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APOSTAS ESPORTIVAS

Promotoria apura grupo suspeito de pagar para jogadores fazerem pênalti em partidas da Série B

São nove mandados de busca e apreensão e um de prisão, expedidos pela 2ª Vara Estadual dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem ou Ocultação de Bens Direitos e Valores

Da Folhapress - Por Cleomar Almeida

Da Folhapress - Por Cleomar Almeida

15/02/2023 — quarta-feira às 05h34

Promotoria apura grupo suspeito de pagar para jogadores fazerem pênalti em partidas da Série B

modelo postagem site flashbackalviceleste lecxsam - Foto: Gustavo Oliveira/ Arquivo LEC

O Ministério Público de Goiás realizou uma operação nesta terça-feira (14) contra um grupo suspeito de fraudar resultados de jogos da Série B do Campeonato Brasileiro para ganhar dinheiro com apostas esportivas de alto valor. Segundo a investigação, jogadores profissionais teriam participado do esquema, com movimentação estimada em mais de R$ 600 mil.

A Operação Penalidade Máxima, como foi batizada, é realizada em seis cidades - Goiânia, São João del-Rei (MG), Cuiabá (MT), São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP) e Porciúncula (RJ). Os nomes dos suspeitos não foram divulgados. A Promotoria não havia informado até a tarde desta terça se alguém tinha sido preso nem quantos mandados foram concluídos.

São nove mandados de busca e apreensão e um de prisão, expedidos pela 2ª Vara Estadual dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem ou Ocultação de Bens Direitos e Valores.

De acordo com a investigação, as fraudes ocorriam, por exemplo, com a negociação para que jogadores cometessem pênalti no primeiro tempo dos jogos. Os atletas envolvidos recebiam parte dos ganhos, em caso de êxito. Cada um deles teria obtido aproximadamente R$ 150 mil por aposta.

Segundo os investigadores, os apostadores realizaram apostas casadas de pênaltis em três jogos: Vila Nova x Sport, Tombense x Criciúma e Sampaio Correia x Londrina. As três partidas em apuração ocorreram na rodada final da Série B, no dia 6 de novembro.

Entre os alvos de mandados de busca e apreensão estão dois atletas. Um deles teria emprestado a própria conta para fazer transferências de valores a outros jogadores. O outro teria recebido um adiantamento dos criminosos, mas não teria cumprido sua parte.

Questionada, a Promotoria não informou o nome da defesa deles.

Coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o promotor Rodney da Silva disse que a investigação está concentrada em pessoas físicas suspeitas, incluindo apostadores e jogadores de futebol. Segundo ele, as instituições, como clubes de futebol e a CBF, são consideradas vítimas do esquema criminoso, assim como sites de apostas.

O promotor explicou que toda a apuração é escalonada em fases, tendo início com um determinado volume de indícios e número de suspeitos, que podem evoluir à medida que a investigação é aprofundada, com indicações de novas condutas criminosas e mais envolvidos. Neste caso, afirmou, existe a possibilidade de a apuração avançar e abranger jogos não só de campeonatos estaduais de 2023, mas também jogos da Série A.

Em nota à imprensa, o Vila Nova Futebol Clube informou que auxilia, na condição de denunciante, o Ministério Público e que aguarda a manifestação do órgão com mais informações. No texto, a diretoria do time afirmou seu "papel colaborativo e o compromisso com valores éticos, morais e de lisura que são princípios do clube e do esporte".
No primeiro tempo da partida entre Sampaio Corrêa e Londrina, houve pênalti para o Londrina, que foi marcado com recurso de vídeo. O goleiro defendeu.

No jogo entre Criciúma e Tombense, também houve pênalti no primeiro tempo, a favor do Criciúma. O goleiro também pegou.

Os suspeitos podem ser denunciados pelos crimes de realizar associação criminosa, ocultar ou dissimular a origem de bens e dar ou prometer vantagem patrimonial, ou não, com o fim de alterar ou falsear o resultado de uma competição desportiva.

A operação foi realizada pelo Gaeco, pela Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência e pelo Grupo de Atuação Especial em Grandes Eventos do Futebol do Ministério Público goiano.

Procurada, a CBF não se pronunciou sobre a investigação do Ministério Público.
 

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