CULTURA
Tradicional grupo dessa manifestação folclórica promove uma série de eventos até este domingo
Redação BS9
31/03/2022 — quinta-feira às 05h00
O tradicional cortejo do Maracatu Quiloa acontece neste domingo, colorindo as ruas do Centro Histórico - Beth Romano/Divulgação
O tradicional grupo Maracatu Quiloa apresenta até este domingo, dia 3, sua Mostra de Arte e o cortejo pelas ruas de Santos. O evento, que chega à sua 17ª edição, traz o ritmo, a dança e o colorido dessa que é uma das mais populares manifestações do folclore brasileiro.
Fundado em 2003, em Santos, o Maracatu Quiloa dedica-se à difusão e propagação da cultura do baque virado e das tradições de matriz africana. Ao longo de quase duas décadas realiza projetos culturais, cursos e oficinas, com foco na percussão e dança, além de produzir o cortejo e a Mostra de Arte.
As apresentações buscam narrar a trajetória do maracatu santista e e sua relação com as nações (grupos tradicionais) de Pernambuco, considerado o berço dessa manifestação.
A edição deste ano propõe uma reflexão sobre cura, arte e cultura. Sobre como o Quiloa agrega e valoriza os encontros, por meio de seus espaços culturais e das performances e os eventos que promove. O estar perto, o abraço, a solidariedade, a importância da presença física, além das trocas de saberes e o valor da
oralidade.
Rainha do Maracatu Quiloa, Simone Santos ressalta a função social do grupo, que vai além da arte. “Ter sido coroada como a Rainha do Maracatu Quiloa de Santos me fez entender cada dia mais minha ancestralidade, respeitar as mulheres que vieram antes de mim e abriram os caminhos, para que hoje eu estivesse aqui tendo essa missão de compor, com essa família, o legado dessa história tão rica e cheia de simbologias”.
Felipe Romano, Mestre do Baque e curador da mostra, contou um pouco sobre esta edição. “Os artistas selecionados foram os que já estiverem conosco em outras edições, anterior à pandemia, momento que foi muito difícil para a cultura. Acho que o público pode esperar muita energia, e viver o momento de volta conosco vai ser muito legal”.
Ativistas e vítimas da Covid-19 homenageados
A mostra e o cortejo deste ano do Quiloa são dedicados a dois ativistas. Um deles é Guitinho da Xambá, vocalista e percussionista do grupo Bongar, de Olinda (PE), falecido no ano passado. A outra homenageada é Josefa Vieira de Melo, uma das principais lideranças da Vila Sapo, comunidade da Ponta da Praia, em Santos. Ela morreu em fevereiro deste ano. Além deles, todas as vítimas da Covid-19 também serão lembradas.
Programação
A Mostra de Arte teve início na quarta-feira, dia 30, na Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão. À noite, o Quiloa receberia os integrantes do grupo guarujaense Afro Ketu para um intercâmbio cultural em seu polo, no Centro (Rua General Câmara, 102 A, Centro).
Na quinta, dia 31, às 19 horas, o ativista social e membro da UNEafro Brasil Douglas Belchior apresenta seu livro 12 Anos de UNEafro Brasil, também no Polo Quiloa Centro.
A sexta-feira, dia 1º, tem muita música, com o grupo de samba de terreiro Firma o Ponto e o coletivo de DJs Zimba - A Festa. Ambos se apresentam no Galpão Cultural Herval (Rua Marquês de Herval, 33, Valongo), a partir das 19 horas.
No sábado, dia 2, a programação começa às 14 horas, com a vivência (debate) sobre o orixá Obaluaê, da culinária à dança. “Atotô: o senhor da cura está na Terra”, terá participações de duas fundadoras do Coletivo Identidades Negras: Cintia Tescare e Vanessa Rego. Esta última é também coordenadora de Dança do Quiloa. O evento acontece no Polo Quiloa Porto (Av. Mário Covas, 2414, Estuário).
Às 20 horas é a vez do coletivo Batucada Tamarindo subir ao palco do teatro do Sesc-Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida).
Fechando a mostra, no domingo, dia 3, o Cortejo Maracatu Quiloa percorre as ruas do Centro Histórico, saindo da Praça Mauá. Além disso, haverá apresentações dos DJs Silvio Luiz e Dani Castor, do grupo Afro Ketu e da banda Filpo e a Feira.
Para mais informações sobre os eventos da mostra, clique aqui.
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