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Gustavo Klein

Não é a água

Gustavo Klein - Apaixonado por livros, filmes, música e séries, atua há mais de 30 anos como jornalista cultural

15/06/2021 — terça-feira às 12h11

Não é a água

Santos produz mais gente que pensa "fora da caixinha" do que qualquer outra cidade. E em qualquer área, da política à medicina e às artes. Há quem brinque que a razão disso seria algo diferente na água que os santistas bebem.
 
Pelo menos no que diz respeito à cultura e às artes, que são o assunto hoje, não é a água. A cidade foi capaz de criar um ciclo virtuoso de formação, difusão e produção cultural que só encontra paralelo em (algumas poucas) capitais. E isso é ótimo.
 
Começou no domingo, por exemplo, mais uma edição do Fescete, o Festival de Cenas Teatrais, que segue pelos próximos dias com ótima programação e homenagem ao ator Mateus Solano. Tudo online, claro, como manda o bom senso.
 
No próximo dia 22, semana que vem, é a vez do Santos Film Fest, festival de cinema que vem se consolidando a cada ano como um dos mais importantes do Brasil. Serão este ano quase 80 produções entre curtas, documentários, animações, longas-metragens e uma fundamental mostra da intensa produção regional.
 
Temos no calendário, ainda, a Tarrafa Literária (literatura), o Festa (teatro), o Curta Santos, o Mirada, o Santos Jazz Festival e outras iniciativas que volta e meia transformam a cidade em uma capital cultural.
 
Tudo isso, somado ao que o poder público promove - temos uma escola pública de artes invejável do ponto de vista da formação de crianças e jovens, a Fábrica Cultural, escolas que são referência no balé, nas artes cênicas e corpos estáveis que enchem de orgulho quem gosta do segmento - destaque, aí, para a sensacional Orquestra Sinfônica de Santos e o Balé da Cidade de Santos.
 
Verbas parlamentares também são destinadas por alguns vereadores para a promoção da cultura e a manutenção de algumas destas iniciativas, incluindo aí apresentações em escolas públicas.
 
Sem contar a quantidade impressionante de bandas que nascem entre os canais 1 e 7, as feiras de economia criativa, o Chorinho no Aquário, os festivais de blues e de bossa nova, a Pinacoteca, o Posto 4, as exposições das quatro galerias públicas de artes plásticas, o tradicional Chorinho no Aquário, o Sesc, nossos teatros...
 
Não falta, enfim, arte e cultura na cidade de Santos. E a "culpa" não é da água, é de toda essa roda viva que desperta, produz, divulga e até exporta produtos culturais e talentos.
 
O que falta? Falta público, essencialmente. Às vezes fica a impressão de que, seja qual for o evento, os rostos são os mesmos. O número de consumidores de cultura da cidade é o elo frágil desta corrente.
 
Como alguém muito mais inteligente do que eu disse no passado, "sem arte morre-se de realidade". Especialmente em tempos de pandemia ficou muito clara a importância da cultura para segurar as pontas do nosso psicológico e nos fazer refletir sobre o que vivemos.
 
Não podemos negar essa chance aos nossos filhos, às próximas gerações. A chance de conhecer produtos culturais diferentes do que eles consomem no rádio, no YouTube ou na tevê. A chance de mostrar que o mundo é muito maior, que também se viaja com a mente e que riqueza pode ter vários significados.
 
Termino, então, convidando o bravo leitor que chegou até aqui a levar seus filhos para conhecer todo esse mundo cultural que Santos oferece. Negar isso a eles e a si próprios é condenar nosso dia a dia a ser sempre cinzento e nada criativo. Temos, aqui, um potencial que ainda precisa ser descoberto pela massa. Frequente, apoie e ajude a divulgar!!

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