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Sociáveis e destemidos: os pinguins têm muito a nos inspirar!

Rosane Farah - Bióloga, responsável técnica pelo Instituto Gremar - Guarujá

Rosane Farah

30/03/2022 - quarta às 00h00

No dia 25 de abril é comemorado o Dia do Pinguim, criado para promover a conservação das 18 espécies dessa ave marinha tão carismática, que habita exclusivamente o Hemisfério Sul. A data também remete a preparação do seu período de migração.

E como tem acontecido nos últimos anos, sim, é bem possível que alguns deles venham novamente parar nas praias da Baixada Santista.

Quatro espécies já foram registradas na costa brasileira: o pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus), o pinguim-de-penacho-amarelo (Eudyptes chrysocome), o pinguim-de-testa-amarela (Eudyptes chrysolophus) e o pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus), sendo este último avistado com mais frequência em nossa região.

O Pinguim-de-Magalhães é encontrado na Patagônia Argentina e Chilena e também nas Ilhas Malvinas, porém, entre os meses de maio e novembro, inicia um processo de dispersão, saindo das colônias e se deslocando para áreas mais próximas da linha do Equador. É quando podem alcançar desde o litoral dos estados da região Sul até o Espírito Santo. 

Em condições normais, dificilmente observamos esses animais nas praias: eles ficam mais distantes da costa e utilizam a plataforma continental para se alimentar, acompanhando as correntes que possuem temperatura da água ideal e, consequentemente, maior disponibilidade de alimento. E estamos falando de um superbanquete: os pinguins amam anchovas, merluzas, peixe-rei e diversas espécies de lulas!

Alguns deles, porém - especialmente os jovens -, podem sofrer mais com as consequências dessa longa viagem. As intempéries do clima, a eventual escassez de alimentos, a ingestão de resíduos sólidos (lixo) e a interação com redes de pesca, entre outros fatores, podem deixá-los debilitados durante o trajeto, levando ao encalhe em nossas praias – às vezes feridos e, em outras, já sem vida.

A espécie S. magellanicus, inclusive, encontra-se em declínio populacional, por conta de sua natureza migratória, que expõe os animais a situações adversas, principalmente geradas pelo homem.

É por isso que, a partir de agora, nossa equipe já está em estado de alerta permanente para atender casos deste tipo durante a temporada de inverno.

Em média, os pinguins vivos encaminhados para o nosso hospital veterinário dão entrada com quadro clínico de desidratação, desnutrição, hipotermia e hipoglicemia, levando de 3 a 5 meses para concluir seu processo de reabilitação. 

Em todos esses anos ajudando-os a se recuperar, os pinguins também nos deixam uma lição além do profissional. Eles nos fazem enxergar sobre a vida e a forma como nos relacionamos com ela. 

Por que eles, ao contrário das outras aves marinhas, resolveram abandonar os ares e sair nadando por aí? Os pinguins fazem-nos lembrar que não precisamos esperar milhares de anos para evoluir e se adaptar ao que é considerado normal. Afinal, eles, diferentes das outras aves, não voam! As capacidades de adaptação desses animais nos encorajam e mostram que nós também podemos encontram os nossos caminhos e ir atrás dos nosso sonhos.

Vivendo em grupo e sempre juntinhos, eles nos lembram daqueles tempos onde o abraço e o calor humano eram “antídotos” contra as dificuldades do dia-a-dia; e também o quanto desaprendemos sobre a importância da convivência, do compartilhamento, da vida “social” e do trabalho em equipe! 

Outra atitude inspiradora: independente de todos os desafios que a natureza impõe, o casal de pinguim cuida de seus filhotes com muita dedicação e companheirismo, buscando a proteção necessária a cada dia. Apaixonante, não acham?

E mais: quando trocam suas penas (processo conhecido como “muda”), estão mais protegidos do que nunca, sendo um fator crucial para sua sobrevivência na natureza. Essa “renovação”, trazida para nossa realidade, nos aproxima da liberdade, da confiança, da alegria e, principalmente, da esperança.

Que no próximo dia 25 de abril toda a energia positiva e essência de um pinguim sirva para inspirar nossas vidas, nossa luta por um mundo menos egoísta e mais solidário, alegre e com mais respeito e amor ao meio ambiente.

QUEM DISSE QUE É PRECISO TER ASAS PARA "VOAR"?

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