Terça, 14 de julho de 2026

DólarR$ 5,15

EuroR$ 5,87

Santos

16ºC

Felipe Pupo

Uma escolha difícil

Felipe Pupo - Professor de História e profissional da área da comunicação, com ênfase no trabalho voltado à Política, Esporte e Educação

31/07/2021 — sábado às 09h07

Uma escolha difícil

A programação do futebol brasileiro promete fortes emoções ao torcedor entre os meses de agosto e dezembro, com a realização do segundo turno do Brasileirão e as fases eliminatórias das copas (Libertadores, Sul-Americana e do Brasil). 
 
Teoricamente, os times com um elenco mais robusto tendem a prevalecer nessa maratona de jogos e viagens. São os casos de Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG, que dispõem de elencos mais qualificados e podem suportar eventuais contratempos (como lesão ou suspensão dos jogadores titulares) sem perder o nível técnico e o poder de fogo nas competições. 
 
Por outro lado, os demais clubes enfrentarão enormes dificuldades para chegar com fôlego até a última volta desta temporada. Em algumas situações, será necessário priorizar uma competição em detrimento das demais. Um risco calculado, é verdade. Mas nem sempre com o resultado satisfatório. Basta lembrar, por exemplo, do Santos FC que priorizou a Libertadores (e mesmo assim acabou sendo eliminado na primeira fase) e ainda lutou contra o rebaixamento na última rodada do Campeonato Paulista. 
 
Os treinadores, em geral, permanecerão lamentando o excessivo número de jogos disputados pelos brasileiros. É o máximo que podem fazer contra este calendário insano. E com razão. Na temporada de 2020, para citar mais um exemplo, o Palmeiras disputou 79 jogos e conquistou dois títulos. Ainda na ressaca das comemorações, emendou a atual temporada, o que comprometeu o seu rendimento no início do ano, custando inclusive uma eliminação precoce na Copa do Brasil para o CRB. Agora o alviverde está recuperando o seu bom futebol e chega com muita força para lutar por novas conquistas.
 
Talvez um leitor mais exigente se lembre nesse momento de que, no passado, os times disputavam muitas competições e não haviam tantas reclamações. É fato. Mas é necessário também ponderar (e isso, inclusive, será tema de outra coluna) que o futebol moderno exige um nível de intensidade, comprometimento tático e desgaste físico jamais vistos em outros tempos.
 
O atual modelo favorece apenas os times mais ricos e acentua as desigualdades dentro das quatro linhas. No ano passado, excetuando os torneios estaduais, Palmeiras e Flamengo abocanharam todos os títulos de expressão nacional (Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores). 
 
Sendo assim, os dirigentes precisam ter a coragem para ampliar o debate sobre as mudanças no calendário do futebol. Este colunista defende particularmente duas alterações: o fim (ou enxugamento) dos estaduais e a paralisação dos jogos locais nas datas Fifa (partidas da seleção brasileira) 
 
Vamos começar pela primeira proposta, a mais polêmica. Os campeonatos estaduais têm, de fato, um valor histórico imensurável no futebol brasileiro. Porém, o Paulistão, o Carioca ou o Gauchão dos nossos dias não fazem nem sombra às competições que marcaram história até o final da década de 1990. Hoje, os estaduais ocupam uma faixa de três meses no calendário nacional e acabam “espremendo” as datas do Brasileirão. Além disso, nesse cenário, torna-se inviável paralisar as competições locais nas datas Fifa com a seleção brasileira. Resultado: os clubes ficam desfalcados e o escrete canarinho sofre com a antipatia da torcida. Todos perdem. 
 
Os estaduais poderiam contemplar apenas os times do interior, evitando, é claro, a sua extinção. Ou poderiam reunir apenas os times grandes em um torneio regional no período curto de um mês (como era o antigo Rio-São Paulo). Com mais folga no calendário, novas datas estariam disponíveis para o Campeonato Brasileiro e, consequentemente, haveria a possibilidade de suspensão dos jogos domésticos nas datas Fifa. 
 
Os dilemas e soluções para o futebol brasileiro passam por escolhas difíceis. Já não é mais possível fugir deste assunto polêmico. Agora, é necessário ter coragem, maturidade e ousadia para debater uma nova organização para as competições nacionais.  

Deixe a sua opinião

Leia Mais

ver todos

A arbitragem como espetáculo

Felipe Pupo

A arbitragem como espetáculo

Espanholização do futebol brasileiro

Felipe Pupo

Espanholização do futebol brasileiro

O que esperar do Santos FC no Campeonato Brasileiro

Felipe Pupo

O que esperar do Santos FC no Campeonato Brasileiro

2
Entre em nosso grupo