Rosane Farah
Rosane Farah - Bióloga, responsável técnica pelo Instituto Gremar - Guarujá
30/06/2021 — quarta-feira às 12h34
Após apresentá-los ao trabalho do Instituto Gremar em meu artigo inaugural, com muito carinho e entusiasmo hoje quero compartilhar com vocês que, desde maio último, iniciamos por aqui um novo projeto, idealizado pelo Instituto, chamado “Maré Mangue”. O nome, inclusive, foi escolhido através de votação junto à equipe do Gremar - e simboliza exatamente a composição de um estuário, de forma sucinta.
Com o "Maré Mangue", a Baixada Santista passa a contar com um monitoramento embarcado regular, pelo estuário das cidades de Bertioga, Guarujá, Santos, São Vicente e Cubatão. O objetivo é avaliar seu status de saúde, resgatar os animais debilitados e ainda fazer o levantamento das espécies avistadas durante o trajeto percorrido.
Desde o início do projeto já foram percorridos em torno de 200 quilômetros de água, em duas saídas, realizadas em parceira com a Polícia Ambiental. E já vistamos mais de mil animais, de 35 espécies diferentes. Uma experiência incrível e especial!
Além do monitoramento, atenderemos também por meio de acionamento os animais silvestres que porventura sejam avistados feridos ou encalhados nesta área, encaminhando-os para atendimento veterinário, avaliação clínica e acompanhamento, até que possam ser inseridos novamente na natureza; bem como exames necroscópicos em animais encontrados já em óbito.
Em apenas dois meses já foram atendidos 30 animais, de 15 espécies diferentes, entre eles: cágado-pescoço-de-cobra, carão, garça-branca, garça-moura, gavião-carijó, socó-dorminhoco, tartaruga-verde e um guará - este último inclusive nomeado como “Rubi”, em referência a sua exuberante cor vermelha, que se destaca ainda mais na imensidão verde dos nossos manguezais. Aliás, ele também representa a importância das aves no estuário, uma vez que já foram considerados quase extintos e, aos poucos, estão recuperando suas populações!
Não custa lembrar: devido ao desenvolvimento costeiro desenfreado, as chamadas ações antrópicas (causadas pelo homem) se consolidaram como um perigo iminente à fauna presente do mangue.
A falta de planejamento e de comprometimento com a sustentabilidade impacta atividades como a aquicultura, a agricultura, a exploração de madeira, as instalações urbanas, industriais e turísticas, além, é claro, das mudanças climáticas.
Por isso, podemos dizer que esse projeto é um sonho antigo do Gremar e estamos muito contentes por mais um passo dado.
Nestes 17 anos de trabalho estudando ambientes marinhos e costeiros, contemplamos a oportunidade de conhecer mais a fundo o manguezal. E toda esta experiência será, a partir de agora, de grande relevância para que possamos contribuir com a preservação e conservação desse ecossistema de riqueza biológica única, responsável por estabilizar a costa e abrigar milhares de espécies.
É de nossa responsabilidade transformar o roteiro dessa história, permitindo que o colorido desses animais continue “em cartaz” na belíssima tela que se revela nesta "Maré Mangue"!
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