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Investimento recorde leva água potável a 1,8 milhão de paulistas em 2025

Ampliação do saneamento em SP fez também com que 2 milhões de pessoas deixassem de conviver com esgoto a céu aberto no ano passado

Da Redação

05/02/2026 - quinta às 10h00

Jeferson Cândido Pinheiro mora em uma das regiões mais populosas e com maior vulnerabilidade social da capital paulista, a Cidade Tiradentes. Do total de pouco mais de 52 mil famílias, cerca de 8 mil vivem em situação de alta ou muito alta vulnerabilidade. O distrito também abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina, com aproximadamente 40 mil unidades, formando uma verdadeira cidade dentro da cidade. O líder comunitário de 43 anos, no entanto, cresceu fora desses conjuntos. Ele nasceu e viveu em uma ocupação irregular conhecida como Comunidade Vaquejada, onde não havia acesso à água, esgoto ou outros serviços essenciais.
 

Essa realidade começou a mudar há cerca de quatro meses, quando a Sabesp implantou redes e ligações de água e esgoto para todas as mais de 2 mil famílias da comunidade. A iniciativa foi viabilizada após a desestatização da Companhia, que eliminou a restrição contratual para atuação em áreas informais.

"O bairro anda feliz, com a rua seca, sem esgoto correndo", relata Jeferson, que também comemora a mudança em sua rotina. "Ficamos 28 anos sem água. Era uma luta diária. Usávamos mangueira, muitas vezes a água não chegava, a mangueira estourava, e precisávamos buscar água de balde em bica ou poço. Era quase uma hora de caminhada. Hoje posso tomar meu banho e trabalhar livremente no meu comércio. A dificuldade acabou", afirma.
 

Assim como a família de Jeferson, milhões de famílias paulistas passaram a contar com serviços de saneamento básico desde a desestatização da Sabesp, em julho de 2024. Em 2025, a Companhia realizou investimento recorde de R$ 15,2 bilhões, frente aos R$ 6,9 bilhões do ano anterior, ampliando o acesso aos serviços, promovendo ganhos em saúde pública e contribuindo para a melhoria da qualidade de rios, córregos e praias.
 

Estudos do Instituto Trata Brasil mostram que a ampliação do acesso ao saneamento básico está diretamente associada à melhora dos indicadores de saúde e educação, ao reduzir a incidência de doenças, diminuir internações hospitalares e contribuir para o melhor desempenho escolar de crianças e adolescentes. As análises mais recentes indicam que esses efeitos são cumulativos ao longo do tempo, especialmente na queda das internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado, já que a chegada do abastecimento de água e da coleta e tratamento de esgoto a populações antes desassistidas pode reduzir em até 69,1% a taxa de internações por esse tipo de doença após 36 meses da intervenção, evidenciando o impacto direto e duradouro do saneamento na melhoria das condições de saúde.
 

Em pouco mais de um ano após a privatização, a Sabesp reduziu em cerca de 22% o volume de esgoto que era lançado sem tratamento adequado na Região Metropolitana de São Paulo. No fim de 2023, esse passivo equivalia a aproximadamente 63 bilhões de litros por mês, ou 25 mil piscinas olímpicas. A queda representa 5.500 piscinas olímpicas a menos por mês chegando ao meio ambiente sem tratamento, resultado da aceleração de obras de coleta e tratamento, com impacto direto na proteção de mananciais estratégicos como Tietê, Guarapiranga e Billings.

Metas superadas

Esse esforço se reflete no cumprimento antecipado das metas de universalização do saneamento nas 371 cidades atendidas pela Companhia:


Acesso à água: 664.161 novos imóveis atendidos, o equivalente a 152% da meta prevista para 2024–2025, beneficiando cerca de 1,8 milhão de pessoas.


Acesso à coleta de esgoto: 781.464 imóveis atendidos, correspondendo a 133% da meta, com mais de 2,1 milhões de pessoas beneficiadas.


Tratamento de esgoto: 1.372.105 imóveis passaram a contar com esgoto tratado, atingindo 134% da meta, o que representa 3,7 milhões de pessoas.


Geração de empregos diretos e indiretos: cerca de 40 mil postos de trabalho.


"Os resultados reforçam o comprometimento da Sabesp com a universalização do saneamento básico até 2029, garantindo que toda a população da área de concessão tenha acesso aos serviços de água e esgoto", afirmou o diretor-presidente da Companhia, Carlos Piani. "A universalização não é apenas um plano. Ela já está acontecendo e transformando a vida das pessoas."


O ritmo das obras é um dos principais indicadores dessa nova fase. Atualmente, a Companhia conecta, em média, 2.400 domicílios por dia. Para efeito de comparação, o Programa Novo Rio Pinheiros, um dos maiores projetos de saneamento da história de São Paulo, levou três anos e meio para conectar 650 mil domicílios.

Atualmente, são mais de 1.100 frentes de obras em andamento. Somente em 2025, foram entregues 16 estações de tratamento de esgoto e quase 800 quilômetros de grandes tubulações de esgoto, como redes, coletores-tronco e interceptores — extensão equivalente a uma fila de 40 mil carretas.

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