Terça, 14 de julho de 2026

DólarR$ 5,15

EuroR$ 5,87

Santos

16ºC

Rosana Valle

Em defesa da produção e da vida

Rosana Valle - Jornalista, escritora e deputada federal

16/06/2021 — quarta-feira às 12h12

Em defesa da produção e da vida

Em recente conversa com sindicalistas e um executivo do setor químico brasileiro, fui alertada sobre um problema que está diretamente ligado aos efeitos fatais da pandemia da Covid-19 em nosso País. Ou seja, à possibilidade de que poderíamos ter tido a chance de evitar tantas mortes fabricando a nossa própria vacina.
 
André Passos Cordeiro, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), informou que o desaparelhamento de setores industriais essenciais, como o farmacêutico, por exemplo, gerou problemas graves, como a incapacidade de produção, no Brasil, do IFA, o insumo para a fabricação da vacina contra a Covid-19.
 
Isso quer dizer que, sim, poderíamos já ter tecnologia, equipamentos e também profissionais capacitados e treinados para fabricar nossa própria vacina e não apenas envasar o insumo (que é, de fato, a vacina) que chega da China ou de outros países que não tiveram este setor estratégico desestimulado por falta de uma política industrial.
 
Um parque industrial saudável, apoiado por universidades e centros de pesquisa e inovação, reflete diretamente na qualidade de vida da população. E isso se consegue com gestões sucessivas que pratiquem políticas de Estado, e não apenas de governo. Ou seja, é preciso um olhar constante para o futuro daqueles que governam o presente.         
 
A falta de uma política de apoio ao setor produtivo industrial pode ter consequências dramáticas no desenvolvimento do País. 
 
Por isso, estou propondo uma agenda pró-recuperação da indústria no Brasil, afetada pela crise da pandemia, como forma de retomar a geração de empregos e evitar a extinção de elos importantes da cadeia produtiva. 
 
Mantive reunião com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Química da Região do ABCD, que reúne os empregados de 10% do setor no Brasil, sendo que o Estado de São Paulo responde por 47% do segmento nacional.
 
Os sindicalistas disseram que se nada for feito, agora, perderemos ainda mais empregos nos próximos meses e colocaremos em risco de sucateamento importantes setores produtivos nacionais. 
 
O setor químico, por exemplo, perderá o Regime Especial da Indústria Química, o REIQ, que desonera alíquotas do PIS e Cofins na compra de matérias-primas básicas. Conseguimos, no Congresso, que a perda deste incentivo não fosse efetuada de uma só vez, de forma que seja substituído por uma política de reestruturação do setor.     
 
Eles me informaram que o fim deste incentivo ameaça muitos empregos na indústria química brasileira, além da retração do Produto Interno Bruto do País e de uma perda na arrecadação, pelo Governo, da ordem de R$ 3 bilhões/ano.
 
Este problema surge num momento em que nunca o País precisou tanto da indústria química para a fabricação de medicamentos, insumos, produtos de higiene pessoal, entre outros, que são essenciais no combate e prevenção à Covid-19.
 
Daí a necessidade de envolver o Congresso e o Governo na criação desta agenda. Ficou claro que é preciso instituir e praticar uma política industrial no Brasil. Caso contrário, perderemos competitividade, obrigando-nos a importar insumos e bens, gerando empregos em outros países e ceifando postos de trabalho em território nacional.

Deixe a sua opinião

Leia Mais

ver todos

Vizinhos do IML

Rosana Valle

Vizinhos do IML

Não dá mais para Santos ficar sem IML

Rosana Valle

Não dá mais para Santos ficar sem IML

Novos empregos no Porto devem atender nossa gente

Rosana Valle

Novos empregos no Porto devem atender nossa gente

2
Entre em nosso grupo