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Maioria dos eleitores da Baixada e do Vale do Ribeira se diz interessado com o tema das eleições

Metade dos entrevistados afirma confiar plenamente no voto eletrônico

Redação BS9 - Exclusivo

Redação BS9 - Exclusivo

07/03/2022 — segunda-feira às 07h30

Maioria dos eleitores da Baixada e do Vale do Ribeira se diz interessado com o tema das eleições

Analista de dados afirma que índices de abstenção próximos de 40% em algumas cidades não podem ser ignorados - (foto: Freepik)

Faltando pouco mais de seis meses para as eleições gerais de outubro, em que o eleitor terá a oportunidade de votar cinco vezes, isto é, para Presidente da República, Governador de Estado, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual, exatos 62,8% dos entrevistados na pesquisa de opinião Badra afirmam estar interessados (45,7%) ou muito interessados (17,1%) com o tema.

Na outra ponta, 35,2% dos moradores-eleitores da Baixada Santista e do Vale do Ribeira declaram não ter interesse algum na eleição. “Somados aos 2% que não souberam opinar, isso representa quatro em cada dez eleitores, um patamar muito alto se a gente pensar que é sobre o futuro do País, sobre as políticas públicas de Saúde, Educação, Assistência Social, Desenvolvimento Econômico, entre outras, que estamos falando”, afirma Maurício Juvenal, analista de dados da Badra Comunicação.

Mais de 62% têm interesse nas eleições de outubro - (arte: BS9)

Não distante disso, segundo ele, o percentual não difere muito do que tem sido registrado em termos de abstenção e votos nulo e branco nas últimas eleições. “A abstenção nas eleições municipais de 2020 é a maior verificada nas últimas décadas. No segundo turno, por exemplo, 29,5% dos eleitores habilitados optaram por não comparecer às urnas, isso num país em que o voto é obrigatório”.

De acordo com o analista, índices de abstenção próximos de 40% em algumas cidades não podem ser ignorados. “A abstenção tem subido a cada processo eleitoral e a tradução desse comportamento do eleitor não é outra senão a de forte desilusão de parte expressiva do eleitorado com a política brasileira, que não se sente de fato representada”, argumenta.

Ele alerta para índices recordes em algumas cidades, como Santos (33,1%), Praia Grande (32,7%), Registro (31,3%) e Iguape (30,4%). Em parte desses municípios, a abstenção, somada aos votos nulos e brancos, supera a votação obtida pelo vencedor do pleito. 

“A boa notícia parece ser esse manifesto interesse da maioria dos eleitores. E mesmo sendo alto o patamar dos desanimados e ou desinteressados, os candidatos têm cerca 200 dias para trabalhar o estado de ânimo dos cidadãos e para convencê-los de que as transformações que a sociedade quer e precisa só se darão a partir da política, consequentemente das melhores escolhas que eles fizerem, escolhas estas, aliás, que precisam garantir o aumento da representatividade de grupos minoritários para que de fato se tenha a construção de uma democracia justa e a redução das desigualdades”, diz Maurício. 

Confiança na urna eletrônica
Quase a metade, 49,7%, dos moradores eleitores da Baixada Santista e do Vale do Ribeira afirmam confiar plenamente no atual sistema eletrônico de votação. Outros 13,3% declaram confiar, mas com certa preocupação. Para 27,1%, o sistema não é nada confiável; 8,1% dizem que não confiam e nem desconfiam; e 1,8% não souberam opinar. É o que revela a pesquisa de opinião realizada pela Badra Comunicação.

Quase 50% dos entrevistados confiam plenamente no voto eletrônicoQuase 50% dos entrevistados confiam plenamente no voto eletrônico - (arte: BS9)

Para a coleta de dados, os pesquisadores do instituto ouviram 1.504 pessoas nos dias 3 e 4 de março, em 14 cidades das duas regiões. A pesquisa tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Apesar do nítido sentimento de confiança de dois em três eleitores, o ideal é que 100% dos eleitores se sintam seguros quanto ao sistema e, sobretudo, quanto aos resultados, ou seja, que ele seja de fato a expressão da opinião e do sentimento de quem votou, fazendo valer a máxima na qual o voto de qualquer indivíduo, independente de sua condição socioeconômica, possui o mesmo valor e peso. “A transparência, a lisura e a segurança no processo eleitoral têm que estar acima de quaisquer especulações, reais ou não, sobre o seu resultado”, afirma o analista de dados da Badra.

Segundo ele, uma possível insegurança do eleitor no resultado do pleito eleitoral abala a estrutura da democracia, inclusive podendo ser fator de acirramento de ânimos. “Direta contra esquerda, nós contra eles e vice-versa. Nada disso faz sentido. É preciso proteger o princípio de que na democracia a opinião da maioria vence e deve ser respeitada”. 

Para o especialista, a confiança em saber se o candidato foi, realmente, vencedor ou não nas eleições, garante mais do que estabilidade democrática. “O processo tem que estar posicionado num patamar de honestidade, inquestionável. Não pode haver a mínima margem de dúvida”, conclui.

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