Ela só ficou sabendo porque Angélica fez uma postagem no Facebook com um celular que havia pegado emprestado enquanto esteve internada. Era dia 27 de março quando ela publicou uma foto da perna direita toda enfaixada.

À espera de uma transferência
Como o Hospital Municipal não tinha condições de atender pacientes queimados, Angélica precisou aguardar por uma transferência. A mãe afirma que, durante esse período, foi impedida de ver a paciente. Ela não sabe dizer se foi em virtude dos protocolos sanitários ou para não ver como a filha ficou após as queimaduras.

Com a ajuda de um político local, a diarista foi encaminhada mais de uma semana depois para o Hospital Geral Vila Penteado, na Capital. Mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu na última quarta-feira, dia 6. O corpo foi sepultado neste domingo, no Cemitério da Grande Planície, em Praia Grande.

Com a palavra
Ao portal Uol, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou que o caso de Angélica vinha sendo monitorado pela Cross (Central de Regulação de Oferta e Serviços da Saúde), que busca vagas em serviços de referência.

"O caso era gravíssimo e, mesmo sendo encaminhada para o Hospital Vila Penteado, uma das maiores referências para queimados do Estado, a paciente não resistiu aos ferimentos e faleceu", disse a pasta por meio de nota.

"Cabe destacar que a transferência de um paciente não depende exclusivamente de disponibilidade de vagas, mas também de quadro clínico estável que permita o deslocamento a outro serviço de saúde para sua própria segurança".

A Secretaria de Saúde de São Vicente também havia sido procurada, mas não retornou até a publicação da reportagem.

Deixe a sua opinião

Leia Mais

ver todos

Guarujá tem 42 ruas pavimentadas em um ano e meio

INFRAESTRUTURA

Guarujá tem 42 ruas pavimentadas em um ano e meio

Instituto KondZilla abre temporada pedagógica de 2026 com aulão gratuito sobre comunicação e impacto

EDUCAÇÃO

Instituto KondZilla abre temporada pedagógica de 2026 com aulão gratuito sobre comunicação e impacto

Jovens de todo o Brasil desembarcam na Baixada Santista para imersão socioambiental

MEIO-AMBIENTE

Jovens de todo o Brasil desembarcam na Baixada Santista para imersão socioambiental

2
Entre em nosso grupo