Felipe Pupo
Felipe Pupo - Professor de História e profissional da área da comunicação, com ênfase no trabalho voltado à Política, Esporte e Educação
26/05/2021 — quarta-feira às 08h44
O Santos FC completou, no último dia 8 de maio, um jejum de cinco anos sem comemorar nenhum título. O triunfo derradeiro foi contra o Audax – time, então, dirigido pelo técnico Fernando Diniz, atual comandante do Peixe –, na final do Campeonato Paulista de 2016.
De lá para cá, o Alvinegro Praiano chegou até a ‘bater na trave’ em algumas ocasiões, como a recente decisão da Taça Libertadores contra o Palmeiras, mas fracassou em todas as suas tentativas de levantar um troféu.
Questão de azar? Creio que não. Por duas razões especiais: 1) As equipes vitoriosas do futebol moderno são aquelas que conseguem conciliar a eficiência na gestão administrativa com a competência na gestão do futebol, como são os casos atuais de Flamengo e Palmeiras; 2) O Santos FC cometeu uma sucessão de erros administrativos – falta de planejamento, excesso de gastos, descontrole das contas do clube e escolhas equivocadas em contratações –, que resultaram na (quase) falência do time.
A irresponsabilidade administrativa dos últimos gestores levou o clube a ser punido pela Fifa com o “Transfer Ban”, uma sanção aos times que não pagam e nem honram as suas obrigações com a compra de jogadores, o que imprimiu ao glorioso Alvinegro a pecha de clube caloteiro no plano internacional.
Mas, para entender como o Santos flertou com o abismo, é necessário retomar a história recente do clube, voltando ao início da década passada. Naqueles tempos, o Peixe vivenciou os dias gloriosos da chamada “Era Neymar”, marcada por muitas conquistas – Taça Libertadores (2011), Copa do Brasil (2010), Tri Campeonato Paulista (2010-11-12) e Recopa (2012).
Com Neymar, Paulo Henrique Ganso e cia., Santos foi a sensação do futebol brasileiro, praticando um estilo de jogo vibrante, alegre e criativo, que inspirava o sonho de muitas crianças e encantava os amantes do esporte bretão. Porém, com o inevitável assédio do futebol internacional, era natural que aquele grupo de jogadores, mais cedo ou mais tarde, buscasse novos ares. E foi aí que começaram os problemas do Santos FC.
Embora tenha reforçado o caixa com a venda dos seus mais importantes jogadores, especialmente com a saída de Neymar para o Barcelona, o tempo das vacas gordas durou pouco, em virtude da falta de planejamento, erros internos e gastos equivocados, como, por exemplo, a compra do atacante Leandro Damião, por R$ 40 milhões, no final de 2013.
Em pouco tempo, os recursos minguaram pelo ralo da gastança desordenada, e o time começou a se afundar em dívidas. Em situação desesperadora, o Santos teve de acionar a sua base em diversas ocasiões para socorrer o elenco principal, alcançando um relativo êxito, mas insuficiente para a reorganização do clube como um todo.
Isso mostra que, ao longo desse período, o modelo de gestão do Santos era um gigante com pés de barro. Não se sustentava. E a conta chegou já na temporada de 2021 para a nova diretoria.
O caso mais angustiante ocorreu, há cerca de um mês, quando o Santos disputou o último jogo do campeonato Paulista com a ameaça real de rebaixamento – um vexame impensável na história irretocável do clube. Um fato mais do que suficiente para acionar o sinal de alerta em todos aqueles que cuidam do presente e do futuro do Alvinegro Praiano. Por isso, hoje, não há qualquer margem para o erro.
Nesse momento, espera-se que a atual diretoria mantenha o seu posicionamento firme do saneamento das contas da instituição sem descuidar da gestão do futebol.
Em que pese o anseio da torcida por novos títulos, o Santos FC está no momento de “arrumar a casa”, ou seja, realizar um trabalho sério e competente para a sua reconstrução financeira e administrativa. Ainda que leve um certo período de tempo, a exemplo do Flamengo, o Peixe tem todas as condições de retomar o seu glorioso caminho de conquistas. Que venham novos tempos para o Santos FC.
ver todos