Sandro Kbsa
Sandro Olímpio Kbsa - Trabalhador portuário
29/05/2021 — sábado às 08h47
Trabalhadores portuários de Santos em meados de março de 2020, através de seus representantes sindicais, perceberam que a pandemia ia além de uma simples gripezinha e já se observava mortes de alguns trabalhadores e de gripes muito fortes que vários trabalhadores tinham como diagnósticos de pneumonia. Foi aí que em uma unidade portuária realizou uma reunião entre os representantes dos trabalhadores do porto de Santos, todos os sindicatos representativos tomaram a decisão de uma cobrança pelo mínimo de proteção aos trabalhadores avulsos e vinculados do porto de Santos.
Até porque, até esse momento não havia por parte das representações federativas a nível nacional nenhum tipo de mobilização pela higiene, saúde e segurança dos trabalhadores nos portos do Brasil.
E foi aí que, mais uma vez, o porto de Santos, o maior da América Latina, chamou a atenção do governo federal, que por sua vez através do Ministro da Infraestrutura, o Sr. Tarcísio Gomes de Freitas, fez contato com o representante do maior sindicato de avulsos portuários do país (o presidente na data) Rodnei Oliveira da Silva, o “Nei da Estiva”, para poder amenizar os ânimos e também passar ao representante a falsa preocupação do governo federal perante os trabalhadores portuários do maior porto da América Latina. Vale muito lembrar desse episódio, pois foi daí onde as federações representativas a nível nacional das categorias portuárias se sentiram na obrigação de demonstrar algum tipo de preocupação do que vinha acontecendo nos portos do Brasil e principalmente no porto de Santos.
E isso foi bom para os trabalhadores? Ahhhh nem um pouco.
Ao saberem da ligação do ministro para um representante de base do sindicato, simplesmente tomaram toda a direção do assunto direcionaram para as federações que até então não tinham nenhum tipo de contestação para o que vinha acontecendo não só no porto de Santos mais também nos portos do Brasil.
Os sindicatos de Santos e suas representações preocupados com mortes e infectados e as federações preocupadas com a ligação, um telefonema para um presidente do sindicato e não da federação, e simplesmente através dessa intervenção federativa os movimentos e mobilizações previstas para reivindicações de higiene, saúde e segurança dos trabalhadores, que era o mínimo que estávamos cobrando para se evitar contaminações e morte no porto, ficaram à mercê das federações que através de um pacto juntamente com os operadores e governo aceitaram a criação de mais uma MP 945, que virou a lei 14.047 em poucos meses, que viria tirar mais direitos dos trabalhadores, privilegiar os operadores e tranquilizar o governo nas questões de não haver paralisações nos portos do Brasil e manter suas movimentações, mantendo a economia estável e o governo economicamente forte.
O que no meu modo de ver foi o PACTO DA MORTE DOS TRABALHADORES PORTUÁRIOS!
MP 945 que se tornou a lei 14.047 que se mexeu em leis tirando direitos dos trabalhadores, uma escala por meio de internet que deixou diversos trabalhadores desempregados por vários meses e ainda deixa, trabalhadores que moram em lugares sem internets que não possuem aparelhos adequados para escalação , que não sabiam utilizar o método empurrado goela abaixo e até hoje vem sofrendo com essa metodologia que não atende as necessidades dos trabalhadores e sim dos operadores, tornaram as categorias portuárias essenciais, deram a condição dos operadores buscarem mão de obra desqualificada se caso houvesse greve ou mobilizações que atrapalhassem as operações.
E qual o resumo de tudo isso?
Trabalhadores desempregados
Trabalhadores na linha de frente
Trabalhadores se contaminando
Trabalhadores contaminando seus familiares
Trabalhadores se internando
Trabalhadores sendo entubados
Trabalhadores morrendo
Essa é a realidade dos Portos do Brasil e principalmente do maior da América Latina, o porto de Santos.
E se falando sobre a maior categoria de avulsos do Brasil e de Santos, os estivadores, os números de mortes e infectados são enormes, infelizmente o descaso e a falta de luta de seus representantes atualmente fazem com que todos os dias derramemos lágrimas pelas mortes de trabalhadores.
Uma omissão sem tamanho, das federações e sindicatos.
Apesar de todas as tentativas realizadas, o governo só resolveu vacinar os trabalhadores portuários agora, após a contaminação da CEPA indiana no Porto do Maranhão, conforme divulgado no último domingo 23/05. A previsão é que na semana que vem aconteça o início da vacinação aqui na Baixada.
#essenciaisparaopais
#descartaveisparaopatrao
#Abandonadospelogoverno
Chega de omissão, chega de pactos e diálogos.
Chega de mortes nos portos do Brasil, chega de mortes no porto de Santos!
O resultado de 1 ano de contaminação e mortes, trabalhadores e familiares.
O LUTO TOMA CONTA DAS CIDADES PORTUÁRIAS DO BRASIL!
Um resumo para um simples pedido, VACINA PARA QUEM SE TORNOU ESSENCIAL, MAIS QUE MORRE TODOS OS DIAS PELA FALTA DELA!
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