POLÊMICA
Após rejeitarem proposta da Prefeitura, funcionários públicos pressionaram vereadores, que por sua vez, terão direito a mais um assessor parlamentar
Redação BS9
17/03/2022 — quinta-feira às 10h53
Servidores municipais conversam com o vereador Tiago Peretto em frente ao prédio da Câmara - Maykon Rodrigues dos Santos/Facebook
Os servidores públicos de São Vicente decidiram manter a greve nesta quinta-feira, dia 17, após terem rejeitado mais uma proposta de reajuste salarial da Prefeitura. Enquanto isso, a Câmara Municipal criou 15 cargos comissionados, sendo um para cada vereador, com um salário de cerca de R$ 16 mil.
Pela manhã, houve uma assembleia no Sindicato dos Servidores Públicos Muncipais de São Vicente (SindServ-SV) para discutir a proposta da Prefeitura, enviada na segunda-feira, dia 14, que previa um reajuste de 1,8%. A categoria reivindica 16%, referentes às perdas decorrentes da inflação nos últimos dois anos. A oferta, portanto, foi rejeitada por ampla maioria.
Na mesma assembleia, foi aprovada uma manifestação em frente à Câmara Municipal, onde seria realizada, a partir das 14 horas, a 7ª Sessão Ordinária. Um grupo de servidores foi ao local com carro de som, apitos, bandeiras, faixas e outros itens.
A sessão da Câmara chegou a ser interrompida pelo presidente Professor Thiago Alexandre para que os vereadores pudessem receber uma comissão de servidores. A categoria teme que o prefeito Kayo Amado envie a proposta de reajuste para a Câmara, mesmo com a rejeição decidida em assembleia no sindicato.
O Portal BS9 solicitou um posicionamento da Prefeitura sobre a proposta rejeitada. Assim que houver um retorno, a reportagem será atualizada.
15 cargos comissionados
Enquanto são pressionados pelos servidores municipais, os 15 vereadores de São Vicente terão direito a mais um assessor parlamentar, além dos dois que cada um já tem à disposição.
À época em que apresentou a propositura, a Mesa Diretora, formada pelos vereadores Professor Thiago Alexandre, Dr. Eduardo Oliveira e Rodrigo Digão, justificou que o objetivo era o de "adequar o contingente de assessores parlamentares dos nobres edis da Câmara Municipal de São Vicente".
Nas redes sociais houve muitos protestos. O professor Maykon Rodrigues dos Santos, que foi candidato a vice-prefeito na chapa de Kayo Amado na eleição municipal de 2016, lembrou de um protesto feito em 2017 justamente contra a criação de novos cargos. E nesse grupo de manifestantes estavam o próprio chefe do Executivo, assim como Professor Thiago.
"Agora, boa parte de quem lutou contra ajudou a criar os 15 cargos", postou Maykon, citando também o vereador Jefferson Cezarolli. Segundo ele, "cada vereador de São Vicente tem direito a três cargos de livre provimento no valor de R$ 15.928,38. Muito acima do que ganha o vereador mesmo".
Além dos três cargos de assessor a que todos os vereadores têm direito, a presidência tem direito a mais um chefe de gabinete.
Com a palavra
Em nota, a Câmara informou que os projetos em questão são de autoria da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Vicente. Eles foram pautados na sessão de 3 de fevereiro de 2022, tendo votos favoráveis de 14 vereadores (um parlamentar estava ausente).
A casa de leis vicentina também confirmou o valor do vencimento bruto apontado pelo professor Maykon.
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