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REVOLTANTE

Narradores fazem falas discriminatórias contra atleta durante jogo de futebol de areia

Narrador Felipe Dutra e comentarista Fabio Junior flagrados em atitude ofensiva demonstram que não estão preparados para viver em sociedade e aceitar as diferenças

Leo Barbieri

08/05/2026 - sexta às 00h01

Durante uma partida dos Jogos Universitários Brasileiros de Praia (JUBs Praia), uma atleta da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) foi alvo de comentários preconceituosos feitos justamente por quem deveria apenas narrar o evento ao público.

 

Carina Rocha, estudante de Educação Física e jogadora da equipe catarinense de futebol de areia, teve a aparência e o gênero questionados durante a transmissão oficial da competição no YouTube, realizada na última terça-feira, dia 5, no confronto contra a Uninassau, de Recife, Pernambuco.

 

Em determinado momento da transmissão, é possível ouvir um dos homens envolvidos dizendo: “Pode menino ali? Ó o 10 ali”, em referência à atleta. Em seguida, o outro responde, entre risos: “Ah, mas… pelada é mulher.”

 

A transmissão era conduzida pelo narrador Felipe Dutra e pelo comentarista Fabio Junior.

 

O episódio rapidamente gerou indignação nas redes sociais. A própria atleta publicou o trecho da transmissão em seus stories, no Instagram, e desabafou sobre o ambiente enfrentado durante a competição. “Dois dias de jogos. Dois dias ouvindo merda na transmissão de uma competição de nível nacional. Lamentável”, escreveu.

 

A repercussão levou a UDESC a divulgar uma nota oficial de repúdio. No comunicado, a universidade criticou condutas que ferem “a dignidade humana” no esporte universitário e cobrou rigor na apuração do caso.

 

“Reiteramos a necessidade de apuração rigorosa, com identificação e responsabilização dos envolvidos. A alegação de impossibilidade de identificação não é suficiente diante da gravidade do caso. É essencial garantir transparência e efetividade nas medidas, afastando qualquer percepção de impunidade”, afirmou a instituição.

 

Em entrevista ao Portal BS9, Carina relatou que recebeu a situação com revolta e tristeza. “Obviamente senti muita repugnância, tristeza e fiquei bem chateada. Mas meu principal sentimento mesmo é raiva”, declarou.

 

Segundo a atleta, mesmo após a denúncia formal, os profissionais envolvidos continuaram trabalhando normalmente nas transmissões seguintes da competição. “A CBDU preza pelo apoio ao feminino, mas mesmo após terem recebido o vídeo e a denúncia, os mesmos narradores estavam lá no terceiro dia para narrar o jogo. Nós nos negamos a entrar em quadra se eles estivessem lá, e a solução que acharam foi mudar a gente de quadra, e não retirar eles”, afirmou.

 

Carina disse ainda que formalizou uma denúncia junto à comissão organizadora, mas recebeu posteriormente a informação de que o caso havia sido arquivado.

 

Apesar da repercussão nacional e dos ataques preconceituosos que passaram a surgir nas redes sociais, a atleta afirma que vem encontrando apoio dentro e fora da universidade. “Estou tendo bastante apoio da UDESC, das minhas companheiras de equipe, família e amigos. Então, de um modo geral, estou lidando bem. A ficha ainda vai caindo aos poucos. Tomou uma proporção que eu não imaginava. Estou tendo que ler comentários totalmente preconceituosos e desrespeitosos, mas procuro não ficar lendo para não me chatear mais”, concluiu.
 

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