SÃO VICENTE
Iniciativa reúne os nove municípios da região para discutir ações de fortalecimento da rede de proteção e enfrentamento à violência contra a mulher
Da Redação
25/09/2026 — sexta-feira às 08h57
São Vicente
São Vicente sediou, nesta quarta-feira (23), no auditório da Faculdade Unibr, o 6º encontro da Frente Mulher Baixada Santista, iniciativa que reúne os nove municípios da região com o objetivo de fortalecer as políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher e ampliar a integração da rede de proteção.
A mesa de debates reuniu representantes de diferentes áreas de proteção às mulheres, entre elas Bruna Maria, supervisora de Políticas Públicas para a Mulher de São Vicente; Naiara Silva, delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM); Ana Amélia, secretária da Mulher em exercício de Santos; Gabriela Furtado, advogada da OAB por Elas; e Anéliese Ribeiro, capitã do 39º Batalhão da Polícia Militar. A Guarda Civil Municipal (GCM) de São Vicente também esteve representada no encontro.
Também estiveram presentes representantes da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Vicente e das pastas responsáveis pelas políticas para as mulheres dos nove municípios da Baixada Santista.
Durante o encontro, foram apresentadas as formas de atendimento adotadas por cada município, bem como os serviços disponíveis para mulheres em situação de violência. A proposta é promover a troca de experiências entre as cidades e identificar ações que possam ser integradas ou ampliadas regionalmente.
"A Frente Mulher Baixada Santista é integrada e composta pelos nove municípios da Baixada. Aqui, discutimos os serviços que cada cidade oferece como rede de apoio e acolhimento para a mulher vítima de violência, os trabalhos de prevenção, as estatísticas e o que tem funcionado em cada município. É uma troca de ideias, em que também participam ONGs, associações e outras instituições da sociedade civil que desenvolvem trabalhos importantes nessa área", explicou a supervisora de Políticas Públicas para a Mulher de São Vicente, Bruna Maria.
Segundo ela, a integração entre os municípios permite que as mulheres sejam encaminhadas aos serviços adequados de acordo com o local onde residem, sem deixar de receber o atendimento emergencial necessário.
"Se chegar aqui uma mulher que mora em Santos, por exemplo, São Vicente oferece o primeiro suporte e, posteriormente, consegue fazer o contato e direcioná-la para o atendimento em Santos. O mesmo acontece com os demais municípios. Esse trabalho integrado permite que nenhuma mulher deixe de ser acolhida quando precisar", destacou Bruna.
A supervisora também ressaltou a participação da sociedade civil nas discussões. "Inicialmente, a Frente era mais voltada às secretarias, supervisões e coordenações da Mulher de cada cidade. Hoje, a sociedade civil também tem participado, principalmente por meio de ONGs e associações que desenvolvem trabalhos com mulheres, inclusive em áreas como empreendedorismo e capacitação. As experiências que apresentam podem ser incorporadas por outros municípios, fortalecendo os serviços oferecidos à população", completou.
Durante o encontro, a capitã do 39° Batalhão da Polícia Militar em São Vicente, Anéliese Ribeiro, apresentou programas e serviços desenvolvidos pela corporação para o atendimento e a proteção de mulheres vítimas de violência.
Entre as iniciativas destacadas estão o aplicativo SP Mulher Segura, o SOS Mulher, as Cabines Lilás e o programa Mulher Segura, que conta com patrulhas especializadas para atendimento, acompanhamento e realização de visitas solidárias.
"É a primeira vez que participo deste encontro e considero muito importante estar presente. A Polícia Militar já desenvolve, há bastante tempo, programas voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher, buscando minimizar esse problema e oferecer um atendimento cada vez mais humanizado", afirmou Anéliese.
A capitã também destacou a importância do acolhimento desde o primeiro contato da vítima com os serviços de segurança pública. "A Polícia Militar muitas vezes é o primeiro contato da mulher após ela sofrer uma violência, seja psicológica, física ou moral. Por isso, esse atendimento precisa ser humanizado desde o início, desde o contato pelo telefone até a chegada da equipe ao local da ocorrência", explicou.
Outro tema abordado foi a implantação do Registro Integrado de Eventos de Segurança Pública (Riesp), voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica ou que tenham sofrido descumprimento de medidas protetivas.
De acordo com a capitã, Santos foi cidade-piloto da iniciativa, e São Vicente é o próximo município da região a receber a implantação do sistema. "O Riesp busca preparar o policial militar para realizar o acolhimento adequado da mulher no momento da ocorrência, fortalecendo a integração entre os órgãos e garantindo um atendimento mais qualificado".
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