ENTREVISTA DE DOMINGO
Para ele, sua maior conquista foi, sem sombra de dúvida, a transformação do Vale da Morte no Vale da Vida
Por Lucas Campos - Redação BS9
09/04/2022 — sábado às 18h01
Nei Serra falou sobre outras conquistas, desafios de sua gestão e expressou todo amor que sente pela cidade de Cubatão - (foto: reprodução Facebook)
“Um livro é como um filho: gestado, nutrido, acalentado e, por fim, nasce e mostra os valores para o futuro!”. Foi com esse pensamento que o ex-prefeito de Cubatão, Nei Eduardo Serra, lançou seu livro "É possível" na última quinta-feira, dia 7, às 19h, na Câmara Municipal da cidade.
E para que isso fosse de fato possível, Nei Serra adotou a mesma máxima de seus anos à frente da Administração Municipal cubatense, de que o trabalho tem que ser em equipe, e contou com a colaboração de várias pessoas.
Em primeiro lugar o jornalista Manoel Alves Fernandes, o Maneco, que, segundo Nei, por mais de 30 anos foi a voz do povo ordeiro e trabalhador da cidade de Cubatão. Ele contou também com uma equipe de jornalistas que se empenhou de corpo e alma nesse trabalho, sob a coordenação do jornalista Sérgio Willians, que é até hoje o presidente do Instituto Histórico Geográfico de Santos e região, e também dos jornalistas Gustavo Carreira Chagas e Lilian Tavares.
“Tive também a ajuda da professora Edna Alécio que participou, juntamente com o Sérgio Willians, da revisão. E contei com cerca de 50 colaboradores que nomeei individualmente nas primeiras páginas do livro. Tenho que fazer um agradecimento, também, para todos os funcionários da biblioteca e do arquivo histórico da prefeitura, que me ajudaram com uma ampla pesquisa na biblioteca municipal, no arquivo histórico da Prefeitura e também em todos os jornais e publicações que foram encontradas durante as minhas gestões”.
Nei diz que sempre foi uma pessoa muito voltada para a família. Com dois filhos, uma filha de criação e um neto, é formado em Direito, Ciências Jurídicas e Sociais e Administração de Empresas com especialização na área trabalhista e direito empresarial, o ex-prefeito esteve à frente da cidade nos anos de 1985, 1988 e depois em 1996 até o ano 2000.
Para ele, sua maior conquista foi, sem sombra de dúvida, a transformação do Vale da Morte no Vale da Vida, e a do reconhecimento e do prêmio da ONU de exemplo mundial de recuperação ambiental.
Outra grande conquista, não menos importante, foi a construção do Hospital Modelo de Cubatão, no qual participou de tudo: da definição e escolha do local, do planejamento de elaboração dos projetos, das plantas, e depois da construção. Depois de construído, do acabamento e do equipamento. Antes de acabar o último mandato, deixou o hospital totalmente equipado e funcionando.
"Não fiz tudo o que queria pela cidade. Fiz tudo que eu consegui e que eu pude. Mas eu gostaria de ter feito muito mais. Se eu não fiz, foi porque existiam alguns impedimentos", explica.
Na entrevista deste domingo, dia 10, você confere um papo exclusivo com Nei Serra, que falou sobre outras conquistas, desafios de sua gestão e expressou todo amor que sente pela cidade de Cubatão deixando, por fim, uma mensagem para o cidadão cubatense.
1- Por que o senhor resolveu compilar tudo o que viveu nos anos em que administrou Cubatão em uma publicação? De onde veio essa ideia?
Foram três os motivos principais que me levaram a escrever esse livro. O primeiro deles foi que o jornalista Maneco, o Manoel Alves Fernandes, que foi o jornalista da tribuna por mais de 30 anos, tinha começado a escrever esse livro, já tinha escrito 50 laudas, e aí ele teve um infarto fulminante e faleceu. A esposa dele encontrou esse material, a jornalista Kátia Juliette, e fez chegar na minha mão. Quando li o texto achei que estava de uma qualidade excepcional. O Maneco escrevia muito bem, tinha um texto excelente. Então naquele momento eu entendi que a obra que o Maneco tinha começado tinha que ser concluída. O segundo motivo foi que um amigo, um grande empresário da construção civil e líder empresarial, e uma professora que foi inclusive diretora da escola Lincoln Feliciano em Cubatão durante muitos anos, insistiam muito comigo que eu escrevesse esse livro, que eu precisava fazer um registro histórico desse trabalho realizado e dos resultados alcançados. Eles insistiam sempre nisso comigo, e fui ficando com isso na cabeça. E o terceiro grande motivo e não menos importante que os anteriores, foi a minha ideia pessoal de deixar uma contribuição para atual e para futuras gerações. As novas gerações já não têm muito conhecimento do trabalho que foi feito e dos resultados que foram alcançados. Então é muito importante deixar como uma contribuição e também escrevendo esse livro, tirar algumas lições que é o resultado da experiência que eu vivi. Que lições eu poderia tirar de tudo isso que nós passamos e tudo isso que nós enfrentamos e do trabalho realizado e dos resultados alcançados. Esse é o conteúdo do livro.
2- E como foi para o senhor ter a experiência de comandar uma das principais cidades da Baixada Santista com um gigantesco polo industrial e ao mesmo tempo com o desafio da população que mora nas palafitas e mangues e crescem de maneira desordenada?
Um grande desafio. Eu assumi a prefeitura de Cubatão como um grande desafio. Um desafio que precisava ser enfrentado com coragem, seriedade e determinação. E peço a cada cubatense que leia o meu livro. Porque assim as pessoas vão me conhecer ainda melhor e vão ter uma ideia também ainda melhor do trabalho que foi realizado e dos resultados que foram alcançados. No final do livro há um epílogo onde fiz a seguinte pergunta a mim mesmo: "que lições nós podemos tirar desse trabalho que foi realizado e dos resultados alcançados?". E respondo precisamente essa pergunta.
3- Quais são as diferenças consideráveis de quando o senhor administrou Cubatão para os dias de hoje e a quem atribui os atuais problemas da cidade?
Na área ambiental há uma grande diferença. Cubatão era o Vale da Morte e nós conseguimos com grande trabalho, um grande esforço, uma grande luta e com a participação de todos, inclusive muito forte da comunidade junto comigo, nós conseguimos reverter esse quadro. Uma grande transformação. Os problemas da cidade têm que ser enfrentados com coragem e determinação pela própria comunidade, pela Câmara de Vereadores e pelo prefeito.
4- Falando nisso, o senhor foi um dos prefeitos que mais investiu na questão do Meio Ambiente e conseguiu elevar Cubatão à cidade símbolo da ecologia. Como foi chegar nesse patamar e você entende que a cidade acompanhou esse processo?
A transformação do Vale da Morte no Vale da Vida foi resultado de muito trabalho, muita determinação e obstinação até na busca desses resultados. Foram muitos anos de enfrentamento dos problemas que a cidade tinha. Acho que esse foi o aspecto principal, foi coragem, determinação e enfrentamento do problema. Agora,a partir daí a cidade tem que se manter permanentemente em alerta e acompanhar a evolução. Porque com o tempo as situações vão mudando.
5- Qual acredita que foi o ponto mais alto da sua gestão?
Acho que foram alguns pontos. Um deles foi o grande enfrentamento da poluição, inclusive recebendo o prêmio da ONU de exemplo mundial de recuperação ambiental. Um segundo ponto alto foi ter conquistado a reconsideração de Cubatão ser reconhecida como a cidade símbolo da ecologia. Um terceiro ponto alto foi ter recebido no ano 2000, ano internacional da paz, ter recebido o prêmio da ONU de prefeito da paz, um prêmio que poucas pessoas no mundo receberam. E acho que também foi importante a atenção que eu dei para as crianças com relação a saúde, a educação, a assistência, uma preocupação que eu sempre tive muito grande. Sempre disse que a minha maior prioridade foram as crianças de Cubatão.
6- Na sua gestão, como o senhor planejava o Vale do Futuro?
Cubatão é uma cidade que tem uma extraordinária potencialidade, uma das melhores localizações, próxima do maior porto da América Latina, próxima do maior mercado consumidor do país. A localização de Cubatão é extraordinária e tem diversos projetos que precisam ser tocados para frente. Projetos de grandes empreendimentos que precisam ser viabilizados e executados.
7- O senhor sempre entendeu a importância da busca de soluções comuns para os problemas não só de Cubatão, mas da Baixada Santista como um todo. Qual a importância da institucionalização da Região Metropolitana, integrando os municípios?
Sempre entendi que a região é interdependente. As pessoas trabalham em um município, moram no outro, estudam em outro, têm parentes em municípios vizinhos. Precisam às vezes de equipamento de saúde do outro município. Então eu sempre entendi que havia uma profunda interdependência. E começou com o tempo a ocorrer inclusive uma conurbação. Quer dizer, as as áreas urbanas de um município começaram inclusive a se aproximar da área de outros. Eu entendia isso muito bem e defendi essa ideia durante muitos anos. Fui um dos pioneiros a falar em metropolização da Baixada Santista. Inclusive, a pedido do governador Mário Covas, na época fiz e entreguei nas mãos dele uma minuta de projeto de lei para criação da região metropolitana, que ele depois aperfeiçoou e mandou para a Assembleia Legislativa. Então eu trabalhei muito. Escrevi inclusive um livro com o título "A Baixada Santista, seus problemas e soluções", cuja conclusão final é a proposta da criação da região metropolitana da Baixada Santista. Naquela época o governo não aceitava a criação da região metropolitana porque havia uma legislação federal que dizia que a região metropolitana era só para as capitais e estados e por isso estava impedida de criar uma região metropolitana na Baixada Santista. Até que houve uma modificação, uma mudança da lei federal que abriu a possibilidade de se criar regiões metropolitanas fora das capitais. E a da Baixada Santista eu acredito que foi a primeira criada fora da capital. Defendi isso com muita determinação e obstinação.
8- O que a cidade de Cubatão representa para você?
Eu tenho um profundo amor pela cidade de Cubatão. Faz parte da minha vida. É a minha vida. E sinto pela cidade hoje que ela representa ainda um grande desafio. Tem muitos problemas que precisam ser enfrentados e que precisam da união de todos. Sempre ressaltei esse aspecto. Nós precisamos de união, entendimento, da soma dos esforços, do trabalho em conjunto. Uma cidade que tem isso e que consegue fazer isso, consegue resultados extraordinários. Eu desejo nesse momento parabenizar a cidade pelo seu aniversário de 73 anos de emancipação política. Quero cumprimentar todos os munícipes e em especial os servidores municipais, que são muito importantes e sem eles é impossível um perfeito funcionamento da Prefeitura. Ninguém faz nada sozinho, o trabalho tem que ser de equipe, tem que ser em conjunto e tem que ser com a participação de todos e da própria comunidade. Ela é muito importante, é fundamental, é essencial.
9- Para finalizar, qual mensagem você deixa para a população cubatense e o que deseja para o município?
Eu proponho uma forte união de toda a comunidade com a Câmara Municipal, com a participação de todos os vereadores, com a participação do Prefeito e todos os secretários municipais. Uma reativação das sociedades de melhoramentos de bairro, das entidades comunitárias da cidade. Uma forte união da comunidade. Uma comunidade forte e unida consegue enfrentar seus problemas e resolvê-los.
Se interessou pela obra de Nei Serra? Você pode adquirir o livro por R$ 50 na Câmara Municipal de Cubatão, na Casa da Esperança de Cubatão ou ainda na Banca do Ivo, que fica na Av. 9 de Abril. O valor arrecadado nas vendas será integralmente repassado para a Casa da Esperança.
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