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NEGOCIAÇÃO ENTRE PARTIDOS

PSDB dá prazo para MDB sob ameaça de lançar candidato próprio ao Planalto

Presidente da sigla pressiona para destravar palanques regionais e diz que executiva pode discutir nome tucano

Por Julia Chaib - Da Folhapress

03/06/2022 - sexta às 17h30

Os presidentes do PSDB, Bruno Araújo, do MDB, Baleia Rossi, e do Cidadania, Roberto Freire, que buscam uma aliança em torno da pré-candidata de Simone Tebet - (foto: Antonio Molina/Folhapress)

Em nova pressão sobre o MDB, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, ameaça voltar a discutir uma candidatura própria do partido caso os emedebistas não destravem, até a próxima quarta-feira, dia 8, acordos em estados nos quais os tucanos pediram apoio.

Os dois partidos estão em negociação para selar uma aliança em torno da candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) para o Palácio do Planalto, num acordo que também envolve o Cidadania.

O anúncio formal da aliança ainda depende, no entanto, de entendimentos regionais entre tucanos e emedebistas, principalmente no Rio Grande do Sul.

Araújo almoçou na quarta-feira, dia 1º, com o ex-governador gaúcho Eduardo Leite (RS), o senador Tasso Jereissati (CE) e os deputados Aécio Neves (MG) e Paulo Abi-Ackel (MG), além da prefeita de Caruaru (PE), Raquel Lyra.

No encontro, ficou resolvido que o PSDB daria ao MDB um prazo até a próxima semana para destravar os palanques de Rio Grande do Sul, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.
Embora os tucanos tenham pedido apoio em três estados, só o Rio Grande do Sul é considerado decisivo para o rumo da aliança.

Presente no encontro, Aécio defendeu que o partido debata uma candidatura própria se as concessões não forem feitas. Ele recebeu apoio dos demais, segundo interlocutores.

Depois do almoço, o PSDB divulgou uma nota sinalizando o prazo dado aos emedebistas. "Na quinta-feira [9 de junho], a executiva ampliada do PSDB se reúne para confirmar o apoio a Tebet ou o lançamento de candidatura própria à Presidência", diz o texto.

Durante o almoço, Aécio aproveitou a oportunidade para perguntar a Leite se ele toparia ser o nome do partido para disputar o Palácio do Planalto. Segundo relatos, o ex-governador gaúcho teria respondido que sim, caso esse fosse o desejo da sigla.

Leite disputou as prévias do PSDB, mas foi derrotado pelo ex-governador de São Paulo João Doria -o ex-governador paulista desistiu da disputa por não ter o apoio da cúpula do PSDB.

Numa das últimas vezes em que falou do tema, na esteira da saída de Doria, Bruno Araújo foi taxativo e afirmou que uma candidatura presidencial própria do partido era um "assunto vencido, no sentido de que a aliança [com MDB e Cidadania] é absolutamente fundamental".

Ele disse ainda que a coligação com MDB e Cidadania em torno de um candidato único iria avançar. Por isso, a ameaça de voltar a falar de candidatura própria foi interpretada tanto no PSDB como no MDB como um sinal de que Araújo tem pressa para decidir o assunto.

O caminho de apoio a Simone Tebet ainda é considerado o mais provável dentro do PSDB. "Estamos no entendimento com o MDB. Acredito que vamos chegar a termo. Essa é o cenário concreto que trabalhamos. Antes disso não adianta especularmos", disse Araújo à Folha de S.Paulo.

O presidente do PSDB ainda afirmou que o nome do candidato a vice-presidente de Tebet só será definido depois que os tucanos anunciarem o apoio a ela.

O mais cotado é Tasso, que já afirmou que não gostaria de se candidatar. Mesmo assim, aliados acreditam que ele cederá aos pedidos para ser vice da senadora, se assim lhe for solicitado.

O principal entrave nos acertos regionais entre PSDB e MDB está no Rio Grande do Sul. Tebet viajaria ao estado nesta quinta, dia 2, para tentar solucionar o palanque, mas acabou adiando a viagem por conta da morte de seu sogro.

O PSDB quer que o MDB abra mão da candidatura ao governo do estado do deputado estadual Gabriel Souza. A ideia é que os emedebistas indiquem o vice numa chapa encabeçada por um tucano, preferencialmente Leite.

Embora não fale publicamente sobre o assunto, Leite já indicou internamente que topa disputar mais um mandato como governador do Rio Grande do Sul.

Parte da velha guarda do MDB gaúcho, porém, tem colocado empecilhos ao acordo. Um dos argumentos levantados é que o MDB tem tradição na política gaúcha, tendo eleito quatro dos últimos dez governadores.

Já em Pernambuco, Raquel Lyra cobra apoio do MDB e que o partido desembarque da base do PSB, que lançará o deputado Danilo Cabral (PSB-PE) ao governo do estado.

O desembarque é visto como remoto tanto por emedebistas como por tucanos pelo fato de o PSB ser tradicional em Pernambuco. Além disso, integrantes do MDB já costuraram acordos com o governo estadual.

Outro entrave para a aliança entre tucanos e emedebistas está no próprio estado de Tebet, o Mato Grosso do Sul. Além dos interesses políticos locais, a relação da senadora com líderes emedebistas locais tem se deteriorado nos últimos anos.

O MDB aposta na eleição do ex-governador André Puccinelli, que vem liderando as pesquisas de intenção de votos. No entanto, o PSDB nacional exige o apoio emedebista para alavancar a candidatura de Eduardo Riedel (PSDB) –nome do atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

Tucanos e mesmo alguns emedebistas próximos a Tebet têm defendido que Puccinelli lidera atualmente as pesquisas por causa da grande divisão dos votos entre quatro candidatos. No entanto, argumentam que ele tem um teto de votos de 20%, o que inviabilizaria a sua eleição.

Puccinelli, no entanto, parece pouco propenso a desistir em favor do nome tucano.

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