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De Santos para o Brasil: como a canoa havaiana chegou ao país e se transformou em um movimento

Modalidade foi introduzida no ano 2000 pelo santista Fábio Paiva e hoje se espalha pelo país com apoio da ABRACHA

Da Redação

Da Redação

19/05/2026 — terça-feira às 06h00

De Santos para o Brasil: como a canoa havaiana chegou ao país e se transformou em um movimento

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O que começou com a chegada de uma única embarcação ao litoral de Santos, no ano 2000, deu origem a um dos movimentos esportivos e culturais que mais cresceram no Brasil nas últimas décadas. A introdução da canoa havaiana no país está diretamente ligada à trajetória do santista Fábio Paiva, considerado um dos principais responsáveis pela difusão da modalidade.

A ideia surgiu durante uma viagem à Europa, quando o atleta, então envolvido com competições de canoagem, assistiu a uma prova tradicional disputada no Havaí. O impacto foi imediato.

"Quando eu vi aquela canoa, eu falei: é isso que eu tenho que levar para o Brasil. Era uma forma de colocar meus amigos dentro e sair remando, viajar com ela, tudo sob minha proteção", relembra.

Na época, a proposta não tinha qualquer pretensão comercial. Fábio já atuava com ecoturismo, mas via na canoa havaiana uma alternativa mais segura e coletiva em relação às embarcações que utilizava até então. O desafio, no entanto, era trazer o equipamento para o Brasil em um período sem acesso facilitado à informação.

Após meses de contatos e negociações, a primeira canoa chegou ao país, marcando o início de uma prática ainda desconhecida por aqui. A recepção inicial foi de curiosidade, mas também de desconfiança.

"Eu escutava muito: 'você acha que vai ter algum louco que vai remar um negócio de 14 metros?' Hoje a gente vê quantos 'loucos' existem", afirma.

Com experiência no rafting e nas corridas de aventura, Fábio optou por introduzir a modalidade inicialmente por meio de competições, reunindo grupos e organizando as primeiras provas no Brasil. A estratégia ajudou a dar visibilidade à prática, mas foi no contato com o público geral que ele percebeu o potencial de transformação da canoa.

"Quando comecei a abrir para pessoas de todos os perfis, comecei a ouvir os relatos. Foi quando entendi que estava com uma ferramenta de transformação na mão."

Com o crescimento da modalidade e a necessidade de organização, foi criada a Associação Brasileira de Canoas Havaianas (ABRACHA), entidade que tem como fundador o Fábio Paiva e passou a estruturar e apoiar o desenvolvimento do esporte no país. A associação atua na promoção do esporte e no incentivo a projetos que utilizam a prática como ferramenta de saúde, inclusão e qualidade de vida.

Ao longo dos anos, a canoa havaiana deixou de ser apenas uma atividade esportiva e passou a integrar iniciativas corporativas, sociais e terapêuticas. Segundo Fábio, o ambiente coletivo da embarcação é um dos principais fatores para esse avanço.

"Quando você coloca as pessoas dentro da canoa, você mostra, de forma lúdica, que elas precisam estar no mesmo barco, literalmente."

A experiência também levou o próprio pioneiro a mudar sua relação com o esporte. Após anos voltado ao alto rendimento, ele passou a direcionar suas ações para qualidade de vida e impacto social.

"Eu passei a entender que não queria ser melhor que ninguém, queria ser melhor que eu mesmo", afirma.

Projetos com diferentes públicos começaram a surgir a partir dessa mudança de visão, incluindo iniciativas com mulheres e crianças. "Todo mundo acha que eu faço bem pra elas, mas é o contrário. Elas fazem bem pra mim", diz.

Atualmente, a canoa havaiana está presente em diversas regiões do Brasil e segue em expansão. Para Fábio Paiva, o crescimento está diretamente ligado à experiência proporcionada pela modalidade.

"É muito mais do que esporte. É uma sensação de pertencimento. Você pode colocar pessoas de diferentes idades na mesma canoa e todas chegam juntas. Poucos esportes permitem isso."

Passados 25 anos desde a chegada da primeira embarcação, a canoa havaiana se consolidou no país, com o apoio de entidades como a ABRACHA e o envolvimento de milhares de praticantes, mantendo como essência o trabalho coletivo e a conexão com o mar.

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