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Felipe Pupo

Santos FC de 2021: sonho com o título ou luta contra o rebaixamento?

Felipe Pupo - Professor de História e profissional da área da comunicação, com ênfase no trabalho voltado à Política, Esporte e Educação.

26/06/2021 — sábado às 12h27

Santos FC de 2021: sonho com o título ou luta contra o rebaixamento?

Há mais de 40 dias no comando técnico do Santos FC, o treinador Fernando Diniz tem conseguido avanços no seu trabalho de reformulação da equipe. É lógico que as mudanças ocorrem de forma lenta e gradual e não necessariamente se refletem nos resultados dentro de campo – pelo menos, neste primeiro momento. 
 
Ao longo deste período, o Alvinegro foi eliminado na Libertadores e sofreu nas rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro, o que acendeu um sinal de alerta em uma parcela da torcida sobre a permanência do time de elite do futebol. 
 
Os torcedores mais otimistas podem avaliar o risco de uma eventual queda como um pessimismo exagerado, tendo em vista o potencial dos jogadores (tanto os mais experientes, como os reforços e os garotos da base) para evoluir na temporada. 
 
Já os mais pessimistas pedem cautela e prudência, pois ainda refresca na memória a última rodada do Campeonato Paulista, em que o Peixe teve a missão de vencer o jogo derradeiro –bastaria pelo menos um empate – contra o São Bento para permanecer na série A do estadual. 
 
Nem tanto ao céu, nem tanto a terra, diria o poeta. Talvez, em uma reflexão mais equilibrada, tenhamos a possibilidade de compreender o atual momento do Santos diante dos seus desafios e circunstâncias. O clube vivencia um processo de reconstrução (administrativa e futebolística), o que demanda um certo período de tempo para a consolidação do trabalho. 
 
Por outro lado, em razão da insana maratona de jogos, o Peixe necessita reagir e dar algumas respostas rápidas ao seu torcedor, com resultados positivos capazes de elevar a confiança e afastar qualquer possibilidade de perigo do Z-4.
 
Nessa perspectiva, Diniz tem feito um trabalho com muitos pontos positivos até o momento. Os primeiros sinais são a organização tática da equipe (um avanço significativo em comparação com o time no início da temporada) e o resgate da autoestima de jogadores em má fase, como Marinho, Jean Mota, Gabriel Pirani, Felipe Jonathan, entre outros. 
 
Aos poucos, o elenco também consegue se adaptar ao novo sistema de jogo, que envolve o maior controle da posse de bola, movimentação, troca de passes e intensidade na marcação.
 
Com a sequência de jogos, o Santos pode crescer nas competições. Porém, ainda não é tempo para euforia! Cabe ponderar que o time apresenta deficiências técnicas, como a falta de criatividade na armação das jogadas, a morosidade na transição de jogo e os desequilíbrios na defesa. Não há solução mágica, mas certamente o elenco poderá evoluir com a retomada da confiança ou mesmo a substituição de jogadores em setores mais vulneráveis. Os novos reforços pedem passagem. 
 
Sem ‘dinizismo’
Com o seu estilo que mistura uma pegada de ‘paizão’, chefe linha dura no banco de reservas e um estrategista na organização do elenco, Fernando Diniz busca implantar um sistema de jogo moderno, eficiente e competitivo. 
 
Não se trata, evidentemente, de uma tarefa simples, muito embora o comandante esteja bastante empenhado nesse projeto de reconstrução do Santos. Certamente, ele precisará de tempo e do apoio da torcida para organizar a casa. 
 
Em sua carreira como técnico, que teve início em 2008 e se consolidou em 2016, Diniz teve os seus momentos de glória e frustração. Já foi aclamado como um técnico promissor, como também questionado por resultados fracassos e resultados ruins. 
 
Isso é até natural, mas o que me estranha é a hostilidade de certos comentários contra o treinador, que supera - e muito - o tratamento dispensado a outros profissionais do futebol.  Há colegas que, inclusive, cunharam o termo “dinizismo”, sempre mencionado de forma pejorativa. 
 
Diniz não está, de fato, na prateleira dos grandes treinadores. Pode até chegar lá um dia. Ou talvez nunca tenha o êxito esperado. 
 
Seja como for, é lamentável que o tom das críticas extrapole o nível do razoável contra um profissional sério, trabalhador, dedicado, educado no trato com os profissionais da área e que busca – ainda que nem sempre com sucesso – imprimir um futebol de qualidade. Algo raro no país. 
 
Torço pelo sucesso do Diniz e, quem sabe, ele venha a conquistar o seu primeiro grande título à frente do Santos. 

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