PESQUISA BS9-BADRA
Já em Cubatão, Ademário Oliveira, para oito em cada dez entrevistados é "o pior prefeito do mundo"
Redação BS9 - Exclusivo
10/02/2022 - quinta às 00h01
Caio Matheus tem uma aprovação média de 7 em cada 10 moradores-eleitores, segundo os três últimos levantamentos - Instagram/Caio Matheus
A pedido do Portal BS9 - Litoral e Vale, a Badra Comunicação – instituto especializado na realização de levantamentos estatísticos de dados – realizou entre os dias 27 de janeiro e 1º de fevereiro ampla pesquisa de campo, quantitativa, a fim de avaliar, junto aos moradores-eleitores das nove cidades da Baixada Santista, a aprovação ou reprovação dos atuais prefeitos, que aliás acabam de completar o primeiro ano do mandato 2021-2024.
Em cada um dos municípios foram entrevistadas 800 pessoas, obedecendo nessa amostra a estratificação por gênero e faixa etária, além de zonas eleitorais, quando o caso. Para cada município a pesquisa de opinião tem margem de erro de 3,6 pontos para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%.
“Hoje, na rodada de pesquisas concluída e divulgada, o que se observa é uma queda do nível de aprovação de todos os noves prefeitos, que oscilaram seus índices para baixo em comparação com o levantamento realizado, pela própria Badra, em julho de 2021”, afirma Maurício Juvenal, analista de dados do instituto e coordenador da pesquisa. Segundo ele, ao passo que o tempo de mandato vai passando, cresce o nível de exigência dos moradores-eleitores, que passam a cobrar os prefeitos das promessas e dos compromissos firmados durante a campanha eleitoral. Isso, pelo menos em parte, explica a queda na aprovação de todos.
A pandemia, e o permanente clima de instabilidade política nos níveis estadual e federal, tem dificultado que os governos municipais alcancem maior efetividade, o que de certo modo gera um mau humor na população em relação à classe política, sobretudo em tempos de crise econômica, que sacrifica as camadas mais humildes da população e achata o poder de compra da classe média. “Com o preço dos combustíveis, do gás de cozinha, dos alimentos e do transporte público no patamar exorbitante que se encontra, é impossível ter bom humor para avaliar toda e qualquer administração pública”.
O placar regional
Disposto a deixar seu nome marcado na história de Bertioga, o prefeito Caio Matheus, do PSDB, tem uma aprovação média, de acordo com os três últimos levantamentos realizados pela Badra, de 7 em cada 10 moradores-eleitores no município. O tucano encerrou seu primeiro mandato com 70,2% de aprovação e nessa rodada de pesquisas obteve a melhor avaliação entre os nove prefeitos, com a marca de 59,8% de aprovação. “Caio Matheus desfruta de um sentimento, de uma posição consolidada, de aprovação, junto aos bertioguenses. O desafio agora é manter a equipe coesa e seu círculo de apoio político unido, uma vez que logo logo terá de decidir quem receberá a sua bênção com vistas a sucessão de 2024. Esse tipo de definição em geral é adiado, uma vez que é comum, dependendo do nome, provocar racha na base de apoio”.
Na outra ponta do ranking, como prefeito mais mal avaliado, está um outro tucano reeleito em 2020. Trata-se de Ademário Oliveira, prefeito de Cubatão, que conseguiu atingir a astronômica marca de 8 em cada 10 moradores eleitores reprovando a sua gestão. Afeito a culpar o carteiro pelas más mensagens, Ademário tem virado motivo de piada na classe política regional e até de dó para alguns prefeitos da Baixada Santista. Com reserva, um ex-prefeito da região afirmou que tem pena da postura adotada por Ademário que, ao invés de governar a cidade, prefere falar mal das pessoas e encontrar culpados para tudo no seu entorno, como se o poder da caneta não fosse dele e os votos na eleição tivessem sido atribuídos a ele. Mesmo em seu secretariado, o prefeito de Cubatão já há tempos não desfruta da autoridade natural e requerida ao chefe do Executivo. “A questão é que esses são problemas que só o prefeito pode resolver. Na verdade, Ademário só foi reeleito por conta da pulverização dos votos, várias candidaturas numa estratégia que direta e indiretamente teve sua participação que é a de dividir, bancando candidaturas paralelas, para vencer. Deu certo eleitoralmente e só”, argumenta Maurício Juvenal.
Somente Caio e Rogério superaram a casa dos 50% de aprovação; já Ademário foi o único que não chegou a 20% - Arte:BS9O preço disso é um desgaste de imagem e de não aceitação jamais visto na história de Cubatão e que faz com que 8 em cada 10 moradores eleitores adotem como mantra a frase “o pior prefeito do mundo”. Ao dar de ombros para o resultado, pelo menos ao que parece, e, segundo apurado pela reportagem, fazer menção de que alguém da Badra Comunicação teria pedido dinheiro para adulterar o resultado da pesquisa, Ademário de fato vira motivo de piada. “Eu não sei dizer se essa possível acusação do prefeito de Cubatão é verdadeira ou não, ainda que eu tenha recebido mensagem encaminhada dando a sensação de que ele faz tal acusação. É preciso perguntar para os outros oito prefeitos se algum, em algum momento, foi abordado por alguém ligado à Badra com este tipo de proposta. Tenho certeza de que não e então prefiro creditar o assunto à fofoca de quem não tem o que fazer”, afirma o especialista, desafiando Ademário a ir à polícia, caso tenha como afirmar e provar o que atribuem a ele.
Na atual rodada de pesquisas Badra, dois outros resultados chamam muito a atenção, ambos marcados pelo mau desempenho, reprovação, dos prefeitos de Guarujá e de São Vicente, respectivamente Válter Suman, do PSDB, e Kayo Amado, do Podemos. Em seis meses, eles viram o gráfico de aprovação/reprovação produzirem o desenho de um “X”, ou seja, aprovação caindo e reprovação subindo numa inversão diretamente proporcional de posições. “No Guarujá, tudo leva a crer que o episódio da prisão do prefeito tenha provocado esse dano catastrófico a sua imagem. A população do Guarujá festejava, com Suman, ter deixado as páginas policiais e de repente o munícipio volta a ter um prefeito preso. Em São Vicente, fica claro que o clima de romance entre Amado e a população esfriou. Cidade com muitos problemas e difícil de ser governada, o jovem e atual prefeito não tem conseguido fazer as entregas que prometeu durante a campanha. E nem poderia, afinal de contas está há apenas um ano no cargo”.
Para Maurício Juvenal, o desafio que está colocado para Kayo Amado é o de governar além das redes sociais. “É notório o poder de comunicação dele via redes sociais. O problema é que os efeitos especiais e truques de imagens, tão comuns nos videozinhos que produz, não funcionam na vida real, por exemplo, para acabar com as enchentes, com os buracos das ruas, com a sujeira na cidade, ou com qualquer outro dos tantos problemas presentes no cotidiano dos vicentinos. Governar não é uma obra de ficção, mas sim de materialização”.
No placar geral, a pesquisa Badra revelou a aprovação de quatro dos nove prefeitos eleitos ou reeleitos em 2020. São eles: Caio Matheus, de Bertioga, com 59,8%; Rogério Santos, de Santos, com 50,5%; Márcio Cabeça, de Mongaguá, com 49,5%; e Raquel Chini, de Praia Grande, com 45,3%. A maioria, cinco, foi reprovada. São eles: Ademário Oliveira, de Cubatão, com 80,3% de reprovação; Válter Suman, de Guarujá, com 63,3%; Tiago Cervantes, de Itanhaém, com 58,3%; Luiz Maurício, de Peruíbe, com 53,5%; e Kayo Amado, de São Vicente, com 51,3%.
Por fim, o analista de dados da Badra explica que o objetivo da pesquisa proposta pelo Portal BS9 - Litoral e Vale é o de emprestar voz à população eleitora para que, do mesmo jeito que elegeu os prefeitos em novembro de 2020, demonstrando seu sentimento por meio do voto, possa agora demonstrar seu nível de satisfação ou insatisfação com o desempenho de quem ajudou a eleger. “Não dá para os prefeitos acharem que uma vez eleitos receberam uma espécie de salvo-conduto para gerirem os municípios da forma que quiserem e sem cobrança ou avaliação. O povo é o destinatário final das ações dos governos municipais e tem todo o direito de gritar democraticamente quando a coisa não vai bem. Da mesma forma que grita para aprovar aqueles políticos e gestores que se dedicam no exercício de seus mandatos”, finaliza Maurício Juvenal.
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