Segunda, 20 de Maio de 2024

DólarR$ 5,11

EuroR$ 5,55

Santos

21ºC

Entrevista de Domingo

Com mais de 2 milhões de seguidores na internet, santista expande negócios

Aos 35 anos, o açougueiro, churrasqueiro e empresário Domingos Neto, o Netão Bom Beef, abre rede de hamburguerias e faz sucesso nas redes sociais

Por Adriana Martins - Redação BS9

18/07/2021 - domingo às 07h00

Netão se prepara para abrir hamburgueria física em Santos e diz que pode ter unidade em São Vicente - (foto: divulgação)

Quando criança, Domingos Neto tinha um sonho: ser dono de açougue. Começou a trabalhar aos 7 anos no comércio do pai e, aos 14, já era gerente do frigorífico da família. Aos 16, foi trabalhar no açougue do tio, mesma idade em que entrou para a faculdade de Direito, que cursou por quatro anos.
 
Fez inglês, espanhol e italiano, e resolveu trabalhar a bordo de um navio de cruzeiros, no exterior, para juntar mais dinheiro e realizar o sonho de ter o próprio negócio. Antes disso, de volta ao Brasil, foi gerente de uma loja de móveis. 
 
Todas essas experiências – além do carisma, claro – foram fundamentais para o sucesso de Netão Bom Beef não só como empreendedor, mas como influenciador digital. 
 
Logo quando abriu o açougue com cortes especiais, na Avenida Pedro Lessa, em Santos, criou um perfil no Instagram para mostrar a novidade. Assim, a Bom Beef criava um público segmentado, que se interessava por carnes especiais para churrasco. “Comecei a mandar a minha carne para alguns churrasqueiros conhecidos em Santos e São Paulo, pedindo a opinião deles, porque queria um feedback do meu trabalho. Mas essa ação acabou se consolidando em uma excelente estratégia de marketing”. 

E bota excelente nisso. Hoje, no Instagram, são mais de 800 mil seguidores em seu perfil pessoal, quase 300 mil no perfil do açougue e outros 90 mil no perfil da Bom Beef Burgers, nova rede de hamburgueria delivery, que em breve terá também a primeira loja física em Santos, bem em frente ao açougue que o ajudou a ficar famoso. Em seu canal no YouTube, criado em 2019, já são mais de 1 milhão de inscritos.
 
Casado com Suelania Silva, que está grávida, eles já são pais de uma menina de 3 anos. Na última sexta-feira, dia 16, o casal descobriu que terá um menino. A revelação, claro, pode ser vista pelos seguidores de Netão em seu Instagram.
 
Saiba mais sobre ele na entrevista a seguir:  
 
1- Com o Bom Beef, você montou um modelo de negócio praticamente inédito no País e se tornou uma grande referência em carnes premium. Como isso aconteceu? 
Uns dois ou três bons açougues no Brasil já vendiam carnes especiais na época (2014), mas não vendiam a quantidade de cortes especiais que me propus a vender. Eles tinham três, quatro cortes. Alguns frigoríficos também faziam. Minha proposta foi fazer todos os cortes especiais que o boi me permitia. Acho que isso, sim, foi realmente novo. O boi é como se fosse uma tela branca, que você pode pintar como quiser. Do mesmo pedaço de carne, do mesmo músculo, posso pegar vários cortes especiais. Se eu pegar um contrafilé, posso tirar chorizo, ojo de bife, ou prime rib, bife de tira... Tradicionalmente, faço 28 cortes especiais no açougue. Fora os comuns. Busco sempre novidades, entregar experiências diferentes para o cliente. 
 
2- Muitas empresas quebraram durante a pandemia, e este foi o período em que você mais cresceu, inclusive em popularidade, e passou a empregar mais pessoas. 
Quando a pandemia começou, ninguém sabia o que ia acontecer. E eu resolvi fechar o açougue, 100%, e dispensar os funcionários para esperar quais decisões seriam tomadas em termos de saúde pública, para preservá-los. Estava muito preocupado com a saúde da minha equipe, com a minha saúde, com a saúde da minha família e da família dos meus funcionários. Aproveitei esse tempo, cerca de 20 dias, para bolar estratégias para não fechar as portas depois, definitivamente. Aí surgiu a ideia de entregar kits, cada dia um kit diferente. Neles, geralmente iam uma refeição pronta, para esquentar em casa, e insumos para as próximas três refeições. 

"Enquanto boa parte dos estabelecimentos demitiu durante a quarentena, nós conseguimos manter todos os nossos funcionários e ainda contratar mais 22. De três motoboys, por exemplo, passamos para 16 nesse período" - Netão

3- As lives surgiram nesse período também?

Comecei a fazer as lives nesse período em que fiquei em casa, bem antes do boom que aconteceu em todo o País. Minha ideia era entreter as pessoas que também estavam em casa por conta da pandemia. Minha esposa ficava com a bebê no colo, com dois celulares, e gravava na cozinha de casa, onde também montei um cenário. Depois, também passei a gravar para ensinar a receita dos kits que vendia no açougue, tudo de maneira leve, descontraída. Graças a Deus, a ideia do kit pegou muito rápido. O primeiro dia de vendas foi uma loucura. Vendi 50 unidades em minutos. No segundo dia, dobrei a quantidade. Anunciava no Instagram, e acabava em minutos. Depois, todo dia, ao meio-dia, liberava a venda e as primeiras 250 pessoas que mandavam mensagens levavam. Não tinha reserva, não tinha privilégio para amigo, nada. Sempre prezei por isso, ser muito correto. Não existe cliente melhor, todos são iguais. Não interessa se o cara comprou uma salsicha ou R$ 20 mil de wagyu (corte japonês que é considerado um dos melhores do mundo). Enquanto boa parte dos estabelecimentos demitiu durante a quarentena, nós conseguimos manter todos os nossos funcionários e ainda contratar mais 22. De três motoboys, por exemplo, passamos para 16 nesse período.
 
4- E as lives que você fez com famosos? 
Acredito que pelo resultado das minhas lives. Cheguei a ter 70 mil pessoas me assistindo. E as empresas começaram a participar também. Fiz lives para algumas marcas. E as que fiz com artistas geralmente foi porque alguma marca me convidou para apresentar. Adoro trabalhar ao vivo, aquela adrenalina. Gostava bastante. Fiz algumas bem legais com o Michel Teló, Leonardo, Edson e Hudson. Com o Teló, fui o apresentador e fiz o churrasco. Brincava com ele, levava uma carne, e era um sucesso.  

"Sempre tive na minha cabeça que eu não posso demitir funcionário bom, que trabalha direito, por incompetência minha. Precisava gerar demanda para eles. Foi aí que pensei em fazer a hamburgueria pelo iFood, só delivery" - Netão

5- Como surgiu a ideia da hamburgueria?
A Bom Beef Burgers também nasceu durante a pandemia. Era um projeto que eu já tinha, mas estava na gaveta há muito tempo, esperando o momento certo. Na minha cabeça, ia rolar lá para 2023, por aí. Eu fazia os kits no prédio que estou reformando para abrigar o açougue novo. Chegou uma hora em que precisei parar de fazer os kits para tocar a reforma. Só que eu já tinha contratado gente para trabalhar lá. Sempre tive na minha cabeça que eu não posso demitir funcionário bom, que trabalha direito, por incompetência minha. Precisava gerar demanda para eles. Foi aí que pensei em fazer a hamburgueria pelo iFood, só delivery. Quando anunciei no Instagram que ia montar a hamburgueria, foi uma loucura. Por onde eu passava falavam sobre isso. Minha ideia era só comprar uma fritadeira, já tinha chapa, e trabalhar. Aí fiz um baita investimento, junto até com alguns parceiros de equipamentos. Bombou. Aí abri a do Brooklin, em São Paulo. E terão outras unidades dark kitchen (100% delivery), a maioria na região de São Paulo e de São Bernardo. A primeira loja física vai ser em Santos, em frente ao açougue, e possivelmente haverá uma física em São Vicente também.

 
6- O vegetarianismo e o veganismo crescem cada vez mais. Vai ter alguma opção vegana na hamburgueria ou hambúrguer é de carne?
Hambúrguer é de carne. Mas sei que, em algum momento, eu terei que desenvolver e disponibilizar alguma opção vegana nas hamburguerias. Mas ainda não estou preparado para isso.
 
7- O que define um bom churrasco? E dá para fazer um bom churrasco em qualquer lugar, com carvão ou sem carvão?
Alegria é o ingrediente principal. Depois, 90%, carne de qualidade e uma boa brasa e 10%, o assador. Se tem alguém triste em um churrasco, tem alguma coisa errada. E qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode fazer um bom churrasco. No meu canal no YouTube, já fiz churrasco em fogo no chão, sem equipamento nenhum, com bambu que peguei na mata; já fiz na minha parrilla (tipo de churrasqueira), que é maravilhosa, faz a carne praticamente sozinha; na frigideira; churrasqueira elétrica; no forno e na churrasqueira a gás. Não tem desculpa. É claro que em alguns lugares vai ser mais fácil de fazer, mas se não tiver uma churrasqueira, dá-se um jeito também.

"O cara que comprava cinco quilos de carnes intermediárias começou a comprar dois quilos de carnes especiais, porque os churrascos passaram a ser menores, mais residenciais. As pessoas passaram a valorizam a carne de qualidade, com a família, porque não estavam fazendo mais nada, não estavam indo a restaurantes ou viajando" - Netão

8- Durante a pandemia, a inflação aumentou e um dos produtos que mais sofreram aumento de preços foi a carne. No mercado premium, isso interfere no consumo, ou seja, quem consumia uma carne especial passou a comprar um corte mais acessível?
A carne aumentou muito. Na verdade, ela já vinha aumentando há algum tempo. No final de 2019, fiz um post no Instagram falando que a arroba estava chegando a R$ 200, que era um absurdo. Hoje a arroba está chegando a R$ 350. Em 2017, era R$ 150. Claro que influencia. Mas na pandemia a gente viu uma mudança no perfil de consumo do cliente do açougue. Eu tenho tanto as carnes megaespeciais quanto as intermediárias. E o cara que comprava cinco quilos de carnes intermediárias começou a comprar dois quilos de carnes especiais, porque os churrascos passaram a ser menores, mais residenciais. As pessoas passaram a valorizam a carne de qualidade, com a família, porque não estavam fazendo mais nada, não estavam indo a restaurantes ou viajando. Agora que começaram a se reunir de novo, não tem mais jeito: uma vez que você bebe o vinho bom, não vai mais tomar aquele vinho doce da prateleira do supermercado. Com a carne de qualidade é a mesma coisa. 

 
9- Você fez uma cirurgia bariátrica. Quantos quilos deixou para trás?
Emagreci 70 quilos. Eu não tinha a menor vontade de fazer a bariátrica. Era obeso, mas bem tranquilo com relação ao meu peso, não tinha pretensão nenhuma de emagrecer. Mas minha saúde não estava boa. Meu médico chamava muito minha atenção, minha mãe e minha esposa também. Eu queria muito ser pai, e minha esposa achou a chave para eu fazer a operação: “Quando você fizer a cirurgia, a gente engravida”, ela disse. E fiz. Muitos problemas de saúde que tinha por causa da obesidade mórbida, melhoraram depois que emagreci. A bariátrica foi um divisor de águas na minha vida. Quando era gordo, não sabia que me faltava gás, disposição e até ânimo. Digo que, depois da minha filha, a bariátrica foi a melhor coisa que fiz.

Deixe a sua opinião

2
Entre em nosso grupo