Terça, 14 de julho de 2026

DólarR$ 5,09

EuroR$ 5,81

Santos

17ºC

TENSÃO EM BRASÍLIA

Parlamentares querem que ministro da Educação explique gabinete paralelo formado por pastores

Em áudio, Milton Ribeiro afirma que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados por dois líderes religiosos sem cargo

Marianna Holanda - Folhapress

Marianna Holanda - Folhapress

22/03/2022 — terça-feira às 10h15

Parlamentares querem que ministro da Educação explique gabinete paralelo formado por pastores

No áudio, Ribeiro disse que prioriza municípios que mais precisam e, logo depois, "todos os que são amigos do pastor Gilmar (Santos)" - Celia Viana/Câmara dos Deputados

Parlamentares críticos ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmam que vão tentar aprovar a convocação do ministro Milton Ribeiro (Educação) para que ele explique ao Congresso a atuação na pasta de pastores sem vínculo com a administração pública.

O jornal Folha de S. Paulo revelou na noite de segunda-feira (21) um áudio do ministro em que ele afirma que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados por dois pastores que não têm cargo e atuam em um esquema informal de obtenção de verbas do MEC (Ministério da Educação).

Segundo Milton Ribeiro, ele faz isso para atender a uma solicitação do presidente Bolsonaro.

A bancada do PSOL na Câmara afirmou que irá protocolar representação no Tribunal de Contas da União e no Ministério Público Federal contra Bolsonaro, Ribeiro e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) relembrou a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o ministro por homofobia e disse: "Para ele normal e não atrapalha é cometer crime de responsabilidade e tráfico de influência no MEC para favorecer amigos pastores do Bolsonaro".

Deputada federal com atuação na área de educação, Tabata Amaral (PSB-SP) afirmou nas redes sociais que a pasta abriga corrupção, improbidade e tráfico de influências.

"O MEC mais incompetente da história é também antro de corrupção, improbidade administrativa e tráfico de influências. São escandalosos os áudios em que o próprio ministro mostra que o objetivo dele nunca foi a educação. Vamos cobrar providências do PGR. Mais um ministro vai cair!"

Já Fábio Trad (PSD-MS) disse ser urgente a convocação do ministro para explicar o teor das gravações em que "confessa a promíscua relação entre interesses privados e recursos públicos em sua pasta".

O parlamentar, que é formado em direito, disse ainda que o favorecimento de interesses privados constitui crime de advocacia administrativa (patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário público).

O deputado federal Ricardo Silva (PSB-SP) foi outro que protocolou um requerimento de convocação do ministro. O deputado petista Bohn Gass (RS) disse que acionaria a liderança do partido e da minoria na Câmara para investigar o episódio. "Bolsonaro transforma o MEC num balcão de negócios de pastores."

O também petista Alencar Santana (SP), líder da minoria na Câmara, anunciou ingresso de queixa-crime contra Bolsonaro e Milton Ribeiro no STF (Supremo Tribunal Federal).

Na reunião dentro do MEC, cuja gravação foi obtida pela Folha de S. Paulo, Ribeiro falava sobre orçamento da pasta, cortes de recursos da educação e liberação de dinheiro para essas obras na presença de prefeitos, lideranças do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e dos pastores Gilmar e Arilton.

Os recursos são geridos pelo FNDE, órgão do MEC controlado por políticos do centrão, bloco que político que dá sustentação ao presidente Bolsonaro desde que ele se viu ameaçado por uma série de pedidos de impeachment e recorreu a esse apoio em troca de cargos e repasses de verbas federais.

"A minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar", diz o ministro na conversa.

Milton Ribeiro também indica haver uma contrapartida à liberação de recursos da pasta. "Então o apoio que a gente pede não é segredo, isso pode ser [inaudível] é apoio sobre construção das igrejas".

Na gravação, ele não dá detalhes de como esse apoio se concretizaria.

Questionados, MEC, FNDE e a Presidência não responderam. Gilmar Santos e Arilton Moura foram procurados, mas também não se manifestaram.

Leia Mais

ver todos

Cruz Vermelha São Paulo lança campanha para apoiar vítimas do terremoto na Venezuela

CRUZ VERMELHA

Cruz Vermelha São Paulo lança campanha para apoiar vítimas do terremoto na Venezuela

Cruz Vermelha São Paulo lança campanha para apoiar vítimas do terremoto na Venezuela

CRUZ VERMELHA

Cruz Vermelha São Paulo lança campanha para apoiar vítimas do terremoto na Venezuela

TETO Brasil abre inscrições para denunciar emergência habitacional, com mobilização da juventude em sete estados do Brasil

CAMPANHA DA COLETA

TETO Brasil abre inscrições para denunciar emergência habitacional, com mobilização da juventude em sete estados do Brasil

2
Entre em nosso grupo