DESAGRADOU O PRESIDENTE
O presidente, porém, não disse como poderia impedir esse acordo
Da Folhapress
15/04/2022 — sexta-feira às 18h08
Jair Bolsonaro disse isso durante motociata no interior de São Paulo - (foto: reprodução Instagram)
O presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou nesta sexta-feira, dia 15, o acordo entre o WhatsApp e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que a nova ferramenta do aplicativo que permite grupos com milhares de pessoas só comece a funcionar no Brasil após o segundo turno das eleições.
"E já adianto que isso que o WhatsApp está fazendo no mundo todo, sem problema. Agora abrir uma excepcionalidade no Brasil isso é inadmissível e inaceitável."
"Não vai ser cumprido esse acordo que porventura eles realmente tenham feito com o Brasil com informações que eu tenho até esse momento", disse Bolsonaro, em meio a uma motociata nesta sexta-feira, dia 15, no interior de São Paulo.
Depois, em discurso em Americana diante de milhares de simpatizantes da cidade e participantes da motociata, Bolsonaro repetiu os ataques, falando em "discriminação" e "acordo sem validade".
O presidente, porém, não disse como poderia impedir esse acordo, já que se trata de um compromisso entre uma empresa privada e um braço do Poder Judiciário. O caminho legal para o presidente seria o uso da AGU (Advocacia-Geral da União), por exemplo, para recorrer ao próprio TSE.
O WhatsApp lançou nesta quinta-feira, dia 14, em estágio experimental um novo recurso chamado comunidades, que funcionará como um guarda-chuva abrigando vários grupos com milhares de usuários.
Na prática, trata-se de um grande grupo de grupos, que pode ter milhares de membros, com toda a comunicação criptografada. Hoje, cada grupo de WhatsApp tem, no máximo, 256 integrantes.
O recurso estará em teste com alguns usuários nos próximos meses.
O WhatsApp se comprometeu com o TSE a não estrear as "comunidades" no Brasil antes do eventual segundo turno da eleição presidencial, marcado para 30 de outubro.
A empresa, porém, não promete segurar o lançamento das comunidades entre o segundo turno e a posse presidencial no Brasil.
Nos Estados Unidos, na eleição presidencial de 2020, grande parte da desinformação que culminou na invasão do Capitólio em 6 de janeiro circulou após a votação, principalmente pelo YouTube. No Brasil, o WhatsApp foi o principal veículo de desinformação política na eleição de 2018.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Will Cathcart, presidente global do WhatsApp, disse não temer que o "comunidades", recurso que permitirá enviar mensagens criptografadas para milhares de usuários, signifique um retrocesso na luta contra a desinformação.
"Estamos desenhando o produto de forma cuidadosa, com intencionalidade. Há vários produtos no mercado que não foram pensados com o mesmo cuidado. Conseguiremos oferecer um recurso muito útil para os usuários, ao mesmo tempo em que teremos decisões cautelosas de design para combater desinformação", disse.
O que muda no aplicativo
Comunidades:
Mudanças no formato atual do aplicativo:
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