EMPREGO
Participação feminina é ainda menor entre as que têm filhos mais novos
Por Leonardo Vieceli - Folhapress
07/05/2022 — sábado às 19h35
O quarto trimestre de 2021 registrou participação de 38,4% para as mães e de 71,5% para os pais - (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Apesar de registrar avanço ao longo da última década, a participação das mulheres no mercado de trabalho segue distante da masculina e é ainda mais complicada para as brasileiras que são mães, sobretudo as com filhos mais novos.
"A despeito dos avanços na participação feminina no mercado de trabalho, as mulheres ainda enfrentam muitos desafios", aponta o estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). "Esses desafios crescem substancialmente após o nascimento dos filhos, visto que as mulheres gastam, em média, mais horas do que os homens em tarefas domésticas e cuidados com crianças e idosos", acrescenta.
O levantamento, liderado pela economista Janaína Feijó, do FGV Ibre, em colaboração com os pesquisadores Valdemar Pinho Neto e Luísa Cardoso, vai do quarto trimestre de 2012 a igual intervalo de 2021, período mais recente com dados disponíveis. A análise envolve apenas casais heterossexuais, com ou sem filhos de até 18 anos.
No quarto trimestre de 2012, a participação das mulheres com filhos na força de trabalho era de pouco mais de um terço (36,4%), enquanto a dos homens chegava a quase três quartos (73,6%).
Ao longo da década, esse gap recuou, chegando a uma diferença de 31,5 pontos percentuais no quarto trimestre de 2019, às vésperas da pandemia.
Com os efeitos da crise sanitária, que destruiu empregos e paralisou escolas e creches, a lacuna voltou a subir, mas continuou abaixo do patamar de 2012.
O diferencial foi de 33,1 pontos no quarto trimestre de 2021, com taxas de participação de 38,4% para as mães e de 71,5% para os pais. A lacuna, na avaliação dos pesquisadores, permanece expressiva.
O chamado gap é definido como o diferencial ou lacuna entre as taxas de participação feminina e masculina, que correspondem ao percentual de mulheres ou homens inseridos na força de trabalho, em relação ao total de mulheres ou homens em idade de trabalhar (14 anos ou mais).
A força de trabalho é formada tanto por quem está ocupado com alguma vaga (formal ou informal) quanto por quem está desempregado, ou seja, em busca ativa por oportunidades no mercado.
Filho mais novo, menor participação
No quarto trimestre de 2021, as mulheres com crianças recém-nascidas (menos de um ano de idade) tinham participação 49,6 pontos percentuais abaixo da registrada pelos homens.
No caso dos filhos com dez anos, a diferença entre pais e mães era menor, de 26,3 pontos percentuais.
Já no recorte dos filhos com 18 anos, o gap de participação baixava para 22,8 pontos percentuais entre homens e mulheres.
Diferença entre mulheres e homens sem filhos
Na comparação entre as mulheres e os homens sem filhos, as diferenças também são nítidas. Contudo, estão menos acentuadas do que no recorte entre mães e pais.
No quarto trimestre de 2021, a participação das mulheres sem filhos na força de trabalho (48,1%) era inferior em 21,6 pontos percentuais frente à dos homens sem filhos (69,7%). No quarto trimestre de 2012, estava em 24,7 pontos percentuais.
O estudo ainda compara o rendimento habitual por hora entre mulheres e homens empregados com trabalho. No quarto trimestre de 2012, as mães recebiam 30% a menos do que os pais.
A diferença diminuiu ao longo da década, mas continua acima de 20%. Ao final de 2021, o gap de renda era de 22,8%.
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