Ana Patrícia Arantes
Ana Patrícia Arantes - Jornalista, atua com Comunicação e Sustentabilidade
04/07/2021 — domingo às 08h19
Completamente na contramão da sustentabilidade planetária, a gestão das florestas de mangues na Baixada Santista segue na linha da sua completa exploração territorial
O mangue não é valorizado enquanto floresta em pé.
Mesmo sendo responsável pela produtividade pesqueira e importante para o enfrentamento da crise climática, com função destacada na proteção do litoral atuando na redução da erosão das linhas de costa, as ações de gestão de manguezais na região não desenham um plano que resguarde este patrimônio natural. Um bem público e não privado.
Pensar em desenvolvimento econômico no mangue aqui na Baixada Santista é falar em “exploração econômica”. É valorizar a localização e não a vegetação. É desconsiderar completamente as comunidades – humana e marinha que sobrevivem diretamente deste ecossistema preservado.
Aos que pensam que estão distantes dos impactos que a destruição do mangue pode causar, não se iludam. Os planos não são os melhores.
Começamos pelos “navios-bomba”. Um terminal portuário para estocagem de gás natural liquefeito que será construído na área de manguezais. Neste local, navios ficam descarregando diariamente toneladas de nitrato de amônio com potência em TNT equivalente a 55 bombas de Hiroshima. Se explodir, pode devastar a cidade de Santos.
Na outra margem, anunciado há poucas semanas, está o projeto da urbanização das palafitas em cima dos mangues, ou seja, algo praticamente impossível diante das legislações ambientais vigentes e diante da ausência de sincronia administrativa, operacional e socioambiental, que não deu conta até agora de resolver a situação das pessoas que lá residem, resolveram que afundando o manguezal com casas regularizadas a situação estará resolvida, ao menos esteticamente.
Se os outros municípios se pautarem pelos exemplos dos usos exploratórios dos manguezais ocorridos no estuário Santista, que insiste em defender a proteção com o discurso de compensações ambientais, estamos condenados a consequências naturais climáticas e biológicas desastrosas.
E, neste contexto, a lucidez mais uma vez vem da voz da sociedade civil organizada que em diferentes movimentos (marinhos, mobilização, pesquisas, pesca, educação ambiental, social...) trava uma frente de luta ambientalista para alertar a população comum e pressionar o órgão ambiental e judiciário no cumprimento da legislação, impedindo a extinção do manguezal que levará a Baixada Santista da lama ao caos.
Saiba mais:
Assista ao Doc do Bem Sob Palafitas. Conheça alternativas que envolvem comunidade, sociedade civil organizada e universidade.
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