Denilze Lourenço
Denilze Lourenço - Mãe da Bárbara, conselheira eleita do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Condefi) e ativista de apoio às famílias de PCDs
19/07/2021 — segunda-feira às 08h04
Com quantos anos seu filho sentou, andou, falou, desfraldou, leu, escreveu?
Quando se tem um filho com deficiência, você aprende, a muito custo, a se libertar dos padrões (ou não, porque a pressão do meio em que vive te força, e te aponta, e até te machuca).
O tempo certo é o tempo de cada um. O desenvolvimento é individual. Não há que se comparar...
É uma agonia para todas as mães a pressão externa sobre os passos do desenvolvimento de seu filho. Por que, por que, por quê?
Quando são bebês e não se tem diagnóstico, o tempo de cada coisa até serve como alerta de algum comprometimento, é fato (por exemplo: se seu bebê não senta até os seis meses de vida, se ele não tem firmeza, há que se investigar).
Mas fora esta questão, com o diagnóstico já definido, chega a ser crueldade exigir um padrão de desenvolvimento motor ou cognitivo. Porque não há. Nem entre irmãos.
Cada criança tem seu tempo. Os marcos vão acontecer, muito melhor que seja com naturalidade.
O importante é que haja estimulação, orientação e acompanhamento, mas a pressão só prejudica qualquer relação, principalmente porque gera culpa e frustração.
E mãe já se sente culpada por natureza, por tudo, até pelo que é genético, ou biológico. Mãe já atribui para si toda responsabilidade pelo que acontece com sua criança... Não precisa de mais pressão exterior. Que se respeite o tempo individual de cada um, por toda vida.
Sentar, andar, falar, aprender, amadurecer... Tudo isso vai acontecer, só que no tempo de cada um...
E quando acontece, a qualquer tempo, em todas as situações, mãe comemora como uma conquista dela... porque é uma etapa alcançada...
Mas ainda assim, mãe não se dá por satisfeita... Bora lá buscar o próximo marco do desenvolvimento do filho...
Seria muito melhor se fosse sem pressão, sem comparação, sem cobrança, no tempo de cada criança...
Respeite a sua relação com seu filho. Dê a ele toda estimulação necessária, mas não se oprima, muito menos o pressione. E principalmente não permita que o meio em que vivem te classifique, te atribua incompetência.
Teorias e táticas a serem aplicadas são importantes, mas nem sempre a criança está apta para praticar... Não naquele momento, mas quem sabe uns meses depois, ou dias, ou anos...
Que seja leve, no tempo de cada um.
Mesmo porque o tempo passa, e você deve querer aproveitá-lo da melhor forma: com a leveza e tranquilidade que nos traz cada conquista...
Seja feliz o tempo todo!
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