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No dia 8 de março de 1986, mais de 6 mil pessoas lotaram o Caiçara Clube para ver o histórico show da banda Camisa de Vênus
Rick Santos
10/03/2022 — quinta-feira às 06h00
O líder do Camisa de Vênus, Marcelo Nova, ficou impressionado com a fidelidade dos santistas ao som da banda - Fotos divulgação
Naquele 8 de março de 1986, a comemoração do Dia Internacional da Mulher no Brasil ainda era muito tímida. Entretanto, para Santos, essa data é histórica!
Naquele ano de 1986, o rock brasileiro começava a experimentar a voltar a colocar as asinhas de fora em letras e atitudes que foram reprimidas durante o período de governos militares. E nesse momento, uma banda estava no auge: o Camisa de Vênus.
A banda estava numa gravadora que já teve um grande período de auge, mas que, naquele momento, tinha uma performance mediana quando enfrentava multinacionais, como a Warner, a CBS (hoje Sony) e a Polygram (hoje Universal). Mesmo assim, a banda conseguia colocar os hits do álbum Batalhões de Estranhos - “Eu não matei Joana Dark” e “Bete Morreu” - pra tocar em rádios pelo Brasil. Vale lembrar que nessa época só existia MTV nos Estados Unidos!
Apesar de tocar em rádios pelo Brasil, o local com mais execuções e mais público em shows era em Santos. O baiano líder e vocalista da banda, Marcelo Nova, ficou impressionado com a fidelidade dos santistas. As execuções no radio “subiram a serra” e chamaram a atenção da gravadora Warner e do seu presidente, o lendário André Midani, lá no Rio de Janeiro. Midani convocou seu diretor artístico Pena Schmidt para contratar a banda.
Pena, que recentemente deu uma entrevista ao podcast mais importante do mundo da música, o Corredor 5, de Clemente Magalhães, produtor musical e consultor de Marketing Digital, revelou detalhes dessa missão.
Mas a contratação tinha um pequeno problema: a banda ainda devia (por contrato) um disco para a RGE. Pena, então, propôs que se gravasse um disco ao vivo: o Viva para pagar essa dívida com a RGE e levar a banda para gravar pela Warner.
Com uma unidade móvel, a gravação foi fechada e a banda escolheu Santos e seu publico mais fiel no local dos principais shows: o Caiçara Clube, de frente pra praia do José Menino e com o salão que cabia 5 mil pessoas, mas tremia com o balanço de mais de 6 mil pessoas num show do Camisa. Essa gravação com ruídos, publico e o lendário “Bota pra f...” marca o dia em que Santos se transformou na capital do rock & roll brasileiro.
O álbum Viva, o último do Camisa de Vênus pela gravadora RGE, foi gravado ao vivo no Caiçara Clube, que recebeu mais de 6 mil pessoas - DivulgaçãoNão podia deixar de terminar contando que esse lendário show e álbum que completa 36 anos também é uma das mais famosas “mentiras” contadas por santistas acima de 50 anos hoje. No salão do Caiçara abarrotado cabia, no máximo, 6 mil pessoas. Se você perguntar para alguém de Santos acima dos 50 sobre esse show, ouvirá (risos) de mais de 50 mil pessoas que elas estavam nesse show!!!
Quem viveu... viveu!!
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