Valter Batista
Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia
20/07/2021 — terça-feira às 08h02
O país vive um dilema difícil de ser compreendido. A luta contra a corrupção, que deveria ser o princípio da mobilização democrática, deu lugar à luta pela corrupção menos pior. Não, eu não acredito que esse seja mesmo o pior dos problemas, tampouco considero um tema desimportante. Mas é emblemático que, em meio à pior Pandemia da história contemporânea, estejamos vivenciando a rotina comum dos superfaturamentos e das propinas na compra de vacinas e insumos para a saúde pública.
Quando o negacionismo ganhou corpo, ainda no início da Pandemia, imaginava-se que as autoridades estavam cercadas de argumentos científicos para certificarem suas teses de que não passaria de uma gripezinha. Após quase 550 mil mortes oficiais pela Covid-19, o que se vê com clareza é que só havia mesmo a má intenção de ganhar muito dinheiro, mesmo que à custa de vidas inocentes.
Coquetel de remédios ineficazes foi incansavelmente divulgado como solução, a ponto das empresas produtoras desses medicamentos, investirem em propaganda para ampliar a crença num tal de tratamento precoce, responsável por milhares de mortes de inocentes e crentes nessa sandice.
Depois, o negacionismo da vacina, que adiou em meses a aquisição de doses ofertadas por laboratórios estrangeiros sérios, enquanto "vendedores inidôneos" eram recebidos facilmente pelas autoridades federais, para venderem vacinas de "tolos", doses que não existiam, e pior, com cobrança de propinas que beiravam as centenas de milhões de reais.
Enquanto esse circo era montado pelos nossos governantes, morriam e seguem morrendo pessoas cuja esperança não se concretizou. A corrupção, que não é nem de longe pior do que a ignorância, segue matando todos os dias. E se há vacina para este mal, é o voto que se dá com consciência e valor, sem peso e sobretudo sem preço, até porque, os que se elegerão novamente, o farão com o tal de Fundo Eleitoral, ampliado de novo, pra que nenhuma mudança seja mais eficaz do que aquela que deixa tudo como sempre esteve.
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