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CENSO 2022

Abstenção no Censo foi maior em cidades bolsonaristas

De modo absoluto, 2,2 milhões de domicílios em estados que elegeram o ex-presidente não responderam o Censo, contra 829 mil domicílios de estados eleitores do petista

Da Folhapress/Daniel Mariani, Diana Yukari, Nicholas Pretto e Paula Soprana

Da Folhapress/Daniel Mariani, Diana Yukari, Nicholas Pretto e Paula Soprana

30/06/2023 — sexta-feira às 18h01

Abstenção no Censo foi maior em cidades bolsonaristas

A taxa média de não resposta é de 2,3% nos municípios em que Bolsonaro venceu no segundo turno, contra 1,4% nos que elegeram o petista - Ronny Santos

As cidades eleitoras do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) responderam menos ao Censo do que as cidades eleitoras do presidente Lula (PT). A taxa média de não resposta é de 2,3% nos municípios em que Bolsonaro venceu no segundo turno, contra 1,4% nos que elegeram o petista.

Em 11 de 13 estados que puderam ter as cidades comparadas de forma equivalente, a média de abstenção foi maior em cidades bolsonaristas, segundo análise da Folha de S.Paulo.
No geral, a taxa de não resposta aos recenseadores foi de 4,23% no país, com maior abstenção em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os municípios com maior taxa de recusa são paulistas e paranaenses.

De modo absoluto, 2,2 milhões de domicílios em estados que elegeram o ex-presidente não responderam o Censo, contra 829 mil domicílios de estados eleitores do petista.

Entre cidades eleitoras de Bolsonaro com altas taxas de abstenção nos domicílios estão Santa Isabel (SP), 17,3%, Santana de Parnaíba (SP), 16,7%, Arujá (SP), 15%, Ribeirão Preto (SP), 14,3%, Tibagi (PR), 10,8%, e Cocalinho (MT), 9,1%.

Considerando estados com ao menos dez cidades que elegeram Lula, dez cidades que elegeram Bolsonaro e que podem ser comparadas por terem renda municipal semelhante, a média de abstenção foi maior em municípios bolsonaristas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pará, Goiás, Santa Catarina, Tocantins, Espírito Santo, Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Sul, que quase empatou.

Somente no Rio de Janeiro e em São Paulo, os municípios que votaram em Lula registraram taxas mais altas de abstenção.

A maior parcela da população que não respondeu ao Censo de 2022 se concentrou em áreas de maior renda, segundo o presidente interino do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Cimar Azeredo, em entrevista na quarta (28). Uma das hipóteses é que existe um pensamento entre classes mais abastadas de que o "censo não importa".

Para não considerar apenas o voto presidencial, a reportagem comparou cidades em um mesmo estado (portanto com realidades parecidas), que possuem a mesma renda, mas que votaram em candidatos diferentes em 2022.

A partir desse recorte, foi possível identificar que existe uma tendência de municípios bolsonaristas responderem menos aos recenseadores mesmo em locais mais pobres. Não é possível, a partir desses dados, saber se houve uma motivação específica ou se as pessoas apenas não foram encontradas em casa.

Em um mesmo estado, como Goiás, por exemplo, é possível verificar que cidades bolsonaristas com rendas distintas tiveram uma média de não resposta maior do que se comparadas a cidades que votaram no petista, no mesmo parâmetro.

A análise considerou 13 estados porque esse é o total de unidades federativas que têm ao menos dez cidades que elegeram Lula e Bolsonaro e possuem o mesmo nível de desenvolvimento econômico. A reportagem mediu a riqueza de um município pelo componente de renda do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal).

A coleta do Censo foi marcada por atrasos em meio às restrições de verba para o IBGE no governo Bolsonaro. Recenseadores reclamaram de atrasos em pagamentos e de valores pagos menores do que o esperado, o que gerou desistências de profissionais e até ameaças de greve de parte da categoria.

Em outubro, a Folha de S.Paulo mostrou que os profissionais do IBGE também se queixaram de fake news sobre a pesquisa em meio à corrida eleitoral. Ao divulgar os dados do Censo na segunda-feira (26), Cimar Azeredo também destacou que o Censo começou em meio à disputa de uma "eleição extremamente polarizada", o que prejudicou a coleta dos dados pelos recenseadores.

Ele não citou o nome do ex-mandatário, disse que o instituto sofreu críticas do "presidente da República", "sobretudo na taxa de desemprego". "Então, isso de alguma forma tem um impacto."

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