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HISTÓRIA INSPIRADORA

Moradora do Marapé supera adversidades e realiza o sonho de ver as filhas tendo sucesso na vida

A vida de Maisa pode ser classificada em uma palavra: superação

Por Matheus Rodrigues - Redação BS9

Por Matheus Rodrigues - Redação BS9

07/03/2022 — segunda-feira às 07h00

Moradora do Marapé supera adversidades e realiza o sonho de ver as filhas tendo sucesso na vida

whatsapp image 2022 03 04 at 125215 1 - (foto: Arquivo Pessoal)

Na semana do Dia Internacional das Mulheres, o Portal BS9 foi atrás da história de vida de Maisa, que pode ser classificada em uma palavra: superação. Significa a ação de ultrapassar uma situação desagradável, de vencer, de conseguir a vitória. 

Filha de João e Dona Tereza, nordestinos, a personagem principal dessa história passou por dificuldades na infância e vida adulta, sendo sustentada ao lado de mais dez irmãos e irmãs por um carrinho de pipoca até ser largada pelo ex-marido e precisar cuidar das suas quatro filhas sozinha.

Mas, como foi dito acima, a princípio é preciso vivenciar um drama, para que a Thereza, Thania, Thaís e a Thamyris terminassem como o final feliz desta história.

Nascida em Santos, Maisa morou no Marapé e era sustentada pelo trabalho de seu pai, um carrinho de pipoca que ficava na frente do Santuário São Judas Tadeu, enquanto isso, sua mãe a educava ao lado dos seus irmãos. Para ajudar em casa, começou a trabalhar cedo e cuidava de outras crianças aos 10 anos e em pouco tempo já estava dentro de um escritório de advocacia.

Em novembro de 1983, se casou com um policial militar, aos 21 anos e um ano depois teve a sua primeira filha, Thereza. O segundo bebê chegou ao mundo em 1987 e ganhou o nome de Thania. No entanto, em meados de 1990, o jeito "mulherengo" do ex-marido causou a primeira separação do casal, que durou pouco tempo, visto que no ano seguinte o romance foi reatado e a terceira filha, Thaís, foi gerada.

Mãe de crianças pequenas, Maisa ficou impossibilitada de trabalhar, mas tinha um emprego temporário em buffet, quando em 1994 nasceu a caçula da família, Thamyris. Em 1996, seu ex-marido abandonou ela e suas filhas por uma mulher que conheceu na rua, entrando em contato apenas para pagar a pensão.

Em meio as dificuldades de cuidar e criar sozinha das quatro filhas, Maisa teve a ajuda de um "anjo da guarda", como ela mesmo define, o Tio Coutinho: "Este senhor, que hoje é falecido, sempre foi pai, tio, avô, padrinho e anjo da guarda pras minhas filhas. Nos alimentou muito e nunca pediu nada em troca, sem nenhum interesse e sim por amor".

Selfie entre Thamyris, Tio Coutinho e Maisa (foto: Arquivo Pessoal)

Com o decorrer do tempo, Maisa se manteve e começou a construir sua casa própria realizando faxina e seguia fazendo bico em eventos e festas. Já adolescente, a filha mais velha, Thereza, conseguiu seu primeiro emprego no Centro de Aprendizagem e Mobilização Profissional e Social (Camps) e ajudou com o sonho da mãe: "Quando terminou o período, com o dinheiro da rescisão comprou os pisos da casa". Hoje em dia, a primogenita tem uma empresa para animação de festas no Paraná, estado onde vive. Auxílio das filhas nunca faltou, afinal, "aos poucos elas foram trabalhando e sempre ajudando em casa".

Thania iniciou a faculdade de engenharia, mas preferiu e decidiu ser tripulante de navio e navegar os mares, onde trabalhou para uma companhia americana de 2015 até 2020, no início da pandemia. "Me ajudou muito em casa, reformou a casa toda. Construiu mais um cômodo, telhou a casa e trocou o piso". Ela conheceu e foi morar com o Atish, um homem nascido nas Ilhas Maurício, com quem se casou e teve uma filha. Devido as dificuldades causadas pela Covid-19, Thania acabou voltando para o Brasil e o marido retornou aos navios sem conseguir conhecer seu bebê: "Fim do ano, se Deus assim permitir, ele vem para cá conhecer a filha", disse Maisa.

A terceira filha, Thais, sempre foi dedicada à leitura, quando entrou na faculdade de logística e conseguiu seu primeiro emprego como Menor Aprendiz no Centro de Integração Empresa-Escola (CEE). Ela pagou seus estudos sozinha e tinha o sonho de fazer intercâmbio, entretanto, como sua mãe não tinha condições de bancar a viagem, achou uma solução e foi para a Alemanha como babá (au per). 

Chegou na Europa com o visto de um ano, mas com o serviço social e os estudos, conseguiu renovar por mais um ano e meio. Tempo suficiente para realizar o ausbidum, um curso preparatório, onde passou com as melhores notas e conseguiu escolher a empresa que queria trabalhar (cinco instituições a aprovaram após entrevistas de emprego e a convidaram). Atualmente é casada com um homem alemão chamado Robin e já teve a chance, junto com a Thania, de levar sua mãe para a  Alemanha em quatro oportunidades.

Robin, Thais, Thamyris e Maisa em uma das viagens para a Alemanha (foto: Arquivo Pessoal)

A caçula, Thamyris trabalhou para pagar sua própria faculdade de psicologia, onde se formou no ano passado e aguarda o registro para conseguir emprego na área que escolheu. Atualmente, para conseguir manter contato com todas as filhas, Maisa agradece a tecnologia: "Bendita internet".

Olhar para trás e relembrar os caminhos percorridos, os obstáculos ultrapassados e ver o sucesso de suas filhas não tem preço: "Hoje eu só tenho a agradecer a Deus, pois, apesar de tudo, minhas filhas nunca foram para os lados errados. Mesmo com todas as dificuldades, são grandes mulheres. Minhas filhas são meus alicerces".

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