Mario Gocchi
Mario Gochi - Advogado e poeta
27/05/2021 — quinta-feira às 08h45
Apenas para contextualizar, o poema que compartilho neste espaço foi escrito em homenagem à minha mãe, quando ainda vivia.
Ela, nos seus últimos anos de vida, sofreu do mal de Alzheimer.
Fui o seu cuidador.
Penso que a publicação do poema ajuda a colocar luzes sobre essa doença neurodegenerativa, ainda sem cura, mas que vem infelicitando tantas famílias pelo mundo todo.
Os familiares de pessoas acometidas por Alzheimer, aqueles que acompanham e cuidam no dia a dia, são fortemente impactados, muitos adoecem.
Há bastante literatura sobre o problema. O poema, portanto, tem a pretensão de ser um vetor de humanização e cumprir, através da arte, um papel social.
A arte poética para além da poética.
A poesia indo além da poesia.
Finalmente, como esclarecimento, o poema é assinado por Mario Sergio, um dos meus muitos heterônimos, este o mais próximo de mim.
Do tamanho do eterno
Eu te amo hoje como te amava ontem
e antes de ontem também.
Até ontem, antes de ontem existia
como pequenos flashes.
Não há mais os pequenos flashes
que iluminavam alguns pedaços
de ontem e de antes de ontem
e lhe permitia saber que eu te amava
desde ontem e de antes de ontem,
eram eles nossos vagalumes.
Eles piscavam aleatórios
e, piscando, formavam elos
pelos quais você sorria
sabendo do amor no tempo.
Ontem e antes de ontem não existem mais,
foram embora os nossos vagalumes
- não importa -
por isso é que eu te amo muito mais
hoje,
amor de iluminação,
e muito mais te amarei amanhã
e depois de amanhã mais ainda,
quando nem do hoje você souber.
E quando tudo for uma espera
sem luz, de sons irreconhecíveis,
e nossa comunicação for só abraços,
toques e aromas,
o amor que sinto por ti
será sem medida,
uma grandeza de infinito,
do tamanho do eterno.
(mario sergio)
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