POR DENTRO DA POLÍTICA DA BAIXADA SANTISTA
Kayo Amado (Pode) comemora pagamento de R$ 650 milhões em débitos de antecessores. Já o empresário Marcelo Rocha (Novo) faz ponderações e cobra austeridade do atual gestor
Sandro Thadeu
10/01/2026 - sábado às 03h00
Sentimento de alívio
O prefeito de São Vicente, Kayo Amado (Pode), anunciou com entusiasmo o encerramento do quinto ano à frente da Administração Municipal com a quitação de mais de R$ 650 milhões em dívidas trabalhistas, previdenciárias e de obras sem prestação de contas, herdadas de gestões anteriores.
Choque de realidade
Apesar do tom otimista do chefe do Executivo da primeira cidade do Brasil, o empresário e contador Marcelo Rocha, que concorreu à Prefeitura pelo Novo, em 2024, fez ressalvas aos números apresentados. Segundo ele, no mesmo período, o Município arrecadou cerca de R$ 7,9 bilhões. Na prática, a quitação das dívidas representa cerca de 8% da arrecadação total. "Não é milagre, não é feito histórico. É obrigação básica de gestão", frisou.
Pontos em aberto
Rocha mencionou, ainda, que ficaram de fora dessa análise apresentada por Amado dados sobre a melhoria estrutural nos serviços públicos, o volume de débitos deixado pela atual gestão e o gasto total para ampliar a máquina pública, com a criação de novas secretarias e o aumento dos salários dos integrantes do alto escalão. "Criar narrativa ajuda a imagem. Resolver os problemas reais da Cidade exige austeridade, prioridades e gestão de verdade. Menos propaganda. Mais responsabilidade com o dinheiro público", reiterou.
Defesa Civil
O diretor da Defesa Civil estadual, Adriano Baruffaldi, e a secretária de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, estiveram ontem em Mongaguá. Eles foram recebidos pela prefeita Cristina Wiazowski (PP) e pelo secretário municipal de Administração e Governo, Paulinho Wiazowski, para discutir soluções para os problemas das enchentes na Cidade.
Prejuízos
No primeiro domingo deste ano, em 4 de janeiro, mais de 90 pessoas ficaram desabrigadas em razão das inundações em diversos bairros da Cidade provocadas pelas fortes chuvas. Para evitar que a situação se repita, foram debatidas a execução de várias ações, como a limpeza de rios, obras de microdrenagem e outras intervenções estruturais voltadas à prevenção de alagamentos.
Intervenções necessárias
Um sobrevoo, com o apoio do Comando de Aviação da Polícia Militar, foi realizado para melhor observação das áreas que necessitam de intervenção. A Prefeitura reforçou a importância de desobstrução do curso das águas dos rios Bichoró e Aguapeú (trecho entre o Rio Mineiro até a divisa com Itanhaém), além da limpeza do córrego Barranco Alto, que atualmente apresenta densa vegetação ao longo de seu leito, dificultando o escoamento das águas, ampliando o risco de alagamentos nos bairros Jussara, Agenor de Campos, Itaguaí e Flórida-Mirim.
Mudança no primeiro escalão
A Prefeitura de Bertioga começou o ano com mudanças no secretariado. Roberto Tadeu Julião pediu para deixar o comando da pasta de Serviços Urbanos. Ele já havia exercido a mesma função durante as gestões dos prefeitos Lairton Goulart (2009-2016) e Caio Matheus (PSD, 2017-2024).
Substituto definido
A vaga de Julião passou a ser ocupada por Renato Losada Martins, fiscal concursado da Administração Municipal. O novo responsável pela área de Serviços Públicos integra a diretoria executiva da Federação dos Funcionários Públicos Municipais de São Paulo (Fupesp), onde exerce a função de segundo tesoureiro.
Sem anistia
O presidente do PT de Santos, o vereador Chico Nogueira, defendeu a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de vetar o projeto de lei que altera a dosimetria das penas aplicadas a pessoas condenadas por crimes, como golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Batizada de PL da Dosimetria, a proposta pretende reduzir a pena de condenados por crimes relacionados aos atos de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Resta saber se o Congresso Nacional vai manter ou derrubar essa decisão do petista.
Mau exemplo
Na avaliação do parlamentar, em um país marcado por altos índices de violência, flexibilizar punições sem base técnica sólida coloca a população em risco. "O projeto cria brechas para a redução de penas, inclusive em crimes graves, ao limitar a atuação dos juízes na análise das circunstâncias concretas de cada caso, o que pode ampliar a sensação de impunidade e estimular a reincidência", reforçou Nogueira.
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