CARNAVAL SEM DATA
Mesmo assim, ele ainda tem a expectativa de que possa vir a acontecer com o aval das autoridades de saúde
Por Lucas Campos - Redação BS9
01/03/2022 — terça-feira às 03h06
Fábio Przygoda destaca a dificuldade de montar o Sambódromo e a falta de estrutura financeira para sustentar uma equipe de carnaval por tempo indeterminado - (foto: divulgação)
Por conta do aumento de casos de Covid-19 na Baixada Santista na ocasião, a prefeitura de Santos decidiu, no dia 10 de janeiro, suspender os desfiles das escolas de samba e a realização dos blocos de rua. Apenas os bailes e festas privados foram liberados, desde que seguissem os protocolos estabelecidos. E é isto que tem acontecido. Mas, ainda há a expectativa de que o Carnaval 2022 possa acontecer de forma completa, mesmo que fora de hora.
Fábio Przygoda, 47 anos, microempresário do setor de confecção, presidente do GRCTES Sangue Jovem e da Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos (Licess) desde abril de 2021, lamenta o fato de não poder colocar os desfiles na Avenida.
“É muito triste para todos nós. Especialmente porque sabemos que vários eventos particulares estão acontecendo por toda a região, muitos com público acima do que teríamos na Passarela Dráuzio da Cruz. São situações que não serão esquecidas quando consolidarmos a retomada definitiva do desfile”.
O presidente explica que foi combinado entre Liga e a Organização do Carnaval que, tão logo os números da pandemia estejam mais baixos, voltarão a conversar. Porém, neste momento, ainda não retomaram esta negociação.
“Ao contrário do que acontece com o desfile do Rio de Janeiro que já está marcado para o dia 21 de abril, ainda não temos a possibilidade de dar uma data para que eles aconteçam. Nessas capitais os desfiles têm uma estrutura de Sambódromo fixa, o que não acontece aqui, onde a montagem é feita anualmente e essa infraestrutura precisa de mais tempo para ser organizada e licitada”.
Fábio Przygoda lamenta a não realização dos desfiles e busca uma solução para que eles ainda aconteçamAlém da dificuldade de montar o Sambódromo em Santos de um dia para o outro, ele conta que as escolas de samba não têm estrutura financeira para sustentar uma equipe de carnaval por tempo indeterminado, pois o custo é muito alto.
“Assumimos a Liga com a proposta de profissionalizar os desfiles em busca dessa autonomia no futuro, mas é um processo que levará tempo e demandará muito trabalho de bastidores”.
Fábio reitera que as escolas de samba possuem um importante papel cultural, social e econômico. Ele diz que, a depender da Licess, as escolas não serão injustamente responsabilizadas pela falta de consciência de outros setores e segmentos da sociedade.
“A mensagem é que somos e sempre seremos resistência. A nossa cultura é muito discriminada, mas continuaremos lutando para a realização de um grande Carnaval, assim que tivermos o aval das autoridades de saúde”.
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