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José Virgílio Leal de Figueiredo

O que importa

José Virgílio Leal de Figueiredo - Presidente do Instituto Arte no Dique

10/06/2021 — quinta-feira às 12h06

O que importa

Olá, leitores do BS9, é um prazer iniciar este espaço em meio a tante gente boa de ideias. Nesta coluna mensal, procurarei trazer temas que possamos refletir em conjunto, sempre em busca de uma visão de mundo mais justa, diversificada e de cidadania. 
 
Enquanto o Brasil caminha para a tenebrosa marca de 500 mil mortes na pandemia, há quem prefira ignorar a realidade, ou tentar desviar nossa atenção dela, ao discutir se uma competição de importância visivelmente diminuída nos últimos anos, como a Copa América, deva ou não acontecer no país.
 
Tal estratégia é inerente aos caudilhos, aos governantes de perfil antidemocrático e que, para tentar esconder suas incompetências como gestores públicos, jogam o foco da opinião pública para assuntos menores, ou que deveriam ser considerados assim. Basta lembrarmos dos anos de chumbo da Ditadura militar, quando os presidentes-generais utilizavam dos mais baratos clichês como “Brasil: ame-o ou deixe-o” e faziam do futebol uma de suas principais ferramentas de manipulação das massas. 
 
Infelizmente, alguns de nossos governantes atuais são herdeiros torpes desse perfil de político ultrapassado. São sujeitos que não conseguem conectar seus neurônios e têm dificuldade em terminar frases simples. Preste atenção em alguns discursos ou entrevistas destes. Quando vizinhos a exemplos de Argentina e Colômbia preferiram pensar em seus povos e recusaram o torneio da Conmebol, eis que o Brasil, país do quase meio milhão de vidas ceifadas não somente pelo vírus, por um plano de governo destrutivo, se oferece para sediá-la. Uma irresponsabilidade sem tamanho, que joga luz sobre, inclusive, o perfil de ídolos que nos vendem, alheios aos acontecimentos do mundo e que preferem suas selfies no Instagram. 
 
Em âmbito regional, seguimos uma luta para diminuir o sofrimento, principalmente das famílias em condições vulneráveis. No Dique da Vila Gilda, em Santos, onde está a maior favela sobre palafitas do Brasil, com mais de 26 mil pessoas vivendo em extremas dificuldades (essas aumentadas drasticamente durante a pandemia), temos tentado, com o Instituto Arte no Dique, realizar ações que visem contribuir de alguma maneira para que as pessoas tenham alguma dignidade. Além das arrecadações de mantimentos e cestas básicas, desenvolvemos atualmente o projeto de um Núcleo de Atendimento e Promoção da Vida, em parceria com a PUC de São Paulo. O objetivo é cuidar da saúde mental da população. Há famílias de seis, sete e até mais pessoas dividindo pequenos cômodos. O desemprego aumentou drasticamente. Mesmo o SUS, de importância imensurável, não dá conta. É uma luta de formiguinha que fazemos, mas que tem encontrado eco em importantes parceiros, instituições e pessoas que não se deixam levar por delírios e pensam no país como um todo, e não apenas parte de uma bolha. 
 
Temos muito o que amadurecer enquanto nação. Para isso, precisamos entender o sentimento de pertencimento, de que um país não é feito somente por uma parcela da população que tem acesso aos bens e serviços. Precisamos batalhar pela inclusão, pela educação, saúde, cultura e segurança para todos. E o Arte no Dique seguirá firme e forte neste propósito.

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