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Brasil é campeão dos juros altos após aumento da taxa Selic

O estudo fez uma equação entre as taxas nominais estimadas e aquelas negociadas a mercado para janeiro de 2023

Clayton Castelani - Folhapress

Clayton Castelani - Folhapress

04/02/2022 — sexta-feira às 09h49

Brasil é campeão dos juros altos após aumento da taxa Selic

A lista de nações com taxas positivas é pequena, tem apenas dez posições, ocupadas também por Chile, México, Indonésia, Hungria, Turquia, Malásia e República Tcheca - (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Brasil é o país com a maior taxa de juros ao ano, descontada a projeção de inflação, segundo o ranking mundial de juros reais compilado pelo portal MoneYou e pela gestora Infinity Asset Management. A lista tem 40 países.

Essa marca foi alcançada após o Copom (Comitê de Política Monetária) Banco Central ter elevado na última quarta-feira, dia 2, a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual, a 10,75% ao ano.

Para chegar aos juros reais, porém, o estudo fez uma equação entre as taxas nominais estimadas e aquelas negociadas a mercado para janeiro de 2023. No caso do Brasil, a referência dos juros de mercado é o índice dos contratos DI (Depósitos Interbancários), que estava em cerca de 11,9% ao ano na última quarta.

Desse cálculo é descontada a perspectiva de alta da inflação para os próximos 12 meses -para o Brasil, a projeção é 5,38%, segundo a pesquisa Focus do Banco Central. O resultado é uma taxa de juros real de 6,41% ao ano, colocando o Brasil no topo do pódio dos países com o crédito mais caro, à frente de Rússia (4,61%) e Colômbia (3,02%).

A lista de nações com taxas positivas é pequena, tem apenas dez posições, ocupadas também por Chile, México, Indonésia, Hungria, Turquia, Malásia e República Tcheca. Outros 30 estão em situação inversa.

A Argentina no fim da fila. O país vizinho tem juros negativos de 14,5%, o que reflete uma inflação que fechou 2021 em alta de 51%.

Considerando a média geral dos países listados, a taxa mundial de juros está negativa em 1,27%.

Na maior parte do planeta, as economias seguem com juros abaixo das taxas estimadas de inflação. Esse cenário reflete a rápida e surpreendente escalada de preços global. Uma situação gerada pelo desequilíbrio entre a alta demanda e a baixa oferta de mercadorias e insumos após a retomada econômica gerada pelo avanço da vacinação contra a Covid-19 nas principais economias mundiais.

Bancos centrais em todo o mundo, porém, iniciaram ou discutem começar apertos monetários -elevar juros- para combater a escalada do custo de vida.

Entre os 40 países do ranking, 67,50% mantiveram suas taxas na última rodada de discussões das suas respectivas autoridades monetárias, enquanto 32,50% elevaram taxas.

No cômputo geral, que extrapola o ranking, dos 167 países analisados, 78,44% mantiveram os juros e 19,16% elevaram. Apenas 2,40% cortaram.

"Ainda que se preservem parte dos programas de alívio quantitativo, o movimento global de políticas de aperto monetário ganhou força, com o aumento expressivo no número de bancos centrais sinalizando preocupação com a inflação, em especial devido aos recentes choques de oferta e perspectiva de alta nas commodities", diz o relatório da Infinity Asset sobre o estudo.

A gestora também destaca o peso global da posição do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) sobre os próximos passos da política monetária da principal economia do mundo.

A autoridade monetária vem afirmando que deverá tirar suas taxas de juros de referência do zero a partir de março, medida considerada necessária por membros do Fed para que o país possa frear a maior inflação em quatro décadas.

Países emergentes, como o Brasil, são pressionados a elevar juros em meio a expectativa de que investimentos em renda fixa nos Estados Unidos se tornem mais atrativos. Caso não o façam, correm risco de enfrentar a saída de investidores, escassez de dólares, e ainda mais pressão inflacionária devido ao desequilíbrio no câmbio.

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