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Gustavo Klein

O streaming vai substituir a TV por assinatura?

Gustavo Klein - Apaixonado por livros, filmes, música e séries, atua há mais de 30 anos como jornalista cultural

15/07/2021 — quinta-feira às 08h08

O streaming vai substituir a TV por assinatura?

Sou do tempo da TV em preto e branco, com apenas sete canais, sem videocassete nem controle remoto e com Bombril na antena. Por isso me permito ficar empolgado com sua evolução.
 
Se é verdade que a tevê aberta, com raras exceções, só piorou desde então, as opções na tevê por assinatura atendem a praticamente todos os públicos.
 
Mas as mudanças não foram apenas no conteúdo e na quantidade de opções. Os hábitos mudaram e agora o padrão é assistir ao programa preferido na hora e no local que o próprio consumidor escolher.
 
O streaming surgiu com o avanço da tecnologia e da banda larga justamente para dar essa flexibilidade ao entretenimento.
 
Começou com o Netflix e hoje a quantidade de opções passa dos dois dígitos: Amazon Prime, HBO Max, Disney Plus, Globoplay, Star, Apple TV, Google Play, Viki (para os que curtem cinema e séries orientais), MGM, Paramount, Mubi, Belas Artes à La Carte, Oldflix (para clássicos), Telecine Play... Ufa!
 
Essa lista é só de alguns dos serviços que já estão disponíveis no Brasil e que são legais, ou seja, que não envolvem pirataria.
 
E se por um lado isso dá mais opção ao consumidor, por outro encarece demais a conta. Pagar por todos eles acaba ficando mais caro do que assinar um serviço tradicional de tevê por cabo ou satélite (sem contar que todos estes serviços continuam dependendo também de um wi-fi razoável, o que é mais um custo).
 
E aí chegamos na provocação do título, que não tem resposta clara mas bons indicativos do que pode ocorrer. A médio prazo, o streaming não vai acabar com a tevê por assinatura.
 
Em primeiro lugar porque uma parte considerável dos consumidores assinou a tevê a cabo para ter mais nitidez nos canais abertos. É só lembrar daquela sua tia ou avó para confirmar isso.
 
Em segundo lugar porque nenhum desses serviços de streaming tem telejornais, programas esportivos e de atualidades. Eles são baseados em séries e filmes e por isso deixam esta lacuna.
 
Em terceiro lugar porque vem se popularizando uma espécie de evolução do streaming, que mescla tanto esse conteúdo online quanto os canais ao vivo. Caso da Globoplay, que lançou um plano que inclui a transmissão dos canais Globosat.
 
Caso também do DirecTV Go, que é exatamente um serviço de tevê por assinatura sem conexão física, só pela internet e que já está chegando perto dos 100 canais.
 
E caso, mais recente, do Claro Box, uma caixinha igual ao conversor da Net mas que se conecta à internet de casa e, além de oferecer os canais ao vivo, permite conectar também Netflix, Amazon e afins.
 
Para encerrar e tentar responder à pergunta do título, é possível prever que o movimento muito forte de "desassinar" o cabo vai se intensificar. O que não significa que a tevê por assinatura vai acabar. Ela só passará de cabo ou satélite para o próprio streaming. E não vai demorar muito para que uma parte desses serviços também acabe por se unir. O mar é de tubarões e não há espaço para tantos salva-vidas.

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