TECNOLOGIA
Plataforma criada em Santos reúne competições virtuais, conteúdo, marketplace, crowdfunding e novas possibilidades de monetização para surfistas e profissionais do setor
Da Redação
14/10/2026 — quarta-feira às 13h53
cassio helber
Uma plataforma criada em Santos quer abrir uma nova frente de oportunidades para o mercado do surfe. A Surfnstein nasce com a proposta de utilizar a tecnologia para aproximar surfistas, profissionais, marcas e comunidade, criando novas formas de participação, relacionamento e, principalmente, geração de receita dentro do esporte.
Um projeto pioneiro criado na cidade onde o surf nasceu, que tem tudo para se tornar referência e ganhar muitos adeptos. Que surge da necessidade que o mercado apresenta.
A ideia vai além de uma plataforma de competições. Os campeonatos virtuais são o principal produto neste primeiro momento, mas fazem parte de um ecossistema que também reúne perfis de atletas e profissionais, conteúdo, lojas oficiais de marcas, marketplace para compra e venda de produtos e crowdfunding para projetos ligados ao surfe.
"A Surfnstein é uma nova camada econômica do surfe. É uma empresa tecnológica focada em surfe. A gente busca desenvolver soluções tecnológicas para a monetização dos profissionais em torno do surfista e dos profissionais em torno do surf", explica Cássio Sanchez, ex-surfista profissional, juiz de surfe e um dos criadores da plataforma.
A proposta parte de uma constatação de Cássio a partir de mais de três décadas de vivência no esporte: embora o Brasil esteja entre as principais potências técnicas do surfe e o público tenha crescido, as oportunidades de competição e de monetização ainda são limitadas para grande parte dos atletas.
Competir sem precisar viajar
O principal produto da Surfnstein neste lançamento são os campeonatos digitais, que permitem ao surfista competir utilizando ondas que já surfou e registrou em vídeo.
A proposta reduz a necessidade de deslocamento e os custos envolvidos em uma competição convencional. Um atleta que mora em uma determinada região poderá enfrentar competidores de outros estados ou até de outros países sem que nenhum deles precise viajar para o local do outro.
"Dependendo de quem mora no extremo Norte e vem competir no Sudeste, ou vice-versa, são no mínimo R$ 5 mil ou R$ 6 mil que o surfista tem que investir para ir até lá competir", explica Cássio.
A experiência pessoal também influenciou a criação do projeto. Ex-surfista profissional, ele conta que encerrou as competições aos 20 anos depois de vivenciar situações em que todo o treinamento e preparação de um atleta dependiam, no fim, das condições encontradas no local do campeonato.
"No surfe, você pode preparar toda uma estrutura e não ter a onda esperada para o campeonato. A Surfnstein também surge para criar uma alternativa, aproveitando a tecnologia para conectar surfistas do mundo inteiro", afirma.
Como funciona o campeonato
O atleta interessado se inscreve no desafio e envia vídeos de ondas que já surfou. Cada competição terá um regulamento específico, determinando quais tipos de ondas poderão ser utilizadas.
No primeiro campeonato, por exemplo, serão aceitas apenas ondas de beach break, com fundo de areia. Point breaks e ondas de piscina não serão válidos.
A primeira competição terá limite de 100 participantes e será disputada em quatro fases, até a final. Cada atleta deverá enviar oito ondas no momento da inscrição.
Depois do encerramento das inscrições, o sistema fará o chaveamento e informará cada participante sobre sua bateria, os adversários e o horário da disputa.
A partir daí começa uma das características que diferenciam o formato. O surfista não precisa definir antecipadamente quais ondas utilizará em todas as fases. Ao conhecer os adversários de sua bateria, ele escolherá duas das oito ondas cadastradas para aquela disputa.
Se avançar, receberá uma nova notificação com os adversários da próxima fase e poderá escolher outras duas ondas entre as que ainda não utilizou. O processo continua até a decisão.
"Não é simplesmente subir as ondas e esperar o resultado. São quatro fases. O surfista recebe as informações da bateria, conhece os adversários e escolhe as ondas que vai utilizar em cada fase", explica Cássio.
Os campeonatos também terão premiação em dinheiro, com a proposta de criar uma oportunidade de remuneração tanto para profissionais quanto para amadores.
Mais do que competição
Embora os campeonatos sejam o principal produto da plataforma neste início, a Surfnstein foi concebida para atuar em diferentes áreas do ecossistema do surfe.
Entre as ferramentas previstas estão perfis de atletas e profissionais, com biografias, fotos e vídeos; marketplace, chamado pelos criadores de "Feira do Rolo", para compra e venda de produtos entre pessoas físicas; lojas oficiais de marcas; produção e distribuição de conteúdo; e crowdfunding, permitindo a arrecadação de recursos para projetos.
A intenção é criar novas possibilidades de monetização em um mercado no qual, segundo Cássio, o patrocínio ainda representa a principal fonte de receita para muitos atletas.
"Até hoje, a única fonte de monetização que o surfe conhece é através de patrocínio, de uma verba direta da empresa ou de uma lei de incentivo, que mesmo assim precisa de uma empresa para fazer esse aporte. Estamos criando uma comunidade e um ecossistema que se autossustenta", afirma.
Tecnologia e conhecimento do mercado
A Surfnstein é resultado da parceria entre Cássio e Helber Campregher, profissional de tecnologia e empreendedor que passou a participar do projeto depois de inicialmente atuar como consultor.
Helber conta que a construção da plataforma envolveu menos a criação de uma tecnologia inédita e mais a definição de como as ferramentas existentes poderiam ser utilizadas para resolver problemas específicos do mercado do surfe.
"O nosso trabalho foi muito mais entender como resolver o problema do negócio: como seria a mecânica, a economia e como os surfistas fariam cada coisa. Isso consumiu muito mais tempo do que sentar para codificar", explica.
Para ele, a expectativa está relacionada principalmente à resposta da comunidade do surfe.
"Estou bastante confiante. O feedback que temos recebido da comunidade do surfe é muito bom. Fizemos validações com pessoas que conhecem o esporte e o mercado, e isso nos dá uma expectativa grande", afirma Helber.
Dez campeonatos no primeiro ano
A programação inicial prevê dez campeonatos. O primeiro será o Open Masculino, aberto a participantes do Brasil e de outros países, em parceria com a Federação Paulista de Surf. Na sequência, está previsto um campeonato feminino.
A estrutura também foi desenvolvida com perspectiva internacional. O aplicativo possui versão em inglês e está preparado para operações em dólar, permitindo que atletas de outros países participem dos desafios.
"Se um cara da Austrália quiser participar, ele consegue. O aplicativo já está preparado para isso. A ideia é começar devagar, validar o modelo aqui e, dando certo, naturalmente começar a crescer", afirma Helber.
De Santos para o mundo
A origem da Surfnstein também tem um significado especial. Cássio e Helber são de Santos, cidade que ocupa um lugar pioneiro na história do surfe brasileiro. Foi na cidade, na década de 1930, que ocorreram os primeiros registros da prática do esporte no País, com nomes como Thomas e Margot Rittscher, Osmar Gonçalves e João Roberto Suplicy Haffers ligados a esse período. (Turismo Santos)
É desse cenário, historicamente ligado à origem do surfe no Brasil, que surge uma proposta voltada ao futuro do esporte.
O próprio nome Surfnstein resume o conceito. A marca combina referências a Frankenstein, pela ideia de reunir diferentes elementos já existentes para construir algo novo, e a Einstein, associada à inteligência e à utilização da tecnologia.
"Estamos pegando coisas que já existem e costurando para criar o Surfnstein. E o 'stein' também lembra Einstein, pela ideia de inteligência, de usar o que já existe e aprimorar", explica Helber.
IOS e Android
Disponível para iOS e Android, a plataforma pretende conectar atletas, profissionais, marcas e comunidade em torno de uma nova economia do surfe, tendo os campeonatos digitais como porta de entrada para um ecossistema mais amplo.
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